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CORONAVÍRUS - Saiba mais aqui

Presídio Santa Augusta conta com 21 presos com coronavírus

Rotatividade de presos pode ser um dos motivos da contaminação. Detentos seguem sendo assistidos pelos médicos e enfermeiros do presídio
Vitor Netto
Por Vitor Netto Criciúma - SC, 11/07/2020 - 16:09Atualizado em 11/07/2020 - 16:13
Foto: Vitor Netto / 4oito
Foto: Vitor Netto / 4oito

O sistema prisional de todo o estado vem sofrendo com a questão da contaminação por coronavírus entre os detentos. No Presídio Regional Santa Augusta, em Criciúma, não é diferente. Na semana passada o presídio contava com apenas dois casos positivados de coronavírus, atualmente conta com 21. No momento, a situação é tranquila e os apenados estão sob cuidados médicos dentro do presídio. Na manhã deste sábado, 11, um protesto foi realizado próximo ao prédio por familiares, reinvindicando, entre outras bandeiras, mais atenção com a propagação de coronavírus.

A juíza titular da Vara de Execuções Penais de Criciúma e Região, Débora Zanini, explica que o presídio de Criciúma recebe muitos presos de passagem, ficando poucos dias no local, o que agrava a situação. “Tem muita rotatividade no presídio então apesar de todos os cuidados que estamos realizando aqui no presídio, infelizmente um deles entrou com o vírus. Felizmente dos positivados nenhum está apresentando sintoma. Eu inclusive conversei com eles ontem (sexta-feira, 10), e eles estão bem”, afirmou a juíza. 

Espaço destinado ao Covid-19

Ao lado da ala da saúde, o presídio conta com um bloco chamado Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que é destinado aos presos de alta periculosidade. Como no momento não há presos que se enquadrem nesse setor, a ala está sendo utilizada para acolher os positivados pela Covid-19. 

Os planos, de acordo com a juíza, é de que a ala seja ampliada e usada no atendimento ao Covid. “A gente sabe que a doença pode aumentar no presídio, mesmo com todos os cuidados. Qual é o plano? É fazer a espécie de um mini hospital, com beliches e todos os equipamentos necessários caso alguém apresente uma manifestação mais séria. Até o momento nenhum presentou nada do estilo”, complementou Débora. 

Cuidados especiais também estão sendo tomados para que não tenha problemas pessoais entre os positivados. Os 21 detentos estão separados em dois grupos, para não aglomerar e para prevenir disputas internas. “A nossa preocupação é dividir os detentos do ‘seguro’ e do ‘convívio’, pois eles são rivais. A gente não pode nem colocar eles juntos, pois um é faccionado ou ex-faccionado, ou é crime sexual que não é bem visto, ou então dívida com facção. Então os presos de facções diferentes são separados tanto no cotidiano e agora com o Covid também”, explicou Débora. 

Garantia da saúde dos apenados

A juíza ainda ressalta que o presídio conta com três enfermeiros, dois técnicos em enfermagem, um médico e duas estagiárias, para assistir os detentos. “Eu penso que aqui eles estão mais seguros do que lá fora. Muito se fala que tem que dar domiciliar para os presos, mas eu lhes asseguro que aqui eles estão seguros aqui dentro. Se estiverem fora, quem garante que terão o mesmo atendimento do que aqui?”, questiona. 

Os presos também não estão recebendo visitas desde o início de março. Ela ainda afirmou que caso tenha necessidade de encaminhar ao hospital, o doente será encaminhado para os atendimentos médicos necessários.