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Compra-se vontade

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 18/04/2019 - 16:20Atualizado em 18/04/2019 - 16:38

Há períodos da vida em que olhamos pro nosso cenário e só vemos desânimo, preguiça e relaxamento. 

Como se estivéssemos boiando num lago de águas paradas.

Eventualmente, uma marola nos despeja na areia. 

Essa marola é como a nossa vontade que nos leva pra lá e pra cá.

Nós, nesses períodos, não temos vontade. De nada.

Logo nós, que já tivemos muita vontade de tudo...

Vontade é bom. É a melhor coisa do mundo!

Vontade é a vida do mundo.

Se eu tivesse direito a três desejos eu pediria vontade, vontade e vontade.

Vontade pro agora, vontade pra depois e vontade de reserva. Para nunca faltar.

Porque pode faltar tudo mas não pode faltar vontade. 

Pode faltar até saúde e paz. Com vontade a gente continua assim mesmo - e ainda dá um jeitinho de melhorar. 

Para correr atrás - do que for - tem que ter vontade.

Devia ser proibido faltar vontade.

Quem não a tem que o diga, não é mesmo queridos leitores? 

Não há nada mais injusto do que ser desprovido de vontade.

O mundo fica passando na nossa frente como um filme do qual somos meros espectadores.

A gente sabe que poderia estar atuando, contracenando, interagindo. 

Poderíamos, inclusive, ser protagonistas nesse filme.

Mas o máximo que a gente consegue é assistir.

E a gente assiste ao filme e assiste aos que nos assistem estarrecidos. 

A gente sabe que os que nos assistem querem nos sacudir. Eles são nossos familiares, nossos amigos...

A gente ouve as sugestões, as coisas que eles acham que poderíamos estar fazendo.

A gente ouve que tem que ter "força de vontade". E o melhor que a gente consegue é achar graça.

A gente não consegue, nunca conseguiremos explicar, o que é a falta de vontade.

Dizem que falta de vontade é defeito dos graves.

Dizem que aos maus políticos falta vontade. Que aos bandidos, criminosos e ladrões faltou vontade de estudar, de trabalhar, de se esforçar.

Pode até ser. Mas não lhes faltou vontade de trilhar o caminho da marginalidade.

Falta de vontade mesmo não leva a lugar nenhum; nem à politica, nem à bandidagem, nem à criminalidade e nem à ladroagem. 

Falta de vontade é 'joie de vivre', só que ao contrário; só que não, como dizem os jovens.

Se você não padece desse mal, nem queira saber como é. 

Nós que padecemos, sem vontade, até como consumidores somos 'inúteis'. Compramos o mínimo necessário.

Mas, meu amigo, você ficaria rico se pudesse nos vender vontade. Porque é muito ruim ser ou estar desprovido de vontade.

Eu imagino quem tem vontade é como o mar. As ondas sempre estourando na areia são as vontades todas que se apresentam. 

E quem não tem vontade é como um lago. Vez ou outra, por um acaso do destino, uma marolinha se forma. É a escassa e rara vontade se apresentando.

E há que se aproveitar. 

Nunca se sabe quando virá a próxima. Nunca se sabe por quanto tempo ficaremos a deriva, como meros espectadores.

 

Queridos leitores, julguemos menos e nos solidarizemos mais com quem não apresenta vontades.

Por si só esse fardo já é bastante pesado.

4oito

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