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Greve dos metalúrgicos trava fábricas e aumenta tensão após meses de negociação em Criciúma

Paralisação coloca fim a meses de negociações sem acordo e abre expectativa sobre os próximos passos da categoria

Por Lucas Mackowieski Criciúma, SC, 23/09/2026 - 12:17 Atualizado há quase um minuto
Greve dos metalúrgicos começou nesta quarta-feira e já paralisou empresas na região de Criciúma | Foto: Divulgação/4oito
Greve dos metalúrgicos começou nesta quarta-feira e já paralisou empresas na região de Criciúma | Foto: Divulgação/4oito

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O barulho das máquinas deu lugar à paralisação em parte das metalúrgicas da região de Criciúma nesta quarta-feira (23). Depois de meses de negociação sem acordo, os trabalhadores cruzaram os braços e iniciaram uma greve que pode ganhar novas adesões nos próximos dias. A Sical já amanheceu com as atividades paralisadas.

O impasse se arrasta desde maio, quando ocorreu a data-base dos metalúrgicos. De lá para cá, empresas e trabalhadores não chegaram a um consenso sobre o reajuste salarial. Enquanto o setor patronal afirma que a proposta apresentada considera o cenário econômico e os custos das empresas, os trabalhadores defendem um aumento maior.

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“A greve é o último remédio em uma negociação coletiva”, afirmou o advogado do Sindicato dos Metalúrgicos, Gilvan Francisco.

Para ele, a demora no fechamento do acordo aumentou a insatisfação nas fábricas e fez crescer a pressão por uma negociação considerada mais favorável aos trabalhadores.

Meses de negociação terminam em paralisação

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico, Aloir Librelato, afirmou em entrevista a rádio Som Maior que as negociações vêm sendo realizadas há cerca de quatro meses. Conforme ele, a proposta empresarial prevê a reposição de 4,11%, correspondente ao IPCA, além de ganho real.

Empresas do setor metalúrgico registram paralisações durante o início da greve na região | Foto: Divulgação/4oito

“Repomos o IPCA de 4,11% e damos mais 25% de ganho real”, declarou Librelato.

Ele afirma que a proposta foi rejeitada pela parte dos trabalhadores, que busca um reajuste maior. O presidente também cita as incertezas econômicas, as margens reduzidas das empresas e a dificuldade de investimentos como fatores que pesam sobre a negociação.

Entre os pontos que estão no centro do impasse estão:

  • Reposição da inflação de 4,11%;

  • Ganho real reivindicado pelos trabalhadores;

  • Condições econômicas enfrentadas pelas empresas;

  • Benefícios previstos nas convenções coletivas;

  • Diferenças entre os pisos e acordos de diferentes regiões.

Gilvan, por outro lado, afirma que o atraso na negociação contribuiu para aumentar a insatisfação nas fábricas. Segundo ele, a categoria esperava uma definição desde maio e realizou uma pesquisa para avaliar a expectativa dos trabalhadores antes de endurecer o movimento.

Diferença entre regiões entra na discussão

Durante a entrevista, também foi levantada a diferença entre os reajustes negociados historicamente em Criciúma e na região de Joinville. Gilvan afirma que a comparação não deve considerar apenas o percentual de aumento, mas também os benefícios previstos nas convenções coletivas.

Metalúrgicos iniciaram greve após impasse nas negociações sobre o reajuste salarial | Foto: Lucas Mackowieski/4oito

Ele cita, ainda, a dificuldade de manter profissionais qualificados na região. Segundo o advogado, trabalhadores da área metalúrgica acabam sendo atraídos por empresas de outras regiões, onde podem encontrar salários e benefícios mais vantajosos.

Aloir Librelato reconhece que os valores negociados funcionam como uma base e afirma que cada empresa pode estabelecer remunerações superiores conforme a função e a necessidade de mão de obra. Ele também destaca que algumas empresas já valorizam profissionais por meio de planos de cargos e salários.

Próximos dias devem definir rumo da greve

Com a paralisação iniciada, a expectativa agora é sobre a adesão de outras empresas e a retomada das conversas entre as entidades. O sindicato patronal afirma que continua aberto ao diálogo, enquanto os trabalhadores defendem que a greve é uma forma de pressionar por uma nova proposta.
 


“Vamos acreditar no bom senso também da parte laboral e eu acredito que vamos evoluir”, afirmou Aloir. Gilvan também reforçou que o sindicato dos trabalhadores permanece disposto a negociar, apesar da paralisação.

O que acontecerá nos próximos dias dependerá, principalmente, da capacidade de empresas e trabalhadores retomarem a negociação e encontrarem um ponto de acordo para encerrar o movimento.

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