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Dr. Boris Pakter, pioneiro ORL

Por Henrique Packter 08/11/2021 - 08:53 Atualizado em 08/11/2021 - 08:55

Nas semanas passadas falamos de José (JUCA) Tarquínio Balsini, falecido quase simultaneamente ao ingresso no HSJ, de Boris e de João Kantovitz, este recém-falecido.

As coisas que relato têm o sentido de homenagem a esses médicos, além de Thomaz Reis Mello, Arthur do Souto Goulart, pescadores pescados antes do tempo, pioneiros, trazendo o benefício da Medicina de grandes centros. JOÃO, aprendeu a arte Ortopédica com HEINZ RÜCKER e MÁRIO BRAGA DE ABREU, professores de Ortopedia/Traumatologia e Clínica Cirúrgica na Federal do Paraná, em Curitiba, respectivamente.

Quando ALEXANDRE HERCULANO DE FREITAS, um dos primeiros odontólogos da cidade faleceu no Hospital da Laguna, pelo trauma crâneoencefálico (TCE) produzido por acidente rodoviário próximo a Imbituba, quase no mesmo local em que viria a morrer, muitos anos depois DIOMÍCIO FREITAS, trabalhava em Criciúma nosso primeiro Ortopedista, OTÁVIO ROBERTO CARNEIRO RILA, hoje aposentado em Florianópolis.

O óbito de Alexandre, após uma noite de cuidados meus e de RILA, assistidos por PAULO CARNEIRO, um dos maiores médicos que a Laguna e o Estado já abrigaram, fui à praia do Mar Grosso. Era 1963 e os ventos políticos começavam a soprar fortes. Na orla, nem tanto. Fazia algumas poucas horas, um monomotor aterrissava na areia da praia do Gi trazendo DAVID LUIZ BOIANOVSKY e NELSON VENTURELLA ASPESI, neurocirurgião em Porto Alegre. O pediatra DAVID LUIZ BOIANOVSKY fora buscá-lo diante da gravidade das lesões cerebrais que ALEXANDRE HERCULANO sofrera e pelas quais morreria na mesa de cirurgia do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos da Laguna.

Na praia, pus-me a pensar. Estava formado há 3 anos e já contabilizava perdas expressivas pelas mortes de familiares e amigos. A vida é breve, a ocasião fugaz, a experiência é vacilante e o julgamento é difícil, já dissera Hipócrates, mestre de um amanhã que nunca chegava.

Uma espécie de folhagem, espojando-se na água mal amanhecida do céu recém-lavado, trazida por uma onda mais forte, acomodou-se entre as pedras e a areia. Leve aragem, canção do vento aprisionado, varava as folhagens. Mão em pala protegendo os olhos, mirava o sol longínquo, o sol surgente. Recuando para um dia perdido na memória, relembrava miúdas aventuras do dia-a-dia morno e cinza. Já nuvens pretas, carregadas, corriam do sul, velozes e túrgidas, encobriam estrelas arredias e a pálida lua, sumidouras e a pálida lua. Mas, lá em cima, sol pleno se anunciava.

Foi isso que escrevi naquele mesmo dia ao chegar em Criciúma.  (CONT)

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