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Pelo direito de ser medíocre

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 28/08/2018 - 20:00Atualizado em 28/08/2018 - 20:04

Fiz as pazes com a mediocridade.
O adjetivo (medíocre) é forte e muitas vezes usado para denegrir o trabalho ou a imagem de alguém.
No entanto, o significado de medíocre vai além disso e pode surpreender. 
Medíocre vem do latim 'mediocris' e significa médio! Está entre o bom e o mau, o gigante e o minúsculo, a qualidade e a falta dela, a criatividade e a cópia.
E, cá entre nós, por mais que não queiramos estar na média, não seremos gênios o tempo inteiro. Podemos ter momentos de criatividade extrema mas isso não significa sermos bons o suficiente para ficarmos acima da média o tempo todo (pelo menos não sem muito esforço).

Numa rápida retrospectiva revi minhas tentativas de ter meus possíveis talentos reconhecidos.

No ballet na tenra infância. Nas participações nos shows de valores da escola. Nas aulas de violão. Na natação. No inglês. Em todas as - necessárias - aulas de reforço para as disciplinas de cálculos. No entusiasmo com que fazia as redações nas aulas de Língua Portuguesa. Em todos os artesanatos confeccionados nas aulas de Iniciação Para o Trabalho. Em toda a minha vida acadêmica, da pré-escola a pós-graduação. No meu trabalho como professora e como psicóloga. Nas trocas e vendas num brechó virtual que criei. Nas inúmeras tentativas de melhorar minha qualidade de vida, fisica, mental e espiritualmente

Nunca me destaquei. Em nenhuma das tentativas fui "genial". 

Sempre me deparei com algum tipo de limitação.

Algumas vezes fui persistente - a persistência sempre trás algum reconhecimento, dos outros ou de nós mesmos.

Recebi elogios e em alguns até acreditei. 
Mas o que acontece comigo e com a maioria de nós que passamos por isso?

Na maioria das vezes abandonamos o barco.

Porque queremos ser especial no que fazemos.

Mas não podemos porque somos medíocres naquilo.

Nem o melhor, nem o pior.

Nem tão bom, nem tão ruim.

Nem tão grande, nem tão pequeno.

Nós não nos situamos em nenhum extremo que receba destaque.

Isto me incomodou durante um bom tempo. 

Incomodou tanto que me esforcei demasiadamente, ora para que reparassem minhas qualidades, ora para que reparassem meus defeitos. Em todo o tempo, para que me enxergassem.

Hoje sei que não era a mediocridade que eu temia.Meu  medo era ser esquecida.
Esse é o nosso maior medo: sermos esquecidos!

Foi assim que preferi ser a chata a não ser ninguém na vida das pessoas ao meu redor.

E foi assim, também, que me libertei para ser quem posso ser e fazer o que posso fazer.

Para alguém como eu leva um tempo até aceitar que a vida é isso aí: abrir os olhos, levantar, respirar e fazer o que for possível, mesmo correndo o risco de ser taxada de medíocre.
Até porque a outra opção seria não fazer nada, talvez, nem levantar pela manhã.
De coração querido leitor, desejo que você escolha sempre a primeira opção: abra os olhos, levante, respire fundo e faça o que for possível.
Feito é melhor que perfeito.

4oito

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