A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) está sob nova liderança. O delegado Marcelo Sampaio Nogueira assumiu nesta semana o cargo de delegado-geral da instituição, após a saída de Ulisses Gabriel, que deixou a função para disputar as próximas eleições como candidato a deputado.
A principal diretriz da nova gestão será dar continuidade aos projetos iniciados nos últimos anos, com foco no combate ao crime organizado, manutenção dos índices de esclarecimento de crimes e ampliação das estruturas de atendimento à população, com aumento das Delegacias de Proteção à Mulher.
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Ele não chega como um nome estranho à gestão. O paranaense de Nova Londrina integrou diretamente a equipe que comandou a Polícia Civil desde janeiro de 2023.
Na época, ele foi escolhido para atuar como chefe de gabinete, função considerada uma das mais próximas da direção da instituição.
“Acompanhei todos os projetos e toda a caminhada que ele [Ulisses] fez na Polícia Civil nesses três anos”, explicou Nogueira em entrevista ao programa Adelor Lessa.
Resolução de homicídios: indicador central da segurança pública
Um dos pontos destacados por Nogueira é a taxa de resolução de homicídios em Santa Catarina. Segundo o novo delegado-geral, o estado teria alcançado cerca de 81% de esclarecimento desses crimes.
Dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública indicam que o índice de resolubilidade das mortes violentas chegou a 76,16% em 2025, sendo 71,3% dos homicídios elucidados, números considerados entre os mais altos do país.
Apesar da diferença percentual em relação à estimativa citada pelo delegado, os indicadores reforçam a posição de Santa Catarina entre os estados com maior taxa de solução de homicídios no Brasil.
Durante a entrevista, Nogueira destacou a importância desse indicador para medir o nível de segurança de uma região. “É um índice que serve de referência para dizer se determinada cidade ou estado é seguro ou não”, afirmou.
Combate à violência contra a mulher
Outro foco da nova gestão será o enfrentamento à violência contra a mulher. O plano inclui a expansão da rede de atendimento especializado em Santa Catarina.
A Polícia Civil pretende implantar pelo menos 12 novas Delegacias de Proteção à Mulher em diferentes regiões do estado. A medida já está prevista em decreto aprovado no final de 2025 e deve começar a ser implementada ao longo deste ano.
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Além disso, a instituição projeta a criação de 41 novas salas especializadas de atendimento, voltadas para acolher vítimas de violência doméstica com mais estrutura e privacidade.
De acordo com Nogueira, a intenção é ampliar a capacidade de atendimento e garantir que as vítimas encontrem apoio especializado em mais cidades catarinenses.
Distribuição de novos policiais seguirá critérios técnicos
A reposição de efetivo é outro desafio apontado pela nova gestão da Polícia Civil. O delegado-geral explicou que a instituição enfrenta um déficit acumulado ao longo de anos sem concursos públicos.
“Ficamos praticamente nove anos sem concurso para agentes e escrivães. Neste ano estamos realizando esse concurso e pretendemos concluir o processo com a maior celeridade possível para fazer a nomeação de novos policiais”, explicou.
Além disso, a Polícia Civil já está formando uma segunda turma de delegados e psicólogos policiais, que também serão distribuídos pelo estado.
Critério de distribuição
Segundo Nogueira, o envio dos novos policiais seguirá um modelo técnico definido pela gestão da instituição. O cálculo leva em conta três fatores principais:
-
tamanho da população da região;
-
quantidade de crimes registrados;
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tipo de criminalidade predominante.
A partir dessa equação, é possível identificar quais regiões estão com déficit ou excesso de efetivo.
“Temos regiões que estão com 20 policiais a mais do que o quadro prevê e outras com 20 a menos. Onde já está sobrando a gente não pode mandar, e onde está faltando a gente tem que mandar”, explicou.
Situação no Sul de SC
No Sul de Santa Catarina, a demanda por reforço policial também é uma pauta recorrente. Durante a entrevista à rádio Som Maior, o tema foi citado especialmente em relação à região de Criciúma.
Nogueira afirmou que o envio de novos profissionais dependerá justamente do resultado do levantamento técnico feito pela Polícia Civil, que indica onde há maior necessidade de efetivo.
Ele também citou a situação de municípios que não possuem delegado exclusivo, como ocorre em algumas comarcas do estado. "Quando assumimos a gestão, em 2023, tínhamos 39 comarcas no estado que não tinham um delegado exclusivo. Hoje, são onze", esclareceu.
Mesmo com a redução, Nogueira reconhece que o problema ainda não foi totalmente resolvido. “É um apagão que vem de anos anteriores e que nós vamos ter que repor no momento oportuno”, concluiu.
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