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Paralisação dos bancários fecha agências em Criciúma e alerta para a precarização do atendimento

Sete rodadas de conversa com os bancos terminaram sem proposta de reajuste

Por José Demathé Criciúma, SC, 20/08/2026 - 10:22 Atualizado há meio minuto
Bancários de Criciúma e região realizam uma paralisação de 24 horas em duas agências | Foto: Gabrielle Rebelo
Bancários de Criciúma e região realizam uma paralisação de 24 horas em duas agências | Foto: Gabrielle Rebelo

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Os bancários de Criciúma e região realizam uma paralisação de 24 horas nas agências do Itaú e da Caixa Econômica Federal nesta quinta-feira (20). A decisão do Comando Nacional da categoria veio após o fracasso de sete rodadas de negociação com a Federação Nacional dos Bancos, que não apresentou propostas de reposição da inflação, ganho real ou avanços em pautas como saúde e combate ao assédio.

A operação no município foi classificada pelo presidente do Sindicato dos Bancários de Criciúma, Laércio Silva, como "cirúrgica". A paralisação atinge diretamente duas agências no centro da cidade, a do Itaú e a da Caixa, situadas na Rua Santo Antônio, além da agência da Caixa localizada no bairro Rio Maina. Os demais bancos e unidades da região funcionam normalmente ao longo do dia.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Criciúma, Laércio Silva, a insatisfação da categoria atingiu o limite diante do impasse com os patronais. "Já passou-se aí sete rodadas de negociações e não apareceu nada até agora, nem percentual de reposição de inflação, sequer qualquer debate sobre aumento real de salário. A paciência acabou e aquilo que poderia ser um entendimento virou um entrevero na mesa de negociação", afirmou o dirigente.

Insatisfação da categoria atingiu o limite diante do impasse com os patronais | Foto: Gabrielle Rebelo

Escolha das instituições foi realizada por critérios específicos 

A escolha das instituições para a mobilização responde a critérios específicos de cada banco. No caso do Itaú, o protesto mira os resultados financeiros astronômicos da instituição privada.

"O Itaú por ser o banco com maior lucro. O lucro que eles tiveram ano passado, de 47 bilhões, corresponde a um lucro per capita de 510 mil por empregado, ou seja, depois que o banco pagou as despesas e salários, cada bancário deu ao banco esse valor. Não tem paralelo no universo esse tipo de questão", destacou Silva.

Já na Caixa Econômica Federal, além das reivindicações econômicas gerais negociadas na mesa única, há um impasse direto sobre a gestão da assistência médica dos trabalhadores.

Escolha das instituições para a mobilização responde a critérios específicos de cada banco | Foto: Divulgação/4oito

Segundo o líder sindical, a Caixa criou um teto de gasto em relação ao Saúde Caixa que torna inviável o financiamento do plano pelos empregados na configuração atual, sendo fundamental derrubar esse teto para garantir a continuidade do benefício.

Discussão sobre agencias físicas foi levada ao Congresso Nacional

Paralelamente às reivindicações trabalhistas, a categoria tem levado ao Congresso Nacional e às Assembleias Legislativas a discussão sobre o encerramento das atividades de agências físicas no país. 

O sindicato defende que, por se tratar de uma concessão pública, o atendimento bancário presencial precisa de regulamentação para evitar a precarização do serviço e o desemprego em massa decorrente da migração para o modelo puramente digital.

Reivindicações estão sendo levadas ao Congresso | Foto: Gabrielle Rebelo/4oito

A preocupação social do movimento volta-se especialmente aos cidadãos que dependem do atendimento nas unidades. Silva lembrou que o Brasil possui uma expressiva população com 60 anos ou mais, representando mais de 20% dos habitantes, grupo que enfrenta maiores barreiras com a tecnologia.

 "A população 60+ no Brasil é maior do que a Noruega, é maior do que a Suécia, é maior do que a Suíça. Então a gente também tá tocando a nossa campanha salarial, mas de olho pra que não seja precarizado o atendimento bancário no território nacional", concluiu.

Uma plenária da categoria está agendada para a próxima semana e, caso a Fenaban não apresente avanços nas negociações, o sindicato projeta a ampliação da greve para todas as agências e bancos da região.
 

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