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Economista da Fiesc diz que 2027 começa mais difícil e que ajuste fiscal é inevitável

Para Pablo Bittencourt, ajuste de R$ 250 bi sem travar o PIB pode estabilizar a dívida em até três anos

Por José Demathé Criciúma, SC, 09/10/2026 - 07:30 Atualizado há 7 segundos
Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, durante entrevista em Criciúma | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/4oito
Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, durante entrevista em Criciúma | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/4oito

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Quem vencer a eleição presidencial terá pouca margem de manobra na economia, e o início de 2027 deve ser mais difícil para o emprego e para a atividade produtiva. A avaliação é do economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, que esteve em Criciúma com uma comitiva da entidade e conversou com o programa 60 Minutos, da Rádio Som Maior, na quinta-feira (8).

De acordo com Pablo, cerca de 90% dos economistas concordam que será preciso fazer um ajuste fiscal no próximo ano, e que esse ajuste tende a desacelerar o crescimento no curto prazo.

“O espaço de manobra, ou os graus de liberdade que qualquer um dos dois governos vai ter em 2027, é relativamente restrito. Não há muita magia para fazer”, afirmou. Para Bittencourt, o impacto vai depender do tamanho do ajuste e da forma como ele for feito. “Uma coisa é tirar dinheiro dos supersalários, outra coisa é tirar dinheiro de investimento em infraestrutura”, exemplificou.

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Cenário externo e interno pesa nas decisões das empresas

Na palestra aos associados da Fiesc, o economista ligou os principais temas que preocupam o setor produtivo. Ele citou a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, as guerras na Ucrânia e no Irã, o avanço da inteligência artificial e o risco de uma bolha econômica nos Estados Unidos por causa dos investimentos na área. Segundo ele, esses fatores já chegaram ao Brasil em forma de preços mais altos de petróleo, fertilizantes e outros produtos químicos, o que afeta o custo de vida. Dentro do país, a reforma tributária e o período eleitoral completam o quadro de incertezas.

Mercado reage, mas sem números concretos

Questionado sobre a queda dos juros futuros, o dólar mais baixo e a alta da Bolsa desde a segunda-feira (5), Bittencourt disse que o mercado antecipa expectativas. Segundo ele, há aposta em um ajuste mais duro e consistente em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A Bolsa subiu mais de 8% no dia seguinte ao primeiro turno, e empresas do varejo, que dependem de juros, chegaram a subir 14%.

Comitiva da Fiesc apresentou cenários da economia a empresários da região | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O economista ponderou, porém, que ainda não há informações consistentes sobre o tamanho do ajuste em nenhuma das duas candidaturas. Ele citou uma notícia de que a equipe econômica de Flávio fala em R$ 250 bilhões, mas sem definir prazo nem se as medidas seriam estruturais ou de curto prazo. “É difícil ainda saber”, disse. Para ele, os números devem aparecer antes do início do próximo mandato, e só então o mercado conseguirá precificar o que vem pela frente.

Dívida pública pode se estabilizar em até três anos

Sobre o tempo necessário para controlar a dívida pública, Bittencourt afirmou que o ajuste não pode ser superintenso já no primeiro ano, porque isso poderia empurrar a economia para baixo e piorar a relação entre dívida e PIB. Mesmo com superávits primários, a dívida continuaria crescendo por causa dos juros.

Ele estimou que seria necessário um ajuste próximo de R$ 250 bilhões. Com um programa comprometido, a expectativa é chegar a pelo menos R$ 200 bilhões em dois ou três anos, e em gastos estruturais, não em receitas pontuais. Como exemplo de receita que entra uma vez, citou a eventual privatização do Banco do Brasil, mencionada na candidatura de Flávio, que renderia algo próximo de R$ 80 bilhões. “Eu estou falando de medidas de ajuste estrutural de contas. São essas que são mais difíceis de fazer, dependem muito do Congresso”, disse.

Nesse patamar, afirmou, seria possível estabilizar a relação dívida/PIB, o que levaria o mercado a precificar juros menores e abriria espaço para o país crescer mais. “Isso é uma informação de ouro”, resumiu.

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