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Dr. Juca Balsini

Por Henrique Packter 02/06/2022 - 20:45 Atualizado em 02/06/2022 - 20:52

Tendo Juca Balsini falecido em 13.02.1966, aos 61 anos de idade, quantos ainda lembrarão de fatos que vivenciou ou protagonizou? É singular que tendo iniciado essas mal traçadas, com certa frequência recebo colaborações de estórias suas.

Em se tratando de alimentação, exemplificando, algo hoje cultuado em todas as latitudes, considero Balsini um precursor nos cuidados com nutrição. O Hospital São José daqueles tempos, cujo acesso automobilístico se fazia através do mesmo local ainda hoje utilizado, exibia lá em cima da escadaria a recepção e o consultório do Dr. Balsini, lado a lado. De tempos em tempos, ele vinha até o topo da escadaria para fumar um Hollywood sem filtro e espiar o movimento das salas de espera dos três consultórios da planície: da radiologia de Raymundo Jorge Peres (o mais próximo), de Ginecologia e Obstetrícia de Olavo de Assis Sartori e o meu, de Oftalmo-otorrino-laringo-broncoesofagologia. De repente, não mais que de repente, Balsini desaparecia.

Mais um pouco de tempo e lá vinha ele, descendo escadas ou pilotando elevador para o térreo hospitalar, seu porte esguio entrando esbaforido pelos fundos de meu consultório. Excitado ou nervoso, gaguejava. Corria então em meu encalço, quase sempre pela mesma razão: vira algum velhinho empenado, empertigado, entrar em minha sala de espera. Seu longo e ossudo indicador direito espetava minhas costelas enquanto comandava:

- Tu-tu me per-pergunta o que ele co-come!

Balsini pensava que havia uma razão alimentar específica para a boa saúde. Quando faleceu em 1966, o Ortopedista João Aparecido Kantovitz e o cirurgião Portiuncula Caesar Augustus Gorini estavam, já fazia um ano, na cidade e, meu irmão, o Otorrinolaringobroncoesofagologista, Boris Pakter (Packter, sem o C), estava chegando à capital brasileira do carvão. O cirurgião Luiz Fernando da Fonseca Gyrão chegaria em 1967, o psiqiatra Joacy Casagrande Paulo estava se graduando médico em 1967, pela Faculdade Católica de Medicina de Porto  Alegre e logo estaria entre nós. 

Essa história de registros cartoriais de nomes próprios apresentarem às vezes diversidade inacreditável, sempre me faz lembrar história ocorrida em Santa Maria no RS, minha terra natal. No primeiro dia de aula, o professor Irmão Vitrício fazia a chamada para conhecer os alunos. Falou AARÃO e olhou por cima das lentes dos grossos óculos sem aro para ver quem era o dono de tão esdrúxulo nome. Apareceu um garoto com cara de enfezado, que se levantou desajeitado e com certa lentidão.

Vitrício, sério, mirando-o com pouca ou nenhuma simpatia perguntou:

- Tu és gago?

- Eu, não. Meu pai é gago e o escrivão era um filho da mãe!

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