Casos recentes de feminicídio em Criciúma e na região Sul de Santa Catarina voltaram a colocar a violência contra a mulher no centro do debate. Em meio à preocupação com o avanço dos casos, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defende uma ação conjunta entre governos, Judiciário, forças de segurança e sociedade para tentar impedir que situações de violência terminem em morte.
Em entrevista exclusiva à Som Maior, a ministra afirmou que o feminicídio é o resultado mais extremo de um ciclo de violência que pode começar muito antes da agressão física. “Nós temos que entender que, primeiro, essa é uma questão da sociedade. Nenhum governo sozinho, nenhum poder sozinho vai dar conta”, declarou.
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Em Santa Catarina, 28 feminicídios e 119 tentativas haviam sido registrados até julho de 2026, segundo dados apresentados pela própria ministra. O cenário também chama atenção na região. Em um dos casos mais recentes, a jovem Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, foi encontrada morta em Sangão. O namorado foi preso e confessou o crime.
Violência pode começar antes do feminicídio
Para Márcia Lopes, a prevenção precisa identificar os sinais antes que a violência chegue ao extremo.
“Uma violência contra a mulher começa com rótulo, com julgamento, com uma humilhação, com uma negação da sua autonomia”, afirmou.
A avaliação também é compartilhada por profissionais que acompanham casos de violência em Criciúma. Controle, ciúme excessivo, isolamento de familiares e amigos e tentativas de controlar roupas e comportamentos podem aparecer antes das agressões físicas.
Segundo especialistas ouvidos pelo 4oito, muitas vítimas demoram a reconhecer essas atitudes como violência, especialmente quando existe dependência emocional ou financeira.
Pacto ainda não chegou a Santa Catarina
A ministra também cobra uma articulação maior entre os poderes públicos. Santa Catarina ainda não aderiu ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, iniciativa que busca reunir União, estados e municípios em ações de prevenção e atendimento.
“Nós precisamos que os presidentes dos três poderes se reúnam, definam isso, façam um plano de trabalho e comecem a fazer mesmo um bom diagnóstico”, disse Márcia.
A proposta é identificar a realidade de cada região e fortalecer serviços de saúde, assistência social, educação, segurança e atendimento especializado.
Governo oferece R$ 19 milhões para Casa da Mulher Brasileira
Outro projeto citado pela ministra é a construção da Casa da Mulher Brasileira em Florianópolis. Segundo Márcia, o Governo Federal já reservou R$ 19 milhões para a estrutura, mas ainda são necessárias definições envolvendo terreno e execução da obra.
A unidade deverá concentrar serviços como atendimento psicológico, assistência social, Defensoria Pública, Ministério Público e Patrulha Maria da Penha.
A ministra também defende a ampliação do atendimento psicológico para mulheres e para filhos de vítimas de feminicídio. Desde 2023, crianças e adolescentes órfãos em decorrência do crime podem receber pensão especial até os 18 anos.
“Precisamos assegurar cada vez mais acesso ao atendimento psicossocial para essas famílias”, afirmou.
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