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Boris Packter, primeiro broncoesofagologista

Henrique Packter
Por Henrique Packter 25/10/2021 - 12:10Atualizado em 25/10/2021 - 12:11

BORIS, durante muitos dias teve motivos para relembrar e falar do encontro com PAULO CARNEIRO. Saiu dele, do encontro, com a alma gratificada pelos causos ouvidos. Entre outros, aquele do Padre Osny Rosenbrock, nomeado por PIO XII para ser vigário da Paróquia da Laguna, substituindo a Dom Gregório Warmeling, recém nomeado bispo de Joinville. O padre Rosenbrock era, até então, coadjutor do padre Estanislau Cizeski, em Criciúma. Com grande entusiasmo e devoção ensaiava a celebração de sua primeira missa.

BREVE HISTÓRIA DA IGREJA MATRIZ

Final do século 17 e início do 18, Laguna passa a receber imigrantes açorianos, a cidade já ostentando aspecto de vila, com suas casinhas de taipa e pilão e uma capela, tendo ao lado uma igreja, construção de 1696, 325 anos atrás.

Primeira preocupação do desbravador Domingos de Brito Peixoto, devoto de Santo Antônio de Pádua, é a Igreja Matriz de Santo Antonio dos Anjos, construída por ordem do bandeirante e fundador de Laguna, apenas uma capelinha de pau a pique. Consagrada a Santo Antônio dos Anjos, padroeiro da cidade,  o corpo da igreja edificada em 1735 tem estilo barroco, com quatro altares laterais folheados a ouro e a Capela do Santíssimo, talvez o mais belo altar da arquitetura religiosa catarinense. A Igreja Matriz (na época Paroquial), concluída em estilo toscano, viu serem fundadas em 1753, a Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Mas, oficialmente, conclui sua formação em 1815, segundo livros no Arquivo do Tombo da Matriz.

Santo Antônio ocupa o altar mor da Igreja, entalhado em 1803. As torres são mais novas, de 1894. O relógio foi colocado em 1935.

A igreja passou por muitas reformas. Uma na década de 70 (entre 1971 e 1973), pelo artista e entalhador João Rodrigues e outra entre janeiro de 2000 a abril de 2003. A igreja abriga a valiosa tela de Nossa Senhora da Conceição, de Victor Meirelles, pincelada em Roma, 1856. Reabriu em 2003, exibindo relíquia de Santo Antônio: pedaço da pele do santo, vindo da Itália!

Escolhendo como padroeiro Santo Antônio, a Paróquia obteve junto ao Vaticano pequena porção dos restos mortais do santo, uma fração da língua, acomodada num relicário com inscrição em Latim: “Ex Cute S. Antonii Pat.” (A pele de Santo Antônio de Pádua, ou Lisboa). Um dos santos mais populares da Igreja Católica, parece ter nascido em Lisboa (1195), falecendo a 13.6.1231 em Pádua, Itália.

Fernando de Bulhões (nome de batismo do santo), ingressou muito jovem como noviço na Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa; residiu depois no Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra.

O martírio de cinco franciscanos decapitados em Marrocos (1220), e a vinda dos seus restos mortais para Coimbra, fazem Fernando trocar a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais, adotando Antônio como nome.

Em 1221 embarcou para o norte africano em ação evangelizadora, retornando por problemas de saúde.  Na viagem de regresso uma tempestade arrasta a embarcação até a costa da Sicília, Itália, onde Antonio se notabilizaria como teólogo e pregador.

Em Pádua escreveu os Sermões Dominicais e Festivos (53 sermões, além das pregações feitas naquela localidade), deslocando-se e evangelizando, em parte da Itália e sul da França.

Faleceu em Pádua,1231. Canonizado ano seguinte, no mais rápido processo de canonização da Igreja Católica, seus restos mortais jazem na Basílica de Pádua, construída em sua memória.

Quando contei essa história a Satírio Venéreo, nefando incréu, depois asilado e exilado nos contrafortes da Serra do Rio do Rastro, perguntou com aquele seu meio-sorriso de deboche:

- Pois é, pros gaúchos, gente papuda, deram um pedaço da língua do santo. E pra nóis, da Laguna?  

UMA ESTREIA
Em cenário do altar de grandiosidade histórica e religiosa, estimulado pela maciça presença dos fiéis lotando a Igreja Matriz, padre Osny preparava-se para pronunciar sua homilia. Eis senão, quando, na veemência de inflamada oratória, pelo ímpeto com que a pronunciava, sua dentadura mais palavras e perdigotos se projetaram sobre os fiéis. Angustiado, lábios tremebundos e emurchecidos, persignou-se. Um garoto devolveu-lhe discretamente o esquivo acessório bucal retomando o caminho. Meu amigo, PADRE MANOEL ODORICO, por longos anos pároco na Igreja Nossa Senhora da Salete, da Próspera, Criciúma, conhece outro caso semelhante, também ocorrido com religioso, mas na praia do Rincão e durante uma pescaria. Neste último caso, parece que a perda foi total...  (cont)
 

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