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Nyra Terezinha Búrigo Scouto - Primeira médica em Criciúma (Parte 4)

Henrique Packter
Por Henrique Packter 14/12/2019 - 09:21

Poucas vezes um homem pode dizer que se sentiu tão livre quanto ele, naquele lugar, naquele momento e por tantos motivos.

Alguém pergunta pela via Dolorosa, onde fica. Teve vontade de responder: a via Dolorosa começa na rua dona Luíza em Santa Maria, passa pela Lauro Müller em Criciúma e Cel. Lucas de Oliveira em POA.
Jerusalém concretizou a mensagem que gregos e romanos tentaram aperfeiçoar. A mensagem primitiva tal como os judeus a preservaram ao longo dos séculos, parecia bastante e consoladora.

Nem Jerusalém conseguiu salvar o homem. Mas, ela, a mensagem repousa não como um corpo imóvel em seu túmulo de pedra, mas como embrião que ainda cresce. O embrião que talvez contenha o segredo de nossa explicação. Ou, ao menos, de nossa justificação.

A GRUTA DE GETSÊMANI

Na porção norte do Monte das Oliveiras, Vale de Kidron, seguindo pequeno corredor ao lado da igreja da ascensão da Virgem Maria está pequena gruta, parte natural, parte escavada, dezenove por dez metros, a Gruta do Getsêmani, guardada por franciscana.
Acredita-se ser possível que essa gruta tenha abrigado o Salvador e seus discípulos em Jerusalém. É provável que seja o local onde os apóstolos caíram no sono quando o Mestre lhes pediu para orar. A igreja fica bem próxima à pedra da agonia, onde Jesus teria feito a famosa oração: "Pai, se queres, passa a mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua." Lucas 22:42

O evangelho de Lucas diz que os dois lugares distavam de um tiro de pedra, ou seja, bem próximos.

O lugar é adequado à oração, por isso, desde sempre, cristãos hebreus e bizantinos oram ali sem nenhum templo acima da gruta. A tradição diz que esse é o local da traição de Judas. Recentes restaurações trouxeram à luz afrescos pintados nas cruzadas e pichações muito antigas, de peregrinos. Céus, estrelas e três cenas bíblicas já foram descobertos: a oração de Jesus no Jardim, Cristo com os apóstolos e anjo consolando o Salvador.

Dentro da gruta pode-se ver antiga cisterna, tumbas do século 4, um arcossólio e inscrições antigas. Arcossólio (do latim arcus, arco, e solium, sarcófago), termo arquitetônico aplicado a área em arco, recuada da parede, onde se insere um túmulo numa catacumba cristã.

CRISTO RECRUCIFICADO

O guia turístico, ex-padre católico, contava que a gruta fora severamente bombardeada durante a guerra dos seis dias em 1967. Contou milagre: a capela ficara destruída Apenas duas paredes ficaram em pé e uma granada aos pés da imagem da Virgem, granada que não explodira. Ao lado da imagem de Maria estava pregado um Cristo em tamanho natural. A cruz pintada de preto não parecia ter sido atingida, mas o Cristo fora decapitado na explosão. A mão esquerda da imagem despegara do braço da cruz o braço caíra ao longo do corpo que tombou para o lado direito A mão direita continuava pregada e os pés também. Aquele corpo decapitado, pendurado por uma só mão com os joelhos curvados, parecia cair a qualquer momento sobre monte de escombros. Aquele Cristo decapitado após ser crucificado, e a Madona intocada com a granada não detonada aos pés, são símbolos fortes. Cristo, entre as ruínas pendendo para um só lado da cruz lhe pareceu mais irmão dos homens na sua postura dolorosa, igual a qualquer outro morto de guerra, irmão desses cadáveres de homens destroçados. 3.302
(Continua NYRA, primeira médica em Criciúma)

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