Os golpes digitais têm se tornado cada vez mais elaborados e, em muitos casos, não dependem de uma invasão direta aos sistemas bancários. Segundo o delegado da Polícia Civil de Criciúma, Márcio Campos Neves, os criminosos utilizam principalmente a chamada "engenharia social" para convencer as próprias vítimas a fornecer dados ou realizar transferências.
Em entrevista ao programa 60 Minutos, da Rádio Som Maior, nesta quarta-feira (17), o delegado afirmou que pessoas idosas estão entre os principais alvos. Um dos golpes mais comuns envolve criminosos que se passam por funcionários de bancos e informam sobre uma suposta compra ou movimentação suspeita.
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A partir daí, a vítima é orientada a acessar o aplicativo bancário, fornecer informações ou transferir o dinheiro para uma conta indicada pelo criminoso.
“Banco não liga para o cliente, salvo gerente para poder ir lá na agência”, alertou Márcio. Segundo ele, situações semelhantes também ocorrem com falsos advogados, que utilizam informações de processos públicos para entrar em contato com vítimas e cobrar supostas taxas para liberar valores.
O delegado relatou ainda que até profissionais com conhecimento podem ser vítimas. Em um dos casos atendidos por ele, um médico perdeu R$ 23 mil em um golpe aplicado por um falso advogado.
Cuidado com links e boletos
Outro tipo de fraude envolve páginas falsas de instituições financeiras. Os criminosos reproduzem o visual de sites conhecidos, mas alteram pequenas partes do endereço eletrônico para capturar usuário, senha e outros códigos de acesso.
Há também casos de boletos falsificados. O criminoso mantém praticamente todas as informações do documento original, mas altera os dados de pagamento. “Esses mais elaborados, em tese, qualquer pessoa pode cair”, explicou o delegado.
Para Márcio, a principal orientação é não realizar nenhuma transação quando houver dúvida sobre a solicitação.
“Dinheiro não cai do céu. Seja qualquer transação bancária eletrônica, você tem que ter absolutamente certeza para fazer. Se você ficou com dúvida, não faça”, afirmou.
Ouça a entrevista na íntegra:
O que fazer depois de cair em um golpe?
De acordo com o delegado, a primeira providência deve ser procurar o banco, e não a delegacia. O objetivo é tentar bloquear rapidamente o dinheiro e acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, quando aplicável.
“Primeiro você faz dentro do aplicativo, se possível fazer o questionamento, entra em contato com seu gerente imediatamente”, orientou.
Depois, a vítima deve registrar o boletim de ocorrência e apresentar o máximo possível de informações, como números de telefone utilizados pelo criminoso, contas bancárias, valores e comprovantes.
O delegado explicou que a rapidez é fundamental. Quando a vítima demora para perceber o golpe, o dinheiro pode já ter sido transferido para outras contas, dificultando a recuperação.
Golpe do falso familiar
Outro golpe frequente ocorre quando criminosos utilizam a foto de um filho, irmão ou outro familiar para pedir dinheiro por um número desconhecido.
A orientação é não fazer a transferência antes de confirmar a identidade da pessoa. Uma ligação convencional para o número que já estava salvo na agenda ou para outro familiar pode ajudar a verificar a situação.
Márcio também relatou um caso em que a própria esposa foi vítima de uma tentativa de clonagem do WhatsApp. O criminoso criou um perfil falso de um restaurante que ela havia visitado e pediu um código enviado por SMS. Ao fornecer o número, ela perdeu o acesso à conta.
Por isso, o delegado reforçou que códigos recebidos por SMS ou aplicativos não devem ser compartilhados com terceiros.
“Se você tiver um mínimo de dúvida, não faz até você ter certeza”, resumiu.
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