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Gigante do setor de embalagens vê “solução harmoniosa” em acordo de R$ 62 milhões

Primeira parcela será paga em outubro, e quitação dos R$ 62 milhões pode levar até 12 anos

Por Gabrielle Rebelo 21/08/2026 - 06:33 Atualizado há 8 segundos
Canguru Embalagens avaliou de forma positiva a aprovação do acordo | Foto: Canguru Embalagens/4oito
Canguru Embalagens avaliou de forma positiva a aprovação do acordo | Foto: Canguru Embalagens/4oito

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A Canguru Embalagens avaliou de forma positiva a aprovação do acordo que prevê o pagamento de R$ 62 milhões em créditos a trabalhadores e ex-trabalhadores da empresa.

Em nota, a empresa afirmou que "o desfecho foi construído a partir das tratativas mantidas com a entidade sindical ao longo do processo" e que "reforça sua postura de estar permanentemente aberta ao diálogo e à busca pela solução harmoniosa".

O acordo foi aprovado por ampla maioria em duas assembleias realizadas na ultima terça-feira (18) no Círculo Operário, na Praça da Chaminé, no bairro Próspera, em Criciúma. A ação coletiva envolve atualmente 701 trabalhadores e ex-trabalhadores que tiveram contratos após setembro de 2001.

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O processo, que tramita há mais de 20 anos, alcançou o valor de R$ 107 milhões. Pela proposta aprovada, aproximadamente R$ 62 milhões serão destinados aos trabalhadores, após um deságio de cerca de 40%. A Canguru também ficará responsável pelos encargos de INSS e pelos honorários advocatícios.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região, mais de 98% dos trabalhadores presentes nas assembleias aprovaram a proposta.

Para o presidente do sindicato, Carlos de Cordes, o Dé, a aprovação representa uma etapa importante após décadas de espera. Segundo ele, a proposta e a forma de pagamento foram apresentadas e debatidas com os trabalhadores antes da votação.

Primeiro pagamento previsto para outubro

Primeira parcela do acordo está prevista para 15 de outubro de 2026 | Foto: Canguru Embalagens/4oito 

A primeira parcela do acordo está prevista para 15 de outubro de 2026, no valor de R$ 2,2 milhões. O montante será dividido entre os trabalhadores habilitados, respeitando o limite do crédito individual de cada beneficiário.

Neste primeiro rateio, o pagamento poderá chegar a aproximadamente R$ 3,1 mil por trabalhador. Com essa distribuição, 16 trabalhadores deverão receber integralmente os valores aos quais têm direito e deixarão de integrar o processo.

Os demais continuarão participando dos próximos rateios até a quitação dos respectivos créditos. A partir de outubro de 2027, está prevista uma nova parcela de R$ 2,2 milhões, com a previsão de novos pagamentos anuais sempre no dia 15 de outubro.

Pelo cronograma atual, a quitação dos créditos poderá levar até 12 anos. O prazo, porém, pode ser reduzido caso sejam vendidos quatro imóveis da empresa avaliados em aproximadamente R$ 26 milhões. Os recursos obtidos com as negociações poderão ser utilizados para antecipar os pagamentos.

Acordo ainda depende da Justiça

Processo precisa ser aprovado judicialmente | Foto: divulgação/4oito 

Apesar da aprovação nas assembleias, o acordo ainda precisa ser homologado judicialmente. Após essa etapa, a previsão é de que o primeiro pagamento seja realizado em outubro.

Os trabalhadores que participaram das assembleias já assinaram a documentação necessária para a habilitação dos créditos. Quem não esteve presente deverá procurar o escritório do advogado Gilvan Francisco, na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Criciúma, para realizar o procedimento.

De acordo com o sindicato, trabalhadores que não estão inscritos no processo terão até dois anos após a homologação para comprovar o direito e solicitar a habilitação.

Ação tramita desde 2003

A ação coletiva foi ajuizada em 2003, após o sindicato ter acesso a um estudo elaborado por uma empresa contratada pela própria Canguru Embalagens. Segundo a entidade, o levantamento apontava que trabalhadores de diferentes setores da empresa, com exceção da área administrativa, teriam direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário.

Ainda conforme o sindicato, o adicional não teria sido implantado pela empresa, o que levou à abertura da ação coletiva para cobrar os valores.

Depois de mais de duas décadas de tramitação, o processo chegou à fase de execução e resultou na proposta de acordo aprovada pelos trabalhadores nesta semana.

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