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Reportagem Especial

Do lixo ao futuro: como o Sul de SC tenta salvar um setor de R$ 6,3 bilhões

Modelo que será testado em Orleans quer reciclar 100% do plástico coletado e proteger 12,3 mil empregos

Por Thiago Hockmüller Criciúma, SC, 08/09/2026 - 20:40 Atualizado há 13 segundos
Dar nova vida ao plástico pode salvar empregos e transformar o futuro de milhares de famílias | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Dar nova vida ao plástico pode salvar empregos e transformar o futuro de milhares de famílias | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

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O setor plástico lidera um movimento onde grande parte do lixo não irá mais para aterros sanitários, mas será transformado em valor, emprego e sustento para as famílias. Esta é a era da economia circular, que permitirá um futuro sólido e próspero para a indústria dos descartáveis, responsável somente no Sul de Santa Catarina por 12,3 mil empregos diretos e R$ 6,3 bilhões ao ano em movimento econômico.

Liderado pelo Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), o setor trabalha por soluções diante da ameaça oriunda do Congresso Nacional, de onde parte uma série de projetos para eliminar os plásticos descartáveis. Entre eles, estão os projetos de lei n° 2524/2022, que proíbe os descartáveis plásticos em 5 anos, o 258/2024, que propõe o banimento dos descartáveis em até dois anos, e o 5154/2019, que proíbe sacolas plásticas descartáveis.

"O plástico está em todas as cadeias produtivas: no automotivo, na construção civil, no mobiliário, nos eletrodomésticos, na decoração, no vestuário, nas embalagens, etc. Mas a mira, o alvo das campanhas de banimento de produtos, da agenda de proibição, está focada na proibição de copinhos, sacolinhas, canudinhos e algumas embalagens que são produzidas no Sul de Santa Catarina", lamenta o diretor-executivo do Sinplasc, Elias Caetano.

Para que isso não aconteça, o Sul está organizado, mobilizado e com alternativas viáveis para impactar a reciclagem no Brasil. A mais importante delas, o Projeto Defesa Circular, será testada em Orleans, cidade com 24 mil habitantes e localizada a cerca de 40 quilômetros de Criciúma.

Setor plástico levanta argumentos contra o fim dos descartáveis | Arte: 4oito

Ao invés do velho e ineficiente modelo linear, onde os materiais são simplesmente descartados no pós-consumo, o modelo circular gera vida para uma cadeia sustentável onde o pós-consumo vira reciclagem, transformação, produção e reaproveitamento. Isto significa proteção ao meio ambiente, renda e salvação para milhares de empregos.

"A nossa região é a mais afetada e mais impactada por essa agenda legislativa. Cabe à nossa região responder e apresentar soluções para os desafios, para que a gente evite que os plásticos se transformem em poluição ambiental, para que a gente possa dar uma resposta ao Congresso Nacional", planeja.

A solução saindo do forno

Elias Caetano possui 29 anos de experiência prática em reciclagem. Durante quase três décadas de trabalho, foi responsável por 50 mil toneladas recicladas de embalagens de uso único e de materiais de baixa reciclabilidade.

Ele explica como a solução, que foi desenvolvida e será aplicada em Orleans, irá revolucionar a cadeia produtiva e a reciclagem no Brasil.

"O ponto que queremos alcançar é uma cadeia produtiva integrada: indústria, poder público, consumidor final, cada um cumprindo com o seu papel de logística reversa, de gestão de resíduos, de economia circular, evitando e valorizando esses materiais para evitar que eles sejam poluição ambiental. A gente tem tecnologia para isso", afirma.

Elias sustenta que o gargalo não está mais na indústria recicladora, e sim na educação ambiental do consumidor, que precisa entender a importância do descarte correto dos resíduos, da coleta seletiva e da triagem dos materiais.

"Nós estamos com 40% de capacidade produtiva ociosa esperando matéria-prima. Tem máquina parada hoje por falta de matéria-prima, com demanda reprimida. Não tem matéria-prima para abastecer essas linhas de produção porque esse resíduo está sendo aterrado", pondera.

Elias Caetano defende o futuro do plástico descartável e trabalha para apontar soluções ao Congresso Nacional | Foto: Divulgação/4oito

A partir desse diagnóstico, a solução, construída com o carimbo de 21 entidades, entre elas a Unesc, apontou quatro desafios e o caminho para resolver o problema:

  • Como fazer com que a população se comprometa e faça o descarte correto
  • Como implantar modelos eficientes de coleta seletiva
  • Como aperfeiçoar a produtividade e a qualidade da triagem dos materiais recicláveis
  • Como produzir produtos com design mais eficaz para a circularidade

A proposta que será aplicada em Orleans está em fase de captação de recursos e se resume em quatro pontos centrais: educação ambiental, coleta seletiva, central de triagem e usina de valorização de rejeitos. A rastreabilidade dará liga a tudo isso, conforme a imagem abaixo:

Projeto será colocado em prática no bairro Nova Orleans, que soma 990 residências | Arte: 4oito 

O bairro escolhido é o Nova Orleans, onde será realizada coleta seletiva de porta a porta com apoio de catadores contratados para isso. Eles trabalharão como agentes ambientais, orientando a população.

