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Dr Flávio Rezende Dias. PUC-RJ

Henrique Packter
Por Henrique Packter 14/06/2021 - 12:39Atualizado em 14/06/2021 - 12:41

Falecimento do Prof. Flávio Rezende Dias, oftalmologista do Departamento de Medicina da PUC-RJ

Nota do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da PUC-RJ em 7.5.2020.

Com pesar, o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e o Departamento de Medicina da PUC-Rio comunicam o falecimento do Professor Benemérito Flávio Rezende Dias, que coordenou a especialização em Oftalmologia no período de 1992 a 2018.

Nota da Sociedade Brasileira de Oftalmologia:

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) comunica com pesar e muita tristeza, nesta data em que a classe comemora o Dia do Oftalmologista, 7/5, o falecimento do doutor Flávio Rezende Dias – presidente da entidade no biênio 2012 a 2014. Neste momento de dor, a SBO se solidariza e manifesta as condolências aos familiares e amigos.

Nota da Sociedade Norte e Nordeste de Oftalmologia no Facebook:

É com pesar e tristeza que a Sociedade Norte Nordeste de Oftalmologia informa o falecimento do professor Flávio Rezende Dias, que ocorreu justamente no Dia Nacional do Oftalmologista. Nascido no Espírito Santo, em 17.6.1036, o professor Flávio Resende Dias graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 1964. O Dr. Flávio Rezende foi presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) de 1987 a 1990, presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares (SBCII) de 1996 a 1998 e da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia (SBAO) de 2012 a 2014. A Sociedade Norte Nordeste de Oftalmologia lamenta a perda e presta condolência a família, amigos e alunos. Flávio escreveu vários livros didáticos sobre a especialidade e organizou outros tantos, distribuindo os temas dos capítulos a importantes nomes da nossa oftalmologia. Um deles abordava COMPLICAÇÕES DA CIRURGIA DA CATARATA. Sua importante participação em Congressos, Cursos, Jornadas, Palestras, Reuniões é difícil de avaliar.

Assim como é difícil dimensionar a perda que representa sua morte para a nossa oftalmologia.  Talvez com o passar do tempo, recolhendo lembranças e participações, somando os imensos créditos e diminuídas as  parcas atuações negativas, vai-se ter um retrato de corpo inteiro de uma das ais importantes figuras da moderna oftalmologia brasileira e, quiçá, mundial. Brincalhão, grande voz de tenor, brilhava pelo bom senso e arrastava porque muito sabia dentro da atividade médica especializada.

Por muitos anos participou do grupo OCULISTAS ASSOCIADOS, que teve como fundador seu tio, o professor JOVIANO DE RESENDE FILHO.

FLÁVIO presidiu a reunião que trouxe ao Brasil dois expoentes nos EUA da moderna cirurgia da catarata com implante de lente intraocular: David Sinskey e David Drews. Apresentados os dois gringos na sede da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Flávio deixa a mesa diretora dos trabalhos e vai sentar-se lá na plateia, trazendo nas mãos o livro sobre o assunto da reunião trazido a título de publicidade para alavancar vendas.

Folheava distraidamente o livro, quase ao meu lado, quando as luzes do auditório se apagam e começa a projeção de slides. Sinskey agora falava apresentando o primeiro slide com as obrigações do cirurgião para realizar o ato cirúrgico:

1.     NO SMOKING (podia despertar tosse, algo inimaginável durante o ato cirúrgico)

2.     NO ALCOOL (não beber, para as mãos não tremerem)

3.     NO DRIVING (não dirigir, coisa que tira a firmeza das mãos)

4.     NO SEX

Ao ouvir esta última exigência, sem levantar os olhos do livro que empunhava, mas fechando-o com estrondo, Flávio Rezende garantiu: esta cirurgia não vai pegar no Brasil!

 

FLÁVIO NO JAPÃO

Era  Congresso Mundial de Oftalmologia no Japão. Flávio e grupo de brasileiros fretam avião para o país do sol nascente. Dinheiro, o estritamente necessário. À época usava-se portar traveller check e dólares (minguados como hoje e de transporte perigoso). Cartão de crédito era coisa do futuro, impensável. Flávio estava investindo pesado em equipamentos e levava  menos que o suficiente para a grande viagem. Três dias após a chegada, já nauseado de tanto peixe (cru às vezes) e arroz decide-se pelo grande sacrifício monetário: comer aquele bife, alto, sangue escorrendo, odor mágico e inebriante. Vai a restaurante com amigos e faz o pedido inacreditável:

- Filé, entendeu? Só o filé, mais nada. Alto assim, cheiroso, maravilhoso. Só isso.

Todos à mesa esperam o momento surreal da chegada da iguaria.

Chega o garçom com um daqueles pratos imensos, cobertura tipo campânula ou redoma, tudo transportado com grande delicadeza e maneirismos rituais. Abre, afinal, a imensa redoma para deleite visual de todos. Grande exclamação sai da boca de todos. No prato imenso, lá no meio dele, um tisquinho de carne esturricada, do tamanho de um mostrador de relógio feminino pequeno, e com espessura de milímetros! FLÁVIO examina o espécime com ar de incredulidade. Depois de um breve momento, pergunta:

- Cadê a correntinha? (Where is the neck chain?)

O garçom não entende, vira-se para os outros convivas pedindo auxílio, sem dizer palavra. Flávio continua, olhando fixamente para o prato:

-Sim, porque a medalhinha já  está aí, ó! 
 

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