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A vida sem redes sociais. Há vida sem redes sociais?

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 07/12/2018 - 16:16Atualizado em 07/12/2018 - 16:18

A vida sem as redes sociais me revelou que há vida sem elas.

Fiz a experiência; fiquei sessenta e quatro dias abstinente, limpa, com as contas devidamente encerrada.

Contei os dias como um adicto: só por hoje, um dia de cada vez.

No tempo fora das redes, achei que brincaria mais com minha filha pequena, conversaria mais com minha filha mais velha, namoraria mais meu marido, curtiria mais o meu cãozinho.

Achei que iria ler mais livros, caminhar mais, sentar mais vezes na varanda e olhar mais o céu.

Achei que assistiria os bons programas nos canais da TV fechada.

Achei que veria mais filmes. Exploraria mais a cidade. Teria mais disciplina. Manteria tudo ao meu redor mais organizado. Achei que funcionaria noutro ritmo.

No entanto, a mais sedutora das idéias que eu tinha sobre a vida sem redes sociais, era a de que eu encontraria mais todos aqueles amigos com quem há tanto tempo só me relacionava virtualmente.

 

O que realmente aconteceu foi que nada disso aconteceu. Continuei fazendo tudo do mesmo jeito que fazia antes.

 

Eu relaxei, sem duvida. Dormi bem e mais. Porque, para mim, os avisos de atualizações, comentários e curtições dos amigos eram despertadores ininterruptos do meu descanso e sono.

Escrevi mais também. Porque tudo o que não pude compartilhar através de fotos me senti compelida a descrever em palavras.

Por outro lado, perdi a vontade de registrar a vida através de fotografias. E senti falta desta vontade.

Aceitei - a despeito do que pensa toda aquela gente sobre meus registros fotográficos - que eu fico feliz em fotografar e compartilhar.

Percebi que dias bons são bons com ou sem as redes sociais. Dias ruins também.

Obviamente as relações com as redes se dão das mais diferentes formas.

Para mim elas são um amigo inespecífico. Não sei seu nome e não o conheço bem. Mas sei que existe. 

Como acontece com todo e qualquer amigo, ele me traz alegrias e frustrações.

E eu senti falta deste amigo que podia ser o Fulano, o Beltrano, o Cicrano. 

Ou um holograma feito a partir da combinação deles todos.

 

Depois de sessenta e quatro dias voltei para as redes sociais porque conclui que elas  estavam mais para uma rede de apoio do que para um vício. Por precaução, apenas desativei a notificação de atualizações.

Esta conexão permanente na qual, a qualquer momento, podemos manifestar nossos sentimentos, para mim, funciona como um grupo de ajuda. 

Nas redes sociais, assim como em qualquer outro grupo de ajuda, o que nos une é o vício. 

Mas assim como em qualquer outro grupo, todos temos histórias a compartilhar.

E através de nossa participação podemos ajudar e receber ajuda.


E pra você: há vida sem as redes sociais?

4oito

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