Também haverá pontos de descarte de materiais, os chamados PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), que contarão com bolsas chipadas com informações de data, peso e rastreio, permitindo a validação e autenticação dos resultados do projeto.

O material será levado até a Central de Triagem, que receberá investimento adequado e treinamento de catadores para garantir eficiência. O plástico será destinado para reciclagem na indústria, enquanto o plástico de baixa reciclabilidade, misturado a outros resíduos, será encaminhado para uma usina de transformação. Isso garantirá a reciclagem de 100% do plástico coletado, evitando assim o despejo em aterros sanitários ou lixões.

A rastreabilidade garantirá índices de circularidade, índices de segundo uso, dados auditáveis, evidências técnicas e escala e viabilidade econômica.

Selo Unesc de qualidade

A transformação do plástico de baixa reciclabilidade em novos produtos possui o selo de qualidade das pesquisas da Unesc (Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina), capitaneadas pelo professor Matheus Vinícius Gregory Zimmermann, do setor de engenharia de materiais da universidade, juntamente com o Cepol (Ciência e Engenharia de Polímeros).

"Junto com a empresa parceira, a Veiga Máquinas, temos vários protótipos testados e validados, feitos inteiramente de sobras de materiais inservíveis. São blocos, pavers, telhas e vários outros produtos que podem ser transformados. A diferença entre outras cidades e de Orleans é que Orleans tem o objetivo de não ser apenas uma planta de produção e sim uma planta modelo", esclarece.

Pesquisador é uma das cabeças pensantes do projeto Defesa Circular | Foto: arquivo pessoal/4oito

O bairro Nova Orleans possui 990 residências e foi escolhido de forma estratégica. O prefeito Fernando Cruzetta sustenta que ele representa, em menor escala, as características da cidade. "Este bairro é um espelho do nosso município. É um bairro residencial, tem escola, posto de saúde, e onde está situado o Cisam-Sul (Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental)", esclarece.

Para Orleans, salvaguardar o setor plástico do Sul catarinense é uma tarefa fundamental para a economia do próprio município. O motivo: 31,64% da arrecadação da Prefeitura é oriunda do setor plástico, que soma 2.197 empregos diretos e representa ainda 24,61% dos empregos gerados na cidade.

"A gente vai demonstrar para os legisladores a realidade para mudar essa narrativa de que o plástico é o vilão. O plástico nunca foi o vilão. Essa é uma narrativa criada por ambientalistas de forma errada e por interesses que não temos conhecimento. O plástico sendo bem utilizado, recuperado, reciclado, reaproveitado, ele pode melhorar a humanidade de forma expenciencial", garante Cruzetta.

Empresas entram na construção de um novo ciclo

Copaza possui história de qualidade e inovação | Foto: Divulgação/Copaza

Empresas como a Copaza, de Içara, também apostam no Defesa Circular como um caminho para construir soluções concretas para o pós-consumo do plástico. A proposta é participar não apenas como apoiadora, mas como parte ativa de uma cadeia que busca dar um novo destino ao material depois do uso.

Para a diretora executiva da empresa, Ana Luiza Zanatta, o projeto tem justamente o papel de mostrar, na prática, que o plástico corretamente destinado não precisa terminar como lixo. Ele pode voltar à cadeia produtiva, ser reciclado, transformado e ganhar uma nova utilização.

“Queremos contribuir para que esse modelo gere dados, resultados e possa, futuramente, ser replicado em outros municípios. Orleans será o município-piloto, onde toda essa cadeia poderá ser acompanhada, desde a conscientização e o descarte, passando pela coleta, rastreabilidade e triagem, até a reciclagem ou transformação do material. Queremos que Orleans seja o começo de uma nova história e, quem sabe, um exemplo que possa ser levado para muitas outras cidades”, diz.

A Copaza atua desde 1991 com embalagens plásticas de alto padrão. Atualmente, atende clientes em todo o Brasil e parte da América Latina.  

Do descarte ao sustento de milhares de famílias

Salvar o plástico descartável não significa apenas preservar uma indústria e os empregos gerados por ela. Para milhares de catadores espalhados pelo Brasil, esse material também representa fonte de renda e sustento. A trajetória de Dorival Rodrigues dos Santos ajuda a mostrar essa dimensão.

Ele acompanha de perto o movimento de catadores em Santa Catarina há mais de três décadas. Há 33 anos, participou da criação do Movimento Nacional dos Catadores no estado e também da fundação da Federação Catarinense de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis. Atualmente, atua na Cooperativa Copper Clean e participa da Recicla Floripa, em Florianópolis.

