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Salas de Espera

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 22/05/2019 - 17:43Atualizado em 22/05/2019 - 17:51

São tantas esperas em tantas salas que perdemos a conta.

Procuramos alguém que nos enxergasse.

Alguém que visse em nós o que não queríamos mostrar. 

Alguém que pudesse ver o que nem sabiamos mais se existia em nós. 

Não seria qualquer pessoa. 

Precisava ser alguém que suportasse nos ver despidos de todas máscaras. E que, ainda assim, nos aceitasse.

Alguém que não tivesse medo de nós.

Alguém que desse o valor devido ao que somos, sem errar na medida.

Alguém que soubesse separar todo o nosso lixo emocional, verbalizado, exteriorizado, atentando para o que pode ser reaproveitado. 

Alguém que sorrisse com a paz de um anjo, satisfeito por presenciar um encontro 'nosso com nós mesmos'. 

Alguém que desviasse o olhar e ouvidos das bobagens que dizemos e fazemos para chamar a atenção, porém, sem nos dar as costas. 

Alguém que descrevesse as visões que tem de nosso passado e do nosso futuro sem receio de que não nos pertencessem. 

Alguém que dissesse que não há nada de errado conosco. 

Alguém que serenamente respondesse a nossa insistente pergunta, dizendo carinhosamente: - É isso o que você faz. 

Alguém que nos fizesse perceber em todas as pequenas ações que realizamos, que é isso o que nós fazemos. 

Alguém que ao acolher nos libertasse. E que, ao nos libertar, acolhesse nossa alma carente do 'para sempre'.

 

P.S. Escrevi pensando na sala de espera do psicólogo mas acredito que se aplica a muitas outras salas de espera.

4oito

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