O crescimento da população em situação de rua e os desafios para conciliar assistência social, segurança pública e tratamento da dependência química voltaram a ser tema de discussão em Criciúma.
Enquanto o município mantém serviços de acolhimento, alimentação e atendimento especializado, há quem defenda mudanças na forma como essa política é aplicada. Nesse contexto, a Prefeitura avança com o projeto da Central do Recomeço, estrutura que pretende concentrar os atendimentos e ampliar as ações voltadas à recuperação, capacitação e reinserção social das pessoas em situação de rua.
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Diferentes realidades da população em situação de rua entram em discussão
Para o vereador Marlon Zappellini, é preciso diferenciar pessoas que estão nas ruas por vulnerabilidade social daquelas que enfrentam dependência química. Segundo ele, essa distinção é fundamental para que cada grupo receba o atendimento mais adequado.
"Na minha avaliação, cerca de 90% das pessoas em situação de rua são usuárias de drogas. Muitos romperam os vínculos familiares por causa da dependência e hoje permanecem nessa condição", afirma.
Atualmente, o município oferece atendimento por meio do ambulatório móvel, distribuição de kits de higiene, duas refeições diárias no Centro POP e cobertores durante os períodos de frio. Apesar disso, Zappellini avalia que apenas manter a assistência não resolve o problema.
"Não adianta apenas dar as coisas para o usuário de drogas, pois é preciso oferecer tratamento para que ele consiga sair dessa situação", defende.
O vereador também propõe a criação de um cadastro para diferenciar quem realmente necessita de assistência social daqueles que precisam de atendimento voltado à recuperação da dependência química.
"A assistência deve continuar para quem está em vulnerabilidade, já quem enfrenta a dependência química precisa aceitar tratamento. É necessário criar um cadastro que permita identificar esses perfis e direcionar o atendimento correto para cada caso", diz.
Zappellini afirma que a dependência química está diretamente relacionada à prática de pequenos delitos patrimoniais. Segundo ele, furtos de materiais recicláveis, como cobre, ferro e alumínio, são frequentes e têm como objetivo financiar o consumo de drogas. O vereador também diz que muitos usuários recusam oportunidades de emprego oferecidas pelo poder público.
Vereador cobra sobre a Central do Recomeço
Além da revisão das políticas de atendimento, Zappellini cobra informações sobre a implantação da Central do Recomeço. O vereador protocolou um requerimento solicitando esclarecimentos sobre o cronograma da obra, que foi anunciada com prazo de dez meses para execução.
"Queremos saber quando as obras vão começar e quando a estrutura estará disponível para atender essa demanda", afirma.
Outra proposta é transferir a Casa de Passagem e o Centro POP, atualmente instalados no bairro Pinheirinho, para a futura Central do Recomeço, prevista para o bairro Capão Bonito.
Segundo o vereador, entre 70 e 80 pessoas circulam diariamente pela região do Pinheirinho, e a concentração dos serviços em um único espaço poderá contribuir para uma gestão mais eficiente do atendimento à população em situação de rua.
Projeto avança e prevê nova estrutura para atendimento social em Criciúma
O projeto da Central do Recomeço, estrutura que vai concentrar serviços de atendimento à população em situação de rua em Criciúma, será apresentado oficialmente nesta quarta-feira (29). A previsão da Prefeitura é iniciar a execução da obra nos próximos meses e colocar o espaço em funcionamento até o final do ano.
A unidade será construída no bairro Capão Bonito e, de maneira progressiva, deverá assumir os atendimentos realizados atualmente pelo Centro Pop e pela Casa de Passagem. A implantação do projeto ganhou força após manifestações de moradores sobre os impactos da presença de pessoas em situação de rua na região do Pinheirinho.
Segundo a Secretaria de Assistência Social, a transferência dos serviços ocorrerá somente após a conclusão da nova estrutura. A pasta destaca que a mudança será planejada para garantir a continuidade do atendimento.
“Não é simplesmente tirar por tirar. É preciso ter responsabilidade com o serviço oferecido. Quando a Central do Recomeço estiver concluída, os atendimentos serão transferidos gradualmente para o novo espaço”, afirmou a secretária.
Central do Recomeço terá foco em acolhimento e reinserção social
A proposta da Central do Recomeço vai além do acolhimento. O projeto prevê ações de capacitação profissional, atividades de laborterapia e iniciativas voltadas à reconstrução da autonomia das pessoas atendidas.
Enquanto a nova unidade não estiver pronta, o município seguirá mantendo o funcionamento do Centro Pop e da Casa de Passagem, conforme determina a legislação.
Entre as medidas já realizadas pela Prefeitura estão:
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Ampliação das vagas para tratamento de dependência química;
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Aproximadamente 100 pessoas em acompanhamento contínuo;
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Média de 50 passagens mensais para pessoas que desejam retornar às cidades de origem;
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Programa Criciúma Recomeço, com capacitação e incentivo à inserção no mercado de trabalho.
Prefeitura pretende concluir obra até o fim de 2026
Conforme Dudi Sônego, o prefeito Vaguinho Espíndola estabeleceu como prioridade a conclusão da Central do Recomeço até o final de 2026.
Após a entrega do projeto, o município dará sequência aos encaminhamentos administrativos necessários para iniciar a construção, envolvendo as secretarias responsáveis pelo processo.
Moradores do Capão Bonito seguem contrários à instalação
Mesmo com o avanço do planejamento da Prefeitura, moradores do bairro Capão Bonito continuam demonstrando preocupação com a implantação da unidade.
A comunidade já realizou manifestações, organizou um abaixo-assinado e buscou apoio junto ao Ministério Público. Entre os receios apresentados estão possíveis impactos na segurança e na rotina dos moradores, semelhantes aos problemas relatados no Pinheirinho.
A Prefeitura afirma que a Central do Recomeço representa uma mudança no modelo de atendimento às pessoas em situação de rua, com foco na recuperação, qualificação profissional e reinserção social.
Segundo a administração municipal, Criciúma mantém atualmente cerca de 100 pessoas em tratamento contra dependência química e registra uma média de 50 retornos mensais de pessoas às cidades de origem. A expectativa é que a nova estrutura esteja concluída até o fim do ano.
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