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Setor supermercadista diz que não tem capacidade de represar preços

Vice-presidente regional Sul da ACATS criticou discurso de Guedes sobre congelar tabela de preços até 2023
Por Giovana Bordignon Brasília, DF, 10/06/2022 - 17:10 Atualizado em 10/06/2022 - 17:14
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

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A Associação Catarinense dos Supermercados (ACATS) recebeu com surpresa o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, desta quinta-feira (9). Na abertura do Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Guedes manifestou apoio a uma proposta para que a cadeia de supermercados não corrija a tabela de preços de alimentos até 2023.

“Todo mundo sabe que o setor supermercadista não produz os preços e não tira do chapéu os preços praticados”, disparou o vice-presidente regional Sul da ACATS, Ricardo Althoff. “O setor não tem absolutamente nenhuma capacidade de represar preços, isso é impossível de se fazer. A gente simplesmente repassa aquilo que a gente recebe, aquilo que faz parte do contexto econômico nacional e, até mesmo, global”, completou.

Leia também: Ministro diz que governo está atuando para reduzir impostos e inflação

Os preços taxados aos produtos são de repasses da indústria, dependendo de inúmeros contextos, como a desvalorização cambial e os custos dos combustíveis, por exemplo. Porém, para a associação, a fala de Guedes faz parte de uma política partidária. “Não é de hoje que os políticos tentam colocar essa responsabilidade para o setor supermercadista, para os empresários. Aliás isso é uma mensagem que, no Brasil, já vem de muitos anos, desde o governo Sarney. E a gente rechaça essa possibilidade, porque realmente não nos compete e a gente não tem como fazer”, pontuou.

Com isso, a possibilidade de o Governo passar a controlar os preços é vista como baixa e deve se manter apenas no campo do discurso “populista”. Ricardo comparou com a situação no país vizinho, a Argentina, onde, segundo ele, a manipulação sob os valores não funciona e causa um desajuste econômico muito maior à longo prazo. O supermercadista lembrou, ainda, que o Brasil já tentou algo parecido em 1986, no governo de José Sarney, e não teve sucesso.

“É triste que a gente esteja em um momento em que se volte a tratar desse assunto nesses termos. A inflação é um problema no mundo todo. Então é um certo amadorismo esse tipo de visão que tenta colocar uma culpa em um ou outro setor da economia”, ressaltou. “Isso é uma questão conjuntural, que precisa ser vista pelo Governo, mas que não tem como ser resolvida pelo supermercado. A inflação é um problema econômico muito mais macro do que esse tipo de análise faz tentar parecer”, finalizou.

Ministro diz que governo atua para reduzir impostos

Em sua fala na abertura do Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, o ministro manifestou apoio a uma proposta apresentada pelo presidente da Abras, João Galassi. “Está na hora de realmente sentar todo mundo e fazer nosso lema, exatamente como você sintetizou, nova tabela só em 2023”, destacou Guedes.

Ele disse que apoia outra sugestão do setor de supermercados. “Estamos fazendo nossa parte, baixando os impostos e reduzindo os custos. Apoiamos todos as sugestões que vocês deram, o S, do social, está na hora de nós testarmos o nosso capital institucional, o capital de solidariedade, de fraternidade, de trabalharmos juntos para manter o Brasil em pé, e a parte do governo nós temos que fazer também, que são [a redução] os impostos”.

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