Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

O Próximo Passo

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 14/02/2019 - 13:37Atualizado em 14/02/2019 - 14:11

Querido leitor, todos temos nossas manias não é mesmo?

De todas as minhas manias havia uma que eu levava muito a sério.

Enquanto caminhava e pensava, subitamente decidia que a partir do próximo passo eu faria tudo diferente.

 

Enquanto caminhava, comparava mentalmente a minha maneira de viver com a maneira com que outras pessoas viviam as suas vidas.

Nesta comparação, via de regra, eu saia perdendo.

Então caminhava e pensava em tudo o que eu poderia fazer melhor e mais bem feito.

Não faltava autocrítica. 

Sobrava super valorização do comportamento alheio.

Naquela contabilidade, meu saldo existencial era sempre negativo.

Nada estava suficientemente bom.

Tudo podia melhorar.

Dos meus hábitos aos relacionamentos, passando pelo jeito de ser e estar no mundo, eu concluía que poderia melhorar em tudo. 

A mudança, eu supunha, me deixaria satisfeita comigo mesma.

Então eu me concentrava nos meus passos. 

Localizava-me em relação a um referencial não muito distante - uma arvore, uma casa ou uma pessoa - e estabelecia, de onde eu estava até lá, uma caminhada rumo a mudança. 

Haveria então um ultimo passo na caminhada de quem eu era. 

E o próximo passo iniciaria a caminhada de quem eu gostaria de ser.

 

>

A mania do próximo passo funciona como auto-ajuda. 

É algo inspirador. Motivacional. 

É como a ideia de começar uma dieta na segunda-feira (desta vez vai dar certo!).

Basta nossa auto-estima cair um pouco e a ideia do próximo passo surge como solução para todas as nossas insatisfações pessoais.

Por algum tempo após o próximo passo nos sentimos aptos, capaz e competentes.

Somos tomados por uma segurança momentânea e sentimos que podemos vencer todas as nossas limitações.

Depois do próximo passo caminhamos firmemente, de cabeça erguida e com o olhar confiante.

Mas em algum momento a aptidão, a capacidade, a competência, a segurança e a confiança nos abandonam.

Não há sustentação em nós para elas.

Vão embora sempre, antes mesmo de precisarmos delas.

E nos vemos, novamente, tendo que encarar os desafios com os recursos dos quais dispomos habitualmente. Nada de novo. 

E fazemos tudo, novamente, do jeito que conseguimos. Como podemos fazer.

Fiz isto muitas vezes, tantas quantas me frustrei por terminar a caminhada do mesmo jeito que iniciara.

 

Transformar um único passo num divisor de águas, num marco existencial determinante, é uma das armadilhas que construímos para nós.

E na qual mais caímos.

Insatisfação não rima com autocobrança. 

Insatisfação rima com aceitação.

A mania do próximo passo é o sintoma mais visível da expectativa exagerada em relação a nós mesmos.

 

Acredito que podemos ser melhor em tudo. 

"Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida."

Acredito, também, que podemos tornar tudo mais difícil com nossas exigências e ideais inatingíveis.

 

Querido leitor, uma caminhada não tem outra função se não a de nos fazer sentir bem. 

Entendi que o próximo passo só tem a importância de unir o passo anterior ao que vem depois.

Porque o caminho se faz passo a passo.

Às vezes a passos largos, rápidos, quase saltitantes.

Outras vezes a passos curtos, cansados e pesados.

Como sou. Como posso ser.

Sempre em frente.

Sempre enfrente! - eu acrescentaria.

Próximo passo realmente importante na vida é o que nos leva adiante. 

O passo que não nos deixa desistir. 

4oito

Deixe seu comentário