A safra da tainha começa em 1º de maio em Santa Catarina, marcando um dos períodos mais tradicionais do litoral do estado. Mais do que atividade econômica, a pesca reúne comunidades inteiras por meio do trabalho artesanal nos ranchos de praia, onde se preservam costumes e práticas transmitidas entre gerações.
Para a temporada de 2026, uma nova portaria do Ministério da Pesca e Aquicultura, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, define regras, limites de captura e formas de monitoramento.
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O documento considera a avaliação mais recente dos estoques da espécie, realizada em 2025, e amplia em cerca de 20% o limite total de captura em relação aos anos anteriores. No litoral catarinense, onde a pesca da tainha tem grande importância econômica e cultural, foram estabelecidas cotas específicas para cada tipo de pesca.
O emalhe costeiro de superfície terá limite de 2.070 toneladas nas regiões Sul e Sudeste. Já o emalhe anilhado contará com cota de 1.094 toneladas, podendo atuar apenas no mar territorial de Santa Catarina, com limite de 15 toneladas por embarcação e tolerância adicional de 20%.
No caso do arrasto de praia, modalidade diretamente ligada à pesca artesanal, a cota será de 1.332 toneladas. Em Santa Catarina, foram concedidas 419 licenças para essa prática, reforçando sua relevância social e econômica. A modalidade de cerco/traineira terá limite de 720 toneladas e autorização para atuar também na Zona Econômica Exclusiva. Foram autorizadas 15 embarcações industriais, com divisão de 48 toneladas para cada uma.
Calendário da safra
A portaria também define o período de pesca para cada modalidade em 2026. O cerco/traineira estará liberado de 1º de junho a 31 de julho, enquanto o emalhe anilhado poderá operar entre 15 de maio e 31 de julho.
As embarcações de emalhe costeiro de superfície com até 10 AB poderão pescar de 15 de maio a 15 de outubro. Já aquelas com mais de 10 AB terão autorização de 15 de maio até 31 de julho. O arrasto de praia, uma das práticas mais tradicionais, terá temporada aberta de 1º de maio a 31 de dezembro.
Essa modalidade se destaca por manter viva uma tradição centenária das comunidades locais. Nos ranchos, pescadores, familiares e moradores participam juntos de todo o processo, da vigilância dos cardumes ao preparo das redes, puxadas e divisão do pescado, fortalecendo laços sociais e culturais transmitidos entre gerações.
Segundo o secretário Fabiano Müller, o início da safra mobiliza tanto a pesca artesanal quanto a industrial, ambas fundamentais para a economia do estado. Ele destacou ainda o aumento médio de 20% nas cotas e garantiu que o governo acompanhará de perto toda a temporada, buscando assegurar bons resultados para os pescadores catarinenses.
O monitoramento será feito de forma centralizada pelo programa PesqBrasil, com exigências como envio de mapas de bordo, registros de produção, declarações de entrada e de ova, além do rastreamento por satélite das embarcações. Também está prevista a implantação de rastreadores experimentais obrigatórios no emalhe anilhado.
A portaria prevê ainda a possibilidade de encerramento antecipado da pesca: o emalhe anilhado será suspenso ao atingir 85% da cota, o arrasto de praia ao alcançar 90%, e o cerco/traineira quando chegar a 90% do limite individual por embarcação.
A pesca da tainha em Santa Catarina
Santa Catarina é um dos principais estados do país na pesca da tainha, com atividades divididas entre os modelos artesanal e industrial, cada um com características e áreas de atuação ao longo do litoral.
A pesca artesanal é uma das expressões culturais mais marcantes do estado, realizada principalmente nas praias com redes de arrasto e forte participação das comunidades locais. Em Florianópolis, essa prática ocorre em diversos pontos, como Campeche, Pântano do Sul, Lagoinha do Norte, Barra da Lagoa, Santinho, Ingleses, Praia Brava, Naufragados e Moçambique, consolidando a capital como um dos principais polos da atividade no Brasil.
Outro destaque é Bombinhas, onde a pesca também tem grande importância econômica e cultural, especialmente nas praias de Bombinhas, Bombas, Canto Grande, Mariscal e Sepultura.
No Sul do estado, a tradição segue forte em regiões como o Farol de Santa Marta, em Laguna, além das praias do Mar Grosso e do Rosa, onde a atividade faz parte do modo de vida de muitas famílias.
Já a pesca industrial ocorre em alto-mar, com embarcações de maior porte que acompanham os cardumes ao longo da costa. Em Santa Catarina, os principais centros dessa atividade estão em Itajaí, Navegantes, Laguna e São Francisco do Sul.
Para 2026, estão autorizadas 419 embarcações para o arrasto de praia, 15 na modalidade industrial e 129 no emalhe anilhado, todas com licenças emitidas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.
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