O governo federal pediu o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro, quando as bets foram proibidas no país. Em paralelo, solicitou a remoção de milhares de páginas e perfis em redes sociais. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério da Fazenda, no primeiro dia sem operação das plataformas autorizadas, e mostram que R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução a cerca de 26,5 milhões de apostadores.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ofensiva muda o fluxo de dinheiro das famílias.
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"Já tínhamos identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saía da poupança popular e ia para as bets. Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante", declarou.
Só um site autorizado seguia no ar
Dos 188 sites com autorização para operar no país até segunda-feira (5), apenas um continuava em funcionamento nesta terça, e o bloqueio dele também foi solicitado.
Os pedidos de bloqueio de sites ilegais representam média de cerca de 1.103 páginas por dia desde o início da proibição.
O governo também pediu a retirada de conteúdos ligados às apostas ilegais em redes sociais: 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord. De acordo com Durigan, esse conjunto atingia mais de 17 milhões de usuários.
Como fica a devolução dos valores
O prazo para os apostadores retirarem os recursos por conta própria terminou às 23h59 de segunda-feira. Agora, as empresas têm até quarta-feira (7) para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada usuário, identificados por CPF, e a conta bancária usada nos depósitos.
Os valores pendentes somam R$ 1,325 bilhão, distribuídos entre 26,5 milhões de apostadores. Há ainda 86,2 milhões de contas com saldo entre R$ 0,01 e R$ 0,99, que totalizam R$ 15,5 milhões.
O número de contas é maior que o de apostadores porque uma mesma pessoa pode ter cadastro em várias plataformas.
Saldo concentrado em poucos apostadores
Apesar da quantidade de contas, a maior parte do dinheiro está nas mãos de poucos. Segundo o ministro, cerca de 1% dos apostadores, aproximadamente 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo a ser devolvido, e 3,4% concentram cerca de 90%.
"A grande maioria dos apostadores tem saldo muito pequeno. Percebo que há uma concentração grande", afirmou.
Contas com valores altos serão investigadas
O governo pretende apurar cerca de 40 contas com saldos acima de R$ 500 mil ou R$ 1 milhão, para verificar possível lavagem de dinheiro e vínculos com organizações criminosas.
A investigação corre em paralelo à devolução dos saldos e ao bloqueio das plataformas ilegais.
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