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O último ídolo

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 28/10/2018 - 11:48Atualizado em 28/10/2018 - 11:52

Um a um sucumbirão todos os nossos ídolos.
Frequentemente repetimos - menos para os outros e mais para nós mesmos - sobre a necessidade de distinguir o autor de sua obra. Porque o autor é gente, não é mesmo? O autor tem defeitos!
Por muito tempo, porém, idolatramos pessoas, simples mortais, reverenciando-os como gênios, iluminados ou abençoados de forma privilegiada.
De alguns nos aproximamos numa tentativa inglória de sentir sua vibração e nos beneficiarmos do contato com sua energia. 
De outros nos distanciamos, reverenciando-os de longe como compete ao bom admirador.
Por ter sido fiel a cada um dos nossos ídolos, não tivemos muitos. 
Um roqueiro, uma modelo, um ator, uma professora, um psicólogo, uma psiquiatra, um grande profissional, uma bailarina, um poeta, uma atleta, um pesquisador, uma filósofa, ou, nesses últimos tempos, um presidenciável.
Por perceber como transcendiam os limites do humano naquilo que faziam, nós os tornamos deuses. Idolatramo-os.
Mas a fidelidade caminha lado a lado com o tempo. E o tempo reapresenta-nos a cada um dos nossos ídolos. Então nós os vemos como seres humanos que são. 
Encontrei meu último ídolo, a quem eu idolatrava por sua disciplina e equilibrio, fazendo seu lanche da tarde duas vezes consecutivas. Entre empadinhas e vidros de conservas sua perfeição diluiu-se no pecado da gula.
Foi só um detalhe, uma simples 'jacada' da parte dele mas, para mim, foi o suficiente.
Não tenho mais nenhum ídolo. Um a um sucumbiram todos!
A questão principal a que devemos nos deter não são os ídolos, é a nossa idolatria, esta coisa de querer ser o que não somos: perfeitos. Não somos perfeitos, ninguém é!
Sigamos curtindo o som, contemplando o belo, admirando atuações, lendo os livros, assistindo as aulas, buscando o auto-conhecimento, respeitando a dedicação e a disciplina, flutuando com a dança, trascendendo-nos na poesia, torcendo pela cura de todas as doenças e pelo crescimento existencial e a felicidade. Torcendo pelo Brasil. 
Sem idolatria.
Estaremos melhor assim.

4oito

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