A construção da ponte de Ilhas representará um avanço que vai além do turismo para as comunidades de Barro Vermelho, Hercílio Luz e Balneário Ilhas, todas pertencentes a Araranguá. Nesta terça-feira (24), o governador Jorginho Mello (PL) assina a ordem de serviço para a construção da tão sonhada estrutura de 250 metros, que será um marco para essas localidades, que dependem da balsa como principal conexão para serviços básicos.
A assinatura acontece às 16 horas, no ancoradouro da balsa, em Morro dos Conventos. A obra será executada pela empresa FFL, de Barueri (SP), e custará R$ 24,7 milhões. A previsão é que seja concluída em 17 meses.
Além da ponte de Ilhas, o governador também autorizará o início da construção da ciclovia da SC-447, no trecho entre Araranguá e Balneário Arroio do Silva, com quase oito quilômetros de extensão e um investimento de cerca de R$ 13 milhões.
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Para além da ponte: moradores lutam por serviços básicos
A ponte promete agilizar a vida de moradores que ainda dependem da balsa para acessar serviços básicos, como postos de combustível, farmácias, supermercados e até mesmo serviços de saúde aos finais de semana.
Rinaldo Ramos da Rosa é proprietário do restaurante Ponta da Ilha, em Balneário Ilhas, com uma história de 20 anos de trabalho no local. Ele explica que chegou o momento de o poder público pensar em um crescimento ordenado para a região, com desenvolvimento que ofereça estrutura básica e garanta o bem-estar de moradores e turistas.
“Temos que ter organização para que essa ponte traga benefícios e nossa comunidade cresça. A gente precisa de um bom supermercado, a gente precisa de farmácia, de postos de gasolina… eu sempre morei aqui e precisamos de estrutura. Hoje, a nossa comunidade não tem lugar para comportar 2 mil carros ou 5 mil pessoas”, alerta.
Rinaldo explica que, aos finais de semana, o posto de saúde permanece fechado, e a comunidade depende de ambulâncias para atendimento ou deslocamento até Araranguá. “Mas com a ponte isso vai ser rápido. Sem a ponte, o pessoal morria entre atravessar a balsa ou dar a volta. Com a ponte, em dez minutos vai estar no hospital”, avalia.
Sem a ponte, o socorro veio de Criciúma
A família de Elaine Meller é de Criciúma, mas frequenta Balneário Ilhas desde 1990. Ela lembra que, embora a travessia da balsa seja rápida, o problema está na espera durante a temporada de verão ou em períodos de correnteza forte no rio, o que prejudica o transporte. A balsa opera normalmente das 7h às 24h, com pausa entre 20h e 21h.
“Fora que tem os dias de pausa para manutenção ou quando tem muito vento”, lamenta.
A família de Elaine já foi diretamente impactada pela demora no socorro fora do horário da balsa. O pai dela sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), e a família optou por sair de Criciúma para resgatá-lo, em vez de aguardar atendimento.
“O serviço de urgência demoraria muito. Se tem uma ponte, o serviço é muito mais rápido, não tem que esperar, não tem nada disso, eu acho que facilitaria”, explica.
Fim das filas e do tempo perdido
Esperar pela balsa costuma ser um problema durante o verão. A beleza natural da região atrai turistas de diversos locais, inclusive da própria Cidade das Avenidas, mas o tempo de espera para atravessar o rio é um empecilho.
Em um sábado ensolarado, típico de alta temporada, a reportagem do 4oito levou cerca de 40 minutos para acessar a balsa e realizar a travessia. Já o deslocamento sobre o rio levou apenas 3 minutos e 17 segundos.
Na fila estava José Carlos Bueno Abel, morador de Araranguá. “Seria importante ter essa ponte. Já faz uns 30 minutos esperando. E quando viemos, ficamos 1 hora parados esperando abrir, porque fecha”, relata. “Saindo essa ponte, será o auge deste lugar”, avalia.
O aposentado Israel João Cardoso, de Criciúma, também aguarda ansioso pela construção da ponte. A ideia é se mudar definitivamente para Ilhas e aproveitar a tranquilidade do local.
“É longe de recursos e quando a gente precisa de um jogo mais rápido temos que dar a volta por fora (por Maracajá, acessando a BR-101). Aí tem pedágio. Com a ponte, é 20 minutinhos. Até para esperar um socorro ou a polícia, com a ponte é bem mais rápido”, declara.
Já Denilson Jair Fabris, morador de Nova Veneza, valoriza a tranquilidade e o que chama de paraíso. É em Ilhas que encontra descanso e contato com a natureza por meio da pesca.
O trajeto até Ilhas é feito pelo interior de Maracajá e Araranguá, com praticamente toda a estrada asfaltada. Ainda há poucos trechos de estrada de chão, passando pelas comunidades de Barro Vermelho e Hercílio Luz.
“Isso aqui é um paraíso, não tem coisa melhor. O poder público precisa cuidar mais do povo. Para nós o trajeto está bom, tem um pedacinho em estrada de chão e acredito que vão fazer o asfalto. Para o final de semana, não tem lugar melhor para descanso, mas a minha cidade também é um paraíso”, brinca.
No Rio Araranguá, Denilson conta ser um bom pescador de tainha, robalo e linguado. “Mas a tainha é o peixe principal. Conheço isso desde criança. Meu falecido pai era pescador e percorremos até o Morro dos Conventos. Ele está tarrafando e nós com o saco de peixe”, recorda.
Balsa quebrada inviabiliza negócios
Henrique Júnior Steinbach cuida de uma lanchonete familiar em Balneário Ilhas. Quando a balsa não funciona, o negócio enfrenta dificuldades: primeiro pela falta de turistas, depois pela necessidade de contornar o rio pela BR-101, em um trajeto de quase 40 quilômetros e cerca de uma hora.
“É um gasto. A ponte vai ajudar bastante e trazer movimento também. E às vezes o povo precisa de uma emergência, de um hospital, então será um grande avanço. Uma mão na roda. A balsa ajuda, mas a ponte não tem espera e vai valorizar a nossa região”, argumenta.
Para o aposentado Carlos Alberto Rodrigues, de Cocal do Sul, a região é um “lugar de paz”. Ele destaca que a ponte ampliará a conexão com outro cartão postal: o Balneário Morro dos Conventos.
“Para quem vem passar o final de semana, a ponte vai ser espetacular e vai aumentar muito as visitas. No final do ano, perdi 2 horas aqui na fila. Para quem tem casa aqui, a ponte será essencial”, afirma.
Ordem de serviço põe fim a décadas de espera
A assinatura da ordem de serviço encerra décadas de espera pela ponte de Ilhas. Após projetos interrompidos, entraves em processos licitatórios, quatro anos parada, a obra finalmente sairá do papel.
O projeto prevê uma ponte de concreto com 249,94 metros de extensão e 11 metros de largura. Trata-se de uma estrutura planejada para suportar o tráfego de veículos leves e pesados. A expectativa é de que a balsa continue operando para complementar o acesso à região.
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