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1.    Dr. GIÁCOMO JOÃO PUGGINA

Por Henrique Packter 24/03/2021 - 07:50 Atualizado em 24/03/2021 - 07:52

Meu falecido amigo, o engenheiro GIÁCOMO PUGGINA, vindo da cidade de Rio Grande/RS, a Criciúma/SC, para trabalhar na mineração de carvão e especificamente na Cia. Próspera, falou-me do tio, comerciante varejista em sua cidade natal, cujos negócios não iam nada bem em virtude da GRIPE ASIÁTICA de 1957. Abria a loja diariamente na esperança de que as coisas viessem a melhorar, e nada!

Ia até a calçada, olhava o céu de onde despencava chuva torrencial, olhava para um lado, olhava para o outro e voltava desanimado para dentro da loja, exclamando:

- I piove, governo ladro!

No idioma italiano a expressão Piove, governo ladro! (Chove, governo ladrão!), é utilizada como paródia de slogans contra o governo, que seria o culpado pelo que há de negativo e até mesmo pela chuva. A expressão italiana satiriza o hábito de se atribuir ao governo a culpa por tudo.

Puggina trabalhava na mina Próspera. No intuito de incrementar a produção, no final da década de 1950 a Cia. Próspera trouxe para Siderópolis a Shovel Marion 5323 e a famosa Dragline Marion 7800, com 27 m³ de caçamba e lança de 70 m de comprimento, a maior da América Latina.

O carvão bruto extraído das entranhas das minas era tratado industrialmente, possibilitando a separação do carvão metalúrgico a ser utilizado na usina siderúrgica de Volta Redonda (RJ). Patrocinado pela CSN entrou em operação o Lavador de Capivari (SC) para separar o carvão bruto do carvão metalúrgico (1945), além da Usina Termelétrica de Capivari. O lavador, instalado na rota da estrada de ferro Dona Tereza Cristina, entre o porto de Imbituba e as minas de Criciúma, era local com bons mananciais.  A implantação do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, década de 50 em Capivari de Baixo (SC), deveu-se à enorme quantidade de carvão depositado no local e subutilizado, sendo destinado como matéria-prima para a termelétrica.

No início dos anos 70 estavam em atividade 11 mineradoras, a maioria pertencente a empresários locais.

A indústria carbonífera teve seu auge na década de 70, rápido crescimento em resposta à crise mundial do petróleo. No auge da atividade carbonífera havia perto de 15.000 mineiros na região, hoje reduzidos a 5.000. No início da década de 90 foram retirados os incentivos do setor, levando a região sul catarinense a profunda crise.

2.    A IMPORTÂNCIA DO VERNÁCULO

Nos tempos em que o Distrito Federal era no RJ, a Câmara dos Deputados era um repositório de histórias, quase sempre jocosas. Nas eleições de 1934 elegeram-se para o Palácio Tiradentes, Álvaro Teixeira Pinto Filho e Benedito Nilo de Alvarenga, entre muitos outros. O primeiro tinha um discurso eloquente e que respeitava com rigor nosso sempre combalido vernáculo. Já o segundo não era tanto assim. Certo dia, para surpresa geral, Álvaro Teixeira Pinto vai à tribuna para invectivar contra discurso de Benedito que considerou ofensivo pelos crimes cometidos contra o purismo da língua. Benedito se defende. Diz que certas regras do discurso parlamentar podem ser flexíveis em razão de maior entendimento para as gentes. O exemplo mais flagrante – disse -, era o próprio deputado Álvaro.

- Como, de que jeito, pergunta o surpreso Álvaro.

- Ora, diz Benedito, o nome de Vossa Excelência é Teixeira Pinto. A obedecer-se o que recomenda o português castiço deveria eu chama-lo de Cheira-te Pinto!

3.    IVETE VARGAS X CARLOS LACERDA

Lacerda, Deputado Federal (1955-1959 e 1959-1963), era temível tribuno. Ganhou a alcunha de O Corvo.

Nasceu no RJ em 30.4.1914. Jornalista, escritor e empresário, fundou o jornal Tribuna da Imprensa e a editora Nova Fronteira. Político marxista a princípio, em 23.3.1935, participa da fundação da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente popular contra o integralismo, o imperialismo e o latifúndio. Rompeu com o comunismo em 1939, publicando artigo que o fez ser acusado de traidor pelos ex-correligionários. Em 1945, filiou-se à UDN, elegendo-se Vereador do RJ, então DF (1947). Renuncia ao mandato no mesmo ano, em protesto contra a aprovação pelo Senado da diminuição das prerrogativas da Câmara Municipal. Opositor ferrenho do segundo Governo Getúlio Vargas, foi uma das vítimas  do Atentado da Toneleros, em 5.8.1954 (ferimento no pé), desencadeando crise que levaria Vargas ao suicídio.

Deputado Federal em outubro seguinte com a maior votação do DF, participou em 1955 de conspiração para impedir eleição e posse de Juscelino Kubitschek e seu vice João Goulart na Presidência da República. Na Câmara, foi líder da UDN (1957-1958) e, reeleito (deputado mais votado), tornou-se líder da Minoria (1959, UDN e PL). Eleito em outubro de 1960 Governador da Guanabara, Estado recém-criado, renuncia ao mandato parlamentar para assumir o governo estadual (1960-1965). Remove favelas e realiza importantes obras viárias, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Entrou em choque com o Presidente Jânio Quadros (jan.-ago./1961) por várias vezes e fez oposição sistemática a João Goulart (1961-1964). Apoiou o Golpe de 1964 e em novembro, divergindo dos militares que haviam tomado o poder, lançou-se candidato pela UDN à Presidência da República. Ato Institucional no 2 (AI-2), de 27.10.1965, frustrou suas pretensões, terminando com a eleição direta para Presidente da República. Em 1966, apoiado pelos exilados Kubitschek e Goulart, articulou a Frente Ampla, pregando a união das forças políticas  pela redemocratização do País. Em abril de 1968, banida a Frente, em 14/12, um dia após a edição do AI-5, Lacerda é preso. Libertado após uma semana de greve de fome, tem seus direitos políticos suspensos por dez anos. Morre no RJ em 22.5.1977.

Polemizava ele, certo dia, no Palácio Tiradentes, com a deputada federal IVETE VARGAS do PTB, que termina por chama-lo de purgante.

- Vossa excelência é um purgante!

- E o resultado é Vossa Excelência, retruca Lacerda

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