A Apae de Criciúma planeja a construção de uma Casa Lar para pessoas com deficiência, com atendimento 24 horas e capacidade para 30 moradores. A iniciativa busca responder a uma preocupação que acompanha muitas famílias: “Quem vai cuidar do meu filho quando eu não estiver mais aqui?”.
O projeto foi apresentado durante entrevista no Programa Mais e prevê uma estrutura para acolher pessoas que, no futuro, não poderão mais contar com os pais ou responsáveis.
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A proposta prevê 15 vagas masculinas e 15 femininas, com investimento estimado em mais de R$ 8 milhões. O terreno para a construção já está disponível ao lado da instituição, mas a execução depende da captação de recursos públicos.
A ideia é integrar a moradia aos serviços oferecidos pela Apae de Criciúma, com acompanhamento de profissionais da saúde e cuidadores. A Casa Lar faz parte de um planejamento da instituição para ampliar a assistência e oferecer alternativas de cuidado ao longo da vida das pessoas com deficiência.
Segundo o presidente da Apae de Criciúma, Eduardo Reis de Farias, a Casa Lar representa uma alternativa para uma questão que preocupa muitas famílias e precisa ser discutida antes que os responsáveis deixem de ter condições de prestar os cuidados necessários.
“A gente precisa pensar no futuro dessas pessoas. O pai e a mãe não são eternos, então precisamos construir alternativas para que elas tenham onde morar e continuem recebendo o atendimento necessário”, explicou.
Autonomia começa desde cedo
A preparação para esse futuro também passa pelo desenvolvimento da autonomia. Na Apae de Criciúma, esse trabalho começa ainda na infância, com atividades voltadas às tarefas do cotidiano e ao desenvolvimento das habilidades individuais.
A coordenadora de Saúde da instituição, Andreza Dagostin Bilessimo, destaca que a continuidade dos estímulos é fundamental para desenvolver as capacidades das pessoas com deficiência.
“Se não tiver estímulo, pode até regredir. Por isso, é importante trabalhar constantemente as habilidades e a autonomia, respeitando aquilo que cada pessoa consegue desenvolver”, afirmou.
A proposta é fazer com que, dentro das possibilidades de cada indivíduo, tarefas que antes dependiam exclusivamente de familiares possam ser realizadas com maior independência. Esse processo também contribui para preparar as pessoas para diferentes possibilidades de vida no futuro.
Para a assistente social da Apae de Criciúma, Patrícia Siqueira, o planejamento das famílias precisa começar antes de uma eventual situação de emergência.
“É importante que a família pense e planeje esse futuro. Muitas vezes, os pais estão muito focados no cuidado do dia a dia e acabam não conseguindo conversar sobre o que vai acontecer depois. Esse planejamento é necessário para garantir segurança e qualidade de vida”, destacou.
Novo prédio clínico deve ampliar atendimento
Antes da construção da Casa Lar, a Apae de Criciúma prevê a implantação de um novo prédio clínico entre 2027 e 2028. A estrutura projetada terá três andares, mais de 1,5 mil metros quadrados e 29 salas.
A nova construção deverá concentrar equipes técnicas que atualmente utilizam espaços da instituição. Com a reorganização, ambientes poderão ser liberados para ampliar o atendimento aos educandos.
A expectativa é que a mudança possibilite a abertura de mais de 100 novas vagas, aumentando a capacidade de atendimento da Apae de Criciúma.
De acordo com a direção da instituição, os dois projetos fazem parte de um planejamento de expansão que busca atender às necessidades atuais e, ao mesmo tempo, preparar a Apae para os desafios futuros das famílias de pessoas com deficiência.
Ouça a entrevista completa:
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