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O hobby que transformou sítio de SC em museu vivo de mais de 2 mil frutas raras

Mangostim, morango chinês e plantas ameaçadas de extinção fazem parte da coleção cultivada há mais de uma década

Por José Demathé Criciúma , 09/05/2026 - 07:02
Sítio possui mais de 2000 espécies de todos os cantos do mundo | Foto: Divulgação/4oito
Sítio possui mais de 2000 espécies de todos os cantos do mundo | Foto: Divulgação/4oito

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Imagine um lugar onde a “fruta da princesa” divide espaço com o morango chinês e o raro gogó de guariba. No Sul de Santa Catarina, o que começou como uma “bobice”, hoje se tornou um dos maiores acervos de plantas do estado com espécies de mais 120 países e de todos os 6 continentes.

O responsável é o colecionador de frutas Elinton Topanotti, que mantém um verdadeiro museu vivo no sítio localizado em Meleiro.

Aos 73 anos, Topanotti possui um acervo de mais de 2000 espécies acumuladas ao longo de 12 anos. O hobby teve início ainda quando alugava kitnets para pessoas do Norte e Nordeste que vinham trabalhar na região. 

“Tenho kitnetes que eu alugo para o pessoal do Norte e Nordeste para eles trabalharem aqui. E aí traziam frutas para de lá, e eu disse: o que é que eu vou fazer com a semente? Vou plantar, de bobice", afirma ao 4oito.

Eliton explica que no começo plantava em caixas de leite, porém, depois de um tempo elas cresciam e era preciso adequá-las em uma parte do sítio que pertence a sua família. 

“Plantava em caixinhas de leite e elas cresciam meio metro de altura. Eu disse ‘o que é que eu vou fazer?' Em Meleiro eu tenho um sítio que meus irmãos querem só a parte da frente, e eu gostava mais da parte de trás porque eu já estava começando a plantar essas frutas há dez anos atrás", destacou. 

Após a morte da mãe, Eliton recebeu como herança a parte de trás do sítio, que ao todo somam 14 hectares.

Acervo contém variedades de plantas raras e exóticas | Foto: Divulgação/4oito

Colecionadores de fruta espalhados em todo o Brasil

Apesar de atípico, o colecionismo de frutas está espalhado por todo o Brasil. Topanotti destaca que além das convenções de fruticultura, está em grupos onde ao todo somam quase 1000 colecionadores de todo o país, com acervos que ultrapassam o número de 4000 espécies. 

Nesses grupos conversam sobre os mais diversos temas, desde trocas de informações, até compra e venda de novas espécies de frutas de todo o mundo. 

Sítio tem papel importante na preservação de espécies com risco de extinção

Hoje o sítio cumpre um papel fundamental na preservação de em torno de 15 espécies com risco de extinção. Eliton tem a pretensão de aumentar o número. 

“Eu cultivo entre 12 e 15 árvores que estão em extinção no Brasil. Mandei vir, mais algumas espécies para plantar no sítio”, revela.

Coleção reúne diversas frutas exóticas de todo o Brasil

Com mais de 2000 espécies de plantas, algumas se destacam pela sua raridade, ou até por suas particularidades. “Eu tenho em torno de 200 Eugenias, que são da família das pitangas, das uvas e das cerejas. 80 tipos de jabuticaba, e os mais diversos tipos de araçás do mundo inteiro.”, destaca.

 Além de frutas exóticas como o mangostin, também chamado de “fruto da princesa”, que segundo Eliton é a melhor fruta que já experimentou. No local tem ainda o morango chinês, uma fruta que a aparência lembra um morango, porém que dá em árvores.

O sítio tem diversas variedades de goiabas, gabirobas, mirtilos, ameixas, entre outras.

Clima catarinense dificulta a fixação de diversas espécies

Nem tudo são flores, o colecionador ressalta que por conta do clima frio de Santa Catarina muitas espécies acabam não se adaptando ao ambiente. 

“Aqui no Sul de Santa Catarina é muito frio, então, tem umas 10 plantas que eu já tive, que morreram por causa do frio. Mesmo dentro da estufa com plástico, no inverno elas morreram”, explica.

No entanto, Eliton já vem testando alternativas para esse tipo de planta. “Botei placa solar para fazer uma estufa de vidro grande, e aplicar dentro uma temperatura igual a de Belém do Pará para ver se eu consigo colher esses tipos de frutos.”, destaca.

Aquisição de sementes estrangeiras

Outra barreira enfrentada pelo fruticultor, é a dificuldade de importação de sementes de outras partes do mundo, ou até mesmo de outras regiões do Brasil. 

Ele revela que colecionadores mais tradicionais possuem uma variedade maior de espécies estrangeiras pela flexibilidade de leis de importação de antigamente. 

“Era mais fácil há 20, 30 anos atrás. Por isso que têm muita coisa ali em São Paulo. Tenho vários amigos colecionadores com 4.000 espécies, 5.000 espécies de todo o mundo.”, relata.

Espaço exige auto investimento para manter as mais de 2 mil espécies | Foto: Divulgação/4oito

Local é utilizado para ações pedagógicas

Atualmente, universidades da região, visitam o sítio para realização de um trabalho educacional, e espera com auxilio da prefeitura abrir para as escolas. "Eu fiz, estou fazendo porque eu quero deixar esse legado, não só para a família, também para o município.", afirma Topanotti.

Porém um enorme museu como esse não é fácil de manter pelo alto investimento que exige manter mais de 2000 espécies além de todo trabalho que deve ser executado em todo o terreno. “Eu podia estar todo mês num país diferente, mas optei em gastar tudo ali. Tive que lapidar todo o terreno. Se ninguém fizer, tudo morre, porque não é fácil se não cuidar", ressalta.

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