Em maio de 2022, Tubarão viveu um dos episódios mais graves de sua história recente. Cerca de 400 milímetros de chuva caíram sobre o município em pouco mais de 24 horas, alagando bairros inteiros e expondo falhas estruturais na drenagem da cidade. Quatro anos depois, com a chegada do El Niño e o aumento no volume de chuvas previsto para a região, a Prefeitura afirma ter reforçado obras, equipamentos e monitoramento para reduzir os impactos de um novo evento extremo.
Segundo o prefeito de Tubarão Estêner Soratto, o volume de chuva registrado em 2022 combinado com a baixa altitude de vários bairros em relação ao nível do mar foi determinante para os alagamentos. "Choveu cerca de 400 milímetros num período de pouco mais de 24 horas. É muita chuva num curto espaço de tempo, e Tubarão tem uma cota muito baixa em relação ao nível do mar", explicou.
De acordo com ele, o Rio Tubarão não chegou a transbordar de forma generalizada, mas, com as comportas fechadas para conter o nível do rio, a água da chuva não teve para onde escoar e inundou bairros como São Raimundo, Bom Pastor, São João Margem Direita, Fábio Silva, Dehon e Madre.
Falha em bomba do bairro Dehon agravou situação em 2022
Um dos pontos mais críticos da enchente foi a falha de uma bomba de drenagem no bairro Dehon, que ficou sem energia elétrica no momento em que mais era necessária. "Essa bomba acabou faltando luz, não tinha uma alimentação reserva, um gerador, e mesmo quando estava funcionando, estava funcionando muito fraca", relatou Soratto. De acordo com ele, a bomba foi posteriormente recondicionada e abrigada em uma estrutura própria, mas deve ser substituída em breve por duas novas estações elevatórias, cujo processo licitatório foi aberto em 15 de setembro.
Prefeitura amplia limpeza de rios e substitui tubulações
Desde o início de janeiro de 2025, a Prefeitura afirma ter investido cerca de R$ 1,2 milhão por ano na limpeza periódica de córregos, valas e canais de drenagem do município, retirando vegetação e sedimentos que dificultavam o escoamento da água até o Rio Tubarão. Em trechos onde tubulações antigas de 80 centímetros a 1,5 metro estrangulavam o fluxo, a Prefeitura afirma ter instalado galerias com até 4,5 metros, triplicando a capacidade de escoamento em alguns pontos.
O diretor da Defesa Civil de Tubarão, Rafael Marques, confirma o avanço das obras de macrodrenagem e cita como exemplo a limpeza do chamado Rio Seco, o Rio da Madre, que recebia parte do escoamento dos bairros Vila Moema, Campestre e Recife, mas tinha a vazão prejudicada pelo excesso de vegetação. Segundo Marques, a limpeza do rio, que já soma mais de R$ 1,5 milhão em investimento, funciona como uma espécie de reservatório natural para conter grandes volumes de água. "Ele funciona como se fosse um piscinão. Ele absorve muita água e demora a transbordar", descreveu Soratto sobre o mesmo trecho.
Marques também destacou que a Prefeitura já realizou mais de 200 km de limpeza de valas e córregos desde o início da gestão, além de iniciar a limpeza de bocas de lobo e poços de visita na área urbana, o que compõe a chamada microdrenagem da cidade.
Prefeito admite que alagamentos ainda podem ocorrer
Questionado se Tubarão suportaria hoje um novo evento com volume de chuva semelhante ao de 2022, Soratto foi cauteloso. "Eu acredito que causaria ainda alagamentos em alguns bairros. Acredito que diminuiria os prejuízos materiais, mas não evitaria alguns alagamentos", afirmou. Segundo ele, bairros como Pantanal, São João Margem Direita e Madre ainda são considerados áreas de risco na cidade.
Dois projetos de macrodrenagem estão em fase de licitação, um no bairro Fábio Silva e outro no São João Margem Direita, regiões historicamente alagadas em episódios de chuva intensa. No São João Margem Direita, tubulações de 80 centímetros a 1 metro devem ser substituídas por galerias de até 3 metros de largura.
A Prefeitura também comprou um caminhão hidrovácuo, equipamento voltado à limpeza de caixas de drenagem e tubulações, além de manter um segundo caminhão locado para reforçar o trabalho. Soratto afirma que, o serviço já retirou grande volume de lixo, areia e até um capacete de moto de dentro das tubulações da cidade, mas o processo é lento: com 1.550 ruas no município e um ritmo de até duas ruas atendidas por dia útil, a expectativa é que o trabalho não seja concluído dentro de um único mandato.
Monitoramento de rios foi ampliado desde 2022
Um dos avanços mais citados pelos dois entrevistados é o novo sistema de monitoramento de níveis de rios e volume de chuva, hoje presente em Tubarão, Orleans, Braço do Norte, São Martinho, Guarda do Cubatão, Anitápolis e Armazém. Segundo Marques, essas estações permitem à Defesa Civil acompanhar em tempo real a evolução dos níveis dos rios da região e antecipar decisões em caso de risco de novos alagamentos.
A Prefeitura também mantém, de acordo com Marques, mais de 30 abrigos cadastrados para eventual necessidade de remoção de moradores, em trabalho conjunto com a assistência social. Além disso, o município integra um projeto internacional da ONU em parceria com o Ministério das Cidades para elaboração do Plano Municipal de Redução de Risco, com foco nas comunidades do Km 60, São João Margem Direita e Bom Pastor, as mais atingidas em 2022. Uma oficina de conscientização para moradores dessas áreas está prevista para o fim do mês.
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