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O Dia da Mamografia na Rotina da Mulher Atual

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 02/10/2018 - 16:22Atualizado em 02/10/2018 - 16:29

"É hoje!"

Chegou o dia da mulher fazer os exames ginecológicos anuais.

Ultrassonografia transvaginal, ultrassonografia abdominal total, radiografia das mamas e mamografia.

Um dia, apenas um dia por ano dedicado aos cuidados com nossa saúde.

E justamente nesse dia parece que dá tudo errado. 

Levanta da cama e colide com a bicicleta que 'estacionou' no seu quarto. Escova os dentes e quando vai fazer o bochecho, sente uma dor rápida e aguda nos mesmos. Precisa manter-se em jejum e de bexiga cheia para realizar os exames médicos e, justamente neste dia, perde o sono cedo demais. 

Sai de casa atrapalhada e, lá fora, percebe que está chovendo. Volta e pega a sua sombrinha. Tem a sensação de estar carregando muita coisa e não estar levando o principal. 

No caminho pensa, tentando lembrar do que teria esquecido. Sua mente está confusa e lembra de muitas coisas que tem pra fazer, menos do que teria esquecido. Chega no horário marcado ao local onde fará os exames. Mas ´só ela foi pontual, todos de quem ela depende a partir de agora, estão atrasados. 

Enquanto espera, abre o jornal na parte dos classificados e, atentamente, analisa as vagas de emprego. Depois de um tempo procurando, encontra uma vaga interessante a qual quer, no mínimo, circular para não perder de vista. Neste exato momento é chamada para passar à próxima sala. 

Pedem que tire a roupa e vista um avental descartável. Na minúscula cabine em que se encontra ela tenta organizar tudo o que tem em mãos. Coloca sua sombrinha no chão e pendura sua bolsa e roupas no cabide. Quando vai pegar o avental sua blusa cai sobre a poça d'água que a sombrinha formou. A blusa é branca e está encharcada. Ela racionaliza: como fará para voltar para casa com a blusa deste jeito? Na sua cabeça, os problemas para resolver parecem não ter fim. Agora, ela precisa lembrar do que esqueceu e, ainda, encontrar uma solução para o problema da blusa. 

Ao sair da cabine recebe a chave de um armário onde deve deixar seus pertences. Está confusa e não sabe como organizar tudo no pequeno armário: o jornal, sua bolsa, a pasta com os exames anteriores e a roupa - molhada. Antes que termine sua organização, é chamada para iniciar os exames. Ela respira aliviada: esvaziará sua bexiga. Mas é informada que o médico atrasou e por esta razão fará todos os exames porém este - para o qual a bexiga deve estar cheia - ficará por último. 

Bravamente passa pela bateria de exames e é liberada. Volta para o armário e descobre que organizou seus pertences da pior forma. Sua blusa branca, agora, além de molhada está manchada com as cores do jornal. Veste-a assim mesmo e volta para casa. 

Está muito atrasada e não almoça.  Segue direto para seus compromissos da tarde. Eles exigem que esteja atenta e ela dá o melhor de si. Mas a sensação de que esqueceu algo e tem coisas urgentes para resolver continua. 

Será que deve marcar horário na dentista? - ela pensa. Liga e agenda um horário. 

No seu intervalo decide fazer uma  lista com tudo o que está pendente. Quer ver no papel, diante de seus olhos, o que pode estar lhe deixando assim confusa. Rapidamente escreve cinco itens. Mas não sente nenhum alívio. Toma um café rapidamente e lembra-se de mais dois itens. Talvez, só depois de resolvê-los se sentirá mais organizada, ela pensa. Segue com seus compromissos até que finalmente volta para casa, ávida por descobrir o que está lhe incomodando. Está cansada mas faz cinco dos sete itens que enumerou. Ainda assim está com aquela sensação de que esqueceu algo e de que tem muita coisa para fazer. 

O sono e o cansaço lhe vencem e determinam o fim do seu dia. 

Na manhã seguinte acorda pronta para iniciar sua rotina novamente. Logo percebe que este dia tambem não seguirá a rotina costumeira. Assim como no dia anterior precisará fazer algumas coisas que normalmente não faz - e deixar de fazer algumas outras que sempre faz- em função das responsabilidades que assumiu para hoje. 

Então começa a entender porque tinha a sensação de tantas coisas para fazer. Ela queria pôr tudo no lugar pois não suporta alterações na sua rotina. 
Por isso adiou tanto o auto-exame e os exames de rotina, porque podem indicar alterações que lhe colocarão diante do novo e, inevitavelmente, terá que lidar com isso.

Finalmente descobre do que estava esquecendo. Estava esquecendo de relaxar, de seguir o fluxo natural dos acontecimentos. 

Mas... Só para se certificar de que é isto mesmo, resolve organizar sua bolsa. Não satisfeita, ainda dá uma geral em sua carteira, jogando fora papéis inúteis e colocando tudo no seu devido lugar. Mas percebe que também não era isso o que estava faltando. 

Então, aceita que quer controlar tudo mas, definitivamente, não pode. 

Ainda assim, procura o papel onde estão escritos os dois itens pendentes, mas não o encontra. 

O dia segue e no seu intervalo de trabalho senta calmamente e pede um café. 

Pensa alto: - O que ainda tenho para fazer mesmo? 

Mas isto não é mais tão importante. 

O mais importante já está feito; seus exames preventivos.

Agora está em dia consigo mesma. Não há mais nada de urgente para fazer. 

Importante mesmo é saborear seu café.

4oito

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