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Jornalista transmite sua detenção ao vivo, PM dá sua versão (VÍDEO)

O repórter da Transamérica, Jairo Junior e o assessor Irapitan Costa, tiveram seus celulares apreendidos
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 20/11/2019 - 10:43Atualizado em 20/11/2019 - 10:53

O jogo entre Criciúma x Paraná ainda não havia acabado, quando começou uma confusão fora das quatro linhas, mais especificamente no túnel que dá acesso ao vestiário do time visitante. O repórter da rádio Transamérica de Curitiba, Jairo Silva Junior, e o assessor de imprensa do Paraná Clube, Irapitan Costa, foram detidos pela Polícia Militar.

“Nós estamos presenciando abuso de autoridade aqui no Heriberto Hülse”, narrou Jairo, conhecido como Jairinho. Ele falava sobre a medida que a PM tomou conta o diretor de futebol do Paraná, que estava em um local proibido. A Polícia afirma que um supervisor da CBF pediu a retirada do profissional, que não obedeceu as ordens. Irapitan tentou intervir.

Jairinho filmou a ação e acabou sendo detido, segundo o coronel Cosme Manique Barreto, para que o seu celular fosse recolhido e usado como prova. “Eu fui levado para uma sala, tomaram meu celular, porque tentei filmar a Polícia Militar agindo com truculência contra o assessor do Paraná Clube”, disse. “Estou sendo preso porque simplesmente tentei tirar uma foto”, contou.

A confusão começou com o diretor de futebol da equipe visitante, Alex Brasil. "Um supervisor da CBF usou sua autoridade para tentar impedir que a gente fizesse o nosso trabalho, registrando o que aconteceu com um diretor do Paraná Clube. Eles estavam sendo retirados pela Polícia Militar", comentou. 

Jairo e Irapitan foram liberados pela PM pouco antes das 22 horas. A partida terminou empatada por 1 a 1, com apito final às 21h11. “A Polícia nos tratou de uma maneira tranquila, como deveria ser", relatou Jairo, em um vídeo postado no Twitter.

A versão da Polícia Militar

Para o coronel Manique Barreto, essa ação tomada pela Polícia Militar foi normal. “Houve o pedido de retirada pelo representante da CBF, que tem uma autoridade para definir aqueles que podem ficar dentro da área de campo. Como houve controvérsia de outra parte, não querendo acatar, a Polícia Militar precisou agir e fazer as detenções”, afirmou.

A organizadora do evento é quem decide seus participantes, comentou. “A CBF tem autonomia para determinar quem pode permanecer e quem não pode permanecer, eles até dão um crachá. E essa pessoa do Paraná Clube, tentou ter um poder acima do supervisor. É preciso se submeter a autoridade que organiza”.

Alex Brasil foi liberado antes que o assessor e o repórter. O coronel explicou que a dupla foi levada até uma sala, onde são realizados os procedimentos, confeccionados os Termos Circunstanciados (TCs). Para ele, existe uma imagem negativa contra os policiais militares, que no passado já foi muito pior.

Foram levados para uma sala específica com o objetivo de evitar uma confusão. “Houve a condução da pessoa para o local certo, não iriam fazer aquilo no meio do campo, criando um tumulto maior. Estranhamente o pessoal do Criciúma queria defender quem veio criar tumulto dentro de casa”, disse o comandante da PM.

A apreensão dos celulares

Os jornalistas foram liberadores, mas seus celulares continuaram confiscados pela Polícia Militar. Manique Barreto garantiu que agora eles são elementos do processo, servindo como prova contra a dupla ou mesmo contra os policiais envolvidos. Os aparelhos devem ser devolvidos somente quando a investigação for concluída.

“Os celulares foram pegos para servirem de prova, quem sabe até mesmo contra a Polícia Militar. Temos essa consciência e essa sabedoria, de que ainda perdura essa condição, de que como é um repórter, ele usa toda a mídia e faz as críticas negativas, que não constroem”, frisou o coronel.

Quando questionado sobre a liberdade de imprensa, Manique Barreto disse que não é proibido filmar, citando que as imagens se tornaram provas da ação. “Ele foi conduzido para pegar as imagens, se você faz uma filmagem e coloca numa TV, sobre um crime, alguém fará uma petição judiciária, ali era uma condição de flagrante. O áudio será solicitado judicialmente, para servir como prova”, explicou.

Confira a entrevista na íntegra: