O atrito entre os trabalhadores do setor financeiro e os bancos ganhou contornos culinários e tom de protesto nas ruas de Criciúma nesta quinta-feira (20). Diante do travamento das negociações da Campanha Salarial 2026, o Sindicato dos Bancários e Região promoveu o “Entrevero Bancário”, uma mobilização concentrada em frente às agências do Itaú e da Caixa Econômica Federal na Rua Santo Antônio.
O ato utilizou a tradicional receita do planalto catarinense para simbolizar a confusão e a falta de entendimento na mesa de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
LEIA MAIS:
- Após 20 anos, acordo de R$ 62 milhões beneficia 701 trabalhadores em SC
- Paralisação dos bancários fecha agências em Criciúma e alerta para a precarização do atendimento
O protesto reuniu bancários e apoiadores do movimento sindical que, durante o ato, partilharam a refeição na calçada enquanto dialogavam com a população sobre as reivindicações da categoria.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região, Laércio Silva, a escolha da metáfora traduz o descontentamento da classe após sucessivas rodadas de conversas sem avanços concretos na reposição da inflação, ganho real ou condições de trabalho.
"A gente tá aproveitando esse entrevero de lá e fazendo o entrevero bancário aqui. A nossa relação com os banqueiros está mais para um entrevero, uma falta de entendimento, por conta da ganância e da exploração deles. Por isso, vamos levar esse entrevero também para a rua, conversar com a categoria e com a população e mostrar o que está acontecendo na negociação", afirmou Silva.
A escolha das instituições para a mobilização responde a critérios específicos de cada banco. No caso do Itaú, o protesto mira os resultados financeiros astronômicos da instituição privada.
"O Itaú por ser o banco com maior lucro. O lucro que eles tiveram ano passado, de 47 bilhões, corresponde a um lucro per capita de 510 mil por empregado, ou seja, depois que o banco pagou as despesas e salários, cada bancário deu ao banco esse valor. Não tem paralelo no universo esse tipo de questão", destacou Silva.
Já na Caixa Econômica Federal, além das reivindicações econômicas gerais negociadas na mesa única, há um impasse direto sobre a gestão da assistência médica dos trabalhadores.
Segundo o líder sindical, a Caixa criou um teto de gasto em relação ao Saúde Caixa que torna inviável o financiamento do plano pelos empregados na configuração atual, sendo fundamental derrubar esse teto para garantir a continuidade do benefício.
O sindicato aguarda que as instituições financeiras apresentem uma proposta satisfatória até a próxima semana. Caso o impasse persista, os bancários de Criciúma realizaram uma plenária para deliberar sobre o indicativo de paralisação total e greve em todas as agências da região.
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!