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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

A vida que a gente leva: destino ou escolha?

Por Grayce Guglielmi Balod 30/04/2018 - 19:19 Atualizado em 30/04/2018 - 19:23

Não tínhamos nem completado uma década de vida e já nos questionavam: - O que você vai ser quando crescer?
Embora a pergunta nos direcionasse mais para as questões de ordem profissional já nos davam a entender que éramos nós que decidiríamos que tipo de vida íamos levar.
Rapidamente passa a infância, vem a adolescência e logo surge o vestibular ou a necessidade de trabalhar e ter independência financeira. 
Sem muita reflexão chega a hora de firmar compromisso com as pessoas que nos questionavam e, sobretudo, de firmar compromisso com nós mesmos. 
Chega a hora de 'provar' que nos mantivemos fiéis aos "sonhos de criança".
Ou, que temos outros sonhos agora, pelos quais trabalharemos.
Algumas vezes, mesmo que a resposta que dávamos à pergunta quando éramos crianças não corresponda mais ao que sentimos ou pensamos, nos mantemos fiel a ela na idade adulta.
Isto trás implicações e, em alguns casos, complicações pra vida que a gente leva.
Há pessoas que responderam 'certo' aos cinco ou seis anos de idade - a resposta que deram quando crianças, continua valendo agora que são adultos.
Há outras pessoas que reconheceram que a resposta que deram era válida tão somente para aquele momento da vida e hoje têm outras respostas para a mesma pergunta. 
E há pessoas que mesmo agora, na idade adulta, não responderam para si mesmas de forma consciente e almejam uma oportunidade de fazê-lo.
Você se inclui em alguma dessas condições?
Destino ou escolha? 
Como você vê os caminhos que o trouxeram até o atual cenário de sua vida profissional?
Escolhemos ou somos escolhidos?
Há teorias que nos levam a acreditar que nossa vida é fruto de nossas escolhas. 
Há outras teorias que tentam nos tirar o peso da responsabilidade sobre nossas escolhas, contrapondo-as a um universo de questões culturais, econômicas e sociais, no qual afundam.
Se não há argumento contra o fato de que 'de barriga vazia não conseguimos nem pensar direito', imagine quanto a fazer escolhas conscientes nesta condição.
Posto isto, se a necessidade básica é de alimentar-se e, se para tanto, é necessário um trabalho, o primeiro que aparecer é o que irá nos escolher.
De barriga cheia, no entanto, as possibilidades parecem ganhar outra dimensão. Entram em cena os quereres. Quero isto, não quero aquilo.
Se prestarmos muita atenção veremos que determinadas atividades nos acenam de leve, ao longe, nos dizendo sutilmente: eu escolho você.
A medida que nos aproximamos delas nos sentimos acolhidos e temos a sensação de que nos escolheram mesmo.
Mas ao analisarmos nossos passos, percebemos claramente o movimento que fizemos, descartando outros caminhos para seguir nesta direção.
É aí que surge novamente a questão: Escolhemos ou somos escolhidos?
Nas nossas caminhadas existenciais, aprendemos que as coisas não acontecem somente porque queremos que elas aconteçam, é necessário que nos empenhemos em torná-las realidade.
E em alguns casos, todo o nosso esforço não é suficiente e  precisamos contar com o universo e esperar que ele conspire a nosso favor.
Nos relacionamentos e na profissão, há pessoas que escolheram e há pessoas que foram escolhidas.
E há, é claro, alguns sortudos que tiveram o privilégio de ser escolhidos pela pessoa e profissão que escolheram. 

Para exemplificar:

Se você tem dezesseis ou dezessete anos e resolve casar, seu relacionamento é avaliado como 'fadado ao fracasso' pela maior parte das pessoas, porque nesta idade, acreditam,  é difícil distinguir  paixão de amor e você pode estar entrando de cabeça numa relação que tem  prazo de validade - dezoito a trinta meses dizem os mais céticos. Depois disso, cessam  todas aquelas sensações provocadas pelo estado alterado do seu cérebro.  Neste momento do relacionamento você fica com o ônus e o bônus, quando não desaparece, diminui significativamente. 

Não obstante, estas mesmas pessoas exigem que você, nesta mesma idade, tenha clareza do curso que irá escolher para prestar vestibular. O Ensino Médio está acabando  - ou você já está cursando um pré vestibular  - e não pode ter dúvidas em relação ao curso que irá escolher.

Frequentemente não é o amor pela profissão que faz com você a escolha, pois você não a conhece intimamente. Talvez você se encante por ela, possivelmente mais por suas características atraentes do que por conhecê-la profundamente. 

Imaginemos um(a) jovem que escolhe um curso universitário aos dezesseis anos e que casa-se nesta mesma idade. Em ambos os casos os elementos internos dos quais disponibiliza para firmar-se ao fazer suas escolhas ainda são precários pois recém está saindo da adolescência - ou passando por ela - fase onde acontecem várias mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. Está tudo em transição, tudo em 'ebulição'. Nesta fase podemos nos apaixonar por muitas pessoas e profissões.

Alguns jovens mais decididos dizem que desde crianças sabiam qual seria sua profissão. São como jovens prometidos para o casamento. A diferença é que eles mesmos se prometeram e estão em paz com isso. Mas não são a maioria. 

A grande maioria terá que casar com o curso, dormir e acordar com ele, com a responsabilidade de continuar com ele, de cumprir com suas obrigações para com ele, mesmo não estando pronta para isso. 

Percebem que este mesmo exemplo se aplica aos relacionamentos afetivos nessa faixa etária?

É interessante! Você concorda que é jovem demais para casar quando está cursando o Ensino Médio.  Mas  você casa, nesta idade, com o curso universitário, por exemplo.

Estamos sempre fazendo escolhas. Meu alerta é para a qualidade das escolhas que fazemos, que dependerá, em alguns casos, da nossa maturidade para faze-las.

Mesmo que nós, adultos, ao observarmos nossos filhos ou alunos, tenhamos consciência que são jovens demais para estas escolha, não temos muito o que fazer para ajudá-los. 

Somente a vivencia poderá transformá-los em sujeitos de suas vidas, autores de sua história, responsáveis pelas consequências de todas as escolhas que fizeram e que ainda farão.

A vida validará, ou não, estas escolhas.

Foi assim conosco não é mesmo?

Assim será com nossos filhos, assim será com nossos alunos.

Se não temos escolha a não ser aceitar o que a vida nos impõe  talvez estejamos olhando para o destino.

Em todas as situações de vida que tivermos mais de uma alternativa estaremos fazendo uma escolha.

Feitas as escolhas, a vida que se delineará para nós  será pura e simplesmente resultante delas.

Não adianta culpar o destino quando você pode escolher de novo. E de novo.. E de novo a cada dia.

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