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Mel escapa da tarifa de Trump e alivia exportadoras catarinenses

Empresas do Sul de SC concentram até 40% das exportações brasileiras do produto

Por Davi Brabos Criciúma, SC, 17/07/2026 - 06:57 Atualizado há meio minuto
Isenção é válida apenas para o mel orgânico | Foto: Canva/4oito
Isenção é válida apenas para o mel orgânico | Foto: Canva/4oito

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A decisão dos Estados Unidos de retirar o mel orgânico da lista de produtos atingidos pelo novo tarifaço foi recebida com alívio pelo setor apícola de Santa Catarina. O estado abriga duas das principais exportadoras de mel do país e deve ser um dos mais beneficiados pela medida, já que praticamente todo o produto brasileiro enviado ao mercado norte-americano é orgânico.

O presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Agenor Castagna, explica que a exclusão do produto da sobretaxa foi resultado de uma articulação entre entidades brasileiras e importadores americanos.

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Segundo Castagna, a mudança é estratégica porque o mel orgânico representa praticamente toda a exportação brasileira destinada aos Estados Unidos. "Quase 100% de todo o mel exportado para os Estados Unidos é mel orgânico. Eles têm muita falta desse produto lá e houve uma pressão muito grande dos importadores em cima do governo americano", explicou ao Portal 4oito.

O dirigente destaca que o Brasil possui uma vantagem competitiva nesse segmento devido às características ambientais do país. "Nosso país tem bastante vegetação e condições de produzir esse tipo de mel. Já no mel convencional existem países como Argentina, México e China, que são mais competitivos do que o Brasil", destaca.

Santa Catarina é responsável por boa parte do montante nacional

Embora Santa Catarina tenha uma produção dividida entre mel orgânico e convencional, o estado exerce papel importante nas exportações nacionais. "Em Santa Catarina temos mais ou menos 50% de mel orgânico e 50% de mel convencional. Mas temos duas grandes exportadoras, a Prodapys, de Araranguá, e a Minamel, de Içara. Elas são responsáveis por cerca de 30% a 40% de toda a exportação nacional", informa.

De acordo com Castagna, o tarifaço anunciado anteriormente ainda não havia provocado grandes prejuízos porque muitas empresas estavam operando com contratos firmados no ano passado. "Agora, com a liberação, com certeza volta a normalizar tudo nas exportações", conclui.

Outros produtos também ficaram de fora

Café é um dos demais produtos isento | Foto: Canva/4oito

Além do mel orgânico, os Estados Unidos decidiram isentar da sobretaxa de 25% outros produtos considerados estratégicos para o abastecimento do mercado americano.

Entre eles estão itens da aviação civil, petróleo, carne bovina, café, celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja. Juntos, esses produtos representam uma parcela significativa das exportações brasileiras para os EUA.

Segundo o governo norte-americano, as exceções foram concedidas porque esses produtos não são produzidos em quantidade suficiente ou a preços competitivos no mercado interno dos EUA, evitando riscos de desabastecimento e impactos econômicos.

Por outro lado, segmentos como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos e outros manufaturados continuam sujeitos à nova sobretaxa.

Brasil contesta decisão dos Estados Unidos

As novas tarifas foram anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e entram em vigor no próximo dia 22. O órgão americano justificou a medida alegando que determinadas práticas adotadas pelo Brasil prejudicam agricultores, trabalhadores e exportadores dos Estados Unidos.

O governo brasileiro, porém, rejeitou a investigação, classificou a decisão como sem fundamento e informou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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