Começar uma dieta costuma vir acompanhado de uma meta, perder peso, ganhar massa muscular ou melhorar algum aspecto da saúde. O problema aparece quando o plano alimentar é encarado como uma solução temporária, com data para começar e terminar.
Para a nutricionista Laura Pugen, alcançar resultados duradouros exige mais do que seguir uma dieta por algumas semanas, é preciso transformar a alimentação em hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo.
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Segundo ela, muitas pessoas associam a palavra dieta a um período de restrições e regras rígidas. Quando esse prazo chega ao fim, os antigos hábitos acabam retornando, podendo voltar também os resultados que a pessoa queria evitar.
“Quando falamos em dieta, muitas pessoas pensam em algo que tem começo, meio e fim. E uma alimentação cheia de restrições, regras rígidas e um prazo para acabar. E depois que esse prazo acaba? Depois voltam os hábitos antigos e aí os resultados, como é que ficam?”, explica.
Hábitos precisam fazer parte da rotina
Para Laura, mais importante do que seguir uma dieta temporária é aprender a se alimentar e desenvolver autonomia para fazer escolhas no dia a dia. A ideia é construir hábitos que façam sentido para a rotina de cada pessoa e que possam ser mantidos a longo prazo.
“Muito mais importante do que fazer uma dieta é você aprender a se alimentar e, principalmente, ter autonomia para fazer escolhas nessa alimentação”, afirma.
A nutricionista explica que, embora o termo “reeducação alimentar” seja menos utilizado atualmente, o conceito de desenvolver bons hábitos continua sendo válido. Na prática, o objetivo é encontrar uma forma de alimentação que possa ser repetida diariamente sem depender de restrições extremas.
“Resultados duradouros não acontecem por causa de uma dieta temporária, mas pela construção de um estilo de vida saudável”, fala.
Alimentação precisa se adaptar à vida real
Além disso, a nutricionista conta sobre a importância de uma alimentação equilibrada e flexível, pois um plano alimentar não precisa ser seguido de maneira perfeita em todas as situações.
“Vão ter eventos, vão ter festas, vão ter dias que você vai querer algo mais doce, mais salgado, e está tudo certo. Se você sabe fazer boas escolhas, você sabe lidar com esses momentos”, relata a profissional.
A ideia, nesse caso, é que a pessoa consiga fazer escolhas conscientes mesmo quando não estiver seguindo exatamente o planejamento alimentar. Dessa forma, uma refeição fora da rotina não representa o abandono de todo o processo.
Dietas restritivas também podem afetar a saúde mental
A relação entre alimentação e saúde mental também é apontada como um fator importante, dietas muito restritivas podem aumentar a ansiedade e a culpa quando a pessoa não consegue seguir todas as regras estabelecidas. Segundo a nutricionista, sentir culpa por comer determinados alimentos pode prejudicar a relação com a comida. Por isso, uma alimentação equilibrada deve considerar não apenas os aspectos nutricionais, mas também a realidade e o bem-estar emocional de cada pessoa.
“Elas costumam aumentar a ansiedade, a culpa, a sensação de fracasso quando não consegue fazer a dieta à risca. Sentir culpa por se alimentar não é uma sensação normal, não é uma sensação ok”, explica.
Resultado está na constância
Além da alimentação, outro ponto que Laura destaca é que outros hábitos também influenciam a saúde e o bem-estar, como a prática de atividade física, a qualidade do sono e o controle do estresse.
“Uma alimentação equilibrada, quando é associada a bons hábitos de vida como atividade física, um sono de qualidade, um manejo do estresse, contribui para o bem-estar físico e emocional. Ao invés de buscar soluções rápidas, o caminho mais eficaz continua sendo o mesmo", conta.
Ela resume que o melhor plano alimentar não é necessariamente aquele que apresenta resultados em poucas semanas, mas aquele que a pessoa consegue seguir de forma sustentável ao longo dos anos.
“O melhor plano alimentar não é o que funciona por algumas semanas, mas é um que tu continua fazendo e que funcione daqui a um ano, cinco anos, dez anos", finaliza a especialista.
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