A região do Bairro Pinheirinho, em Criciúma, é conhecida pelo engarrafamento da Avenida Centenário em horários de pico, especialmente no fim da tarde. Problema antigo no município, o principal ponto de discussão é a intersecção da malha ferroviária que atravessa a via de uma margem a outra.
A Ferrovia Tereza Cristina (FTC), responsável por 164 quilômetros da malha férrea catarinense em 14 municípios, incluindo a Capital Nacional do Carvão, apresentou uma proposta, em Audiência Pública da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT), que gerou questionamentos para solucionar o problema.
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Ideias apresentadas até o momento
Por um lado, o governo municipal fala em elevar os trilhos a partir do pátio de manobras, atingindo 7 metros de altura na travessia sobre a Centenário. A ideia é evitar que o trânsito cotidiano seja interrompido pelo escoamento do carvão mineral extraído no Sul do estado.
Já a proposição da FTC é substituir os seis pontos de inversão - estruturas utilizadas para alterar a direção dos trens - existentes na localidade. Uma rotunda de locomotiva seria instalada dentro do pátio da ferrovia de forma que as manobras sejam feitas dentro dessa área.
A justificativa afirma que essa ação reduziria o tempo de espera dos motoristas e contribuiria para reduzir os acidentes envolvendo comboios nesse trecho da Avenida.
Descontentamento regional
O impasse desagradou representantes da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), principalmente vereadores de Criciúma presentes na consulta pública, que avaliaram a proposta da concessionária como ineficaz.
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Eles argumentaram que o projeto da Ferrovia não aliviaria de forma significativa o trânsito urbano do Bairro Pinheirinho. Segundo eles, o impacto do transporte ferroviário – o tempo de espera para a passagem dos trens –, ainda causaria engarrafamento na principal autopista do município.
Martelo não foi batido
A sessão presencial da Audiência Pública foi voltada ao debate sobre a prorrogação antecipada do contrato de concessão da malha ferroviária catarinense. Por isso, a proposta da FTC não foi detalhada aos espectadores.
Autoridades políticas, representantes de empresas da cadeia produtiva do carvão mineral e demais interessados no tema tiveram três minutos por pessoa para fazer uso da palavra. Nesse sentido, sugestões, críticas e questionamentos foram dirigidos à operadora ferroviária.
Em resposta ao portal 4oito, a Ferrovia Tereza Cristina informou que o processo de renovação da concessão prevê medidas para reduzir conflitos com comunidades lindeiras.
A empresa afirma que já mantém conversas iniciais com o município para a realização de estudos que indiquem as soluções mais adequadas. Segundo a concessionária, as propostas ainda passam por análise técnica antes de eventual implementação.