Sinplasc e cooperativas trabalham para salvar o futuro do plástico descartável | Foto: Rayssa Fernandes/4oito

“O trabalho dos catadores de materiais recicláveis vai muito além da coleta de resíduos. Para milhares de famílias brasileiras, a atividade representa fonte de renda e, ao mesmo tempo, contribui para a preservação do meio ambiente”, relata.

Segundo Santos, o catador está inserido em uma cadeia que envolve coleta, separação e destinação dos materiais para reaproveitamento. Por isso, fortalecer essa atividade também significa abrir oportunidades para pessoas que estão fora do mercado de trabalho.

Entre as principais necessidades, ele destaca a ampliação da coleta seletiva nos municípios e o incentivo à criação e ao fortalecimento de cooperativas e associações.

“A nossa meta é que as pessoas que estão desempregadas possam ter renda por meio das cooperativas e associações. Nós temos que trazer esses municípios que ainda não têm coleta seletiva, fomentar novas cooperativas e associações e, com isso, também criar oportunidades para quem está parado, sem emprego”, afirma.

Reciclar em vez de incinerar

Além da geração de renda, Santos defende que os resíduos permaneçam inseridos na cadeia produtiva por meio da reciclagem. Na avaliação dele, a incineração, processo de queima dos resíduos em altas temperaturas, retira materiais recicláveis do circuito e afeta diretamente o trabalho dos catadores.

Alegria e esperança: Santos soma mais de 30 anos de trabalho com reciclagem | Foto: Divulgação/4oito

“Quando os materiais recicláveis são queimados, deixam de ser reaproveitados e reciclados, o que também prejudica o trabalho e a renda dos catadores. Nós defendemos essa cadeia da reciclagem, porque acreditamos na importância de não incinerar, mas reciclar. A incineração termina com a cadeia da reciclagem”, afirma.

Manter esses materiais na cadeia de reaproveitamento ajuda a preservar postos de trabalho, fortalece a renda das famílias e reduz os impactos provocados pelo descarte inadequado de resíduos.

Preocupação com os próximos anos

Para Santos, as decisões tomadas hoje terão reflexo direto nas próximas décadas. Ele defende que a ampliação da reciclagem precisa caminhar junto com políticas públicas, participação dos municípios e valorização dos trabalhadores que atuam diariamente na coleta e separação dos materiais.

“Daqui a 50 anos, podemos enfrentar problemas ainda maiores com a falta de água e com o desmatamento. Por isso, é fundamental continuar esse trabalho. Uma das formas de mudar essa realidade é trazer para a coleta seletiva os municípios que ainda não têm esse serviço, fomentar novas cooperativas e associações e criar oportunidades para pessoas que hoje estão sem emprego”, afirma.

Para o catador, ampliar a reciclagem não depende apenas da atuação de quem já está na ponta. Exige estrutura, investimento público e integração entre municípios, cooperativas, associações e a própria sociedade.

A experiência de quem vive a reciclagem todos os dias

A Federação Catarinense dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Feccat) ocupa uma posição estratégica dentro da cadeia da reciclagem. É uma entidade que conhece de perto a realidade dos catadores, das cooperativas e dos processos de triagem. Por estar na ponta, consegue contribuir não apenas apontando caminhos, mas também mostrando o que funciona na prática, quais são os principais gargalos e, sobretudo, quais soluções podem ser replicadas em diferentes municípios.

Aquilo que muitos enxergam como lixo garante renda e sustento a milhares de famílias | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

“Hoje, Santa Catarina tem cerca de 157 entidades de catadores e, considerando catadores registrados e também aqueles que atuam de maneira informal, estamos falando de mais de 25 mil catadores. Então, existe uma realidade muito grande e diversa que precisa ser considerada quando se constrói uma solução”, explica o gestor de projetos da Feccat, Douglas Almeida.

Nenhum setor resolve sozinho

Para Almeida, um dos principais desafios é justamente construir um modelo que não fique restrito a uma única cidade. Se uma solução funciona apenas em um município, ela resolve um problema local. O objetivo, segundo ele, deve ser desenvolver uma metodologia que possa ser adaptada a diferentes contextos e levada para outras regiões, ampliando o alcance dos resultados.

Outro ponto considerado fundamental é a aproximação entre todos os setores envolvidos na cadeia. Para ele, não existe solução isolada quando o assunto é resíduo.

“Quando conseguimos colocar indústria, academia, poder público e catadores trabalhando juntos, cada um trazendo o seu conhecimento, conseguimos enxergar o problema de uma forma muito mais completa e construir soluções melhores. E acho que a indústria tem buscado cada vez mais trabalhar dessa forma, aproximando os diferentes setores da cadeia”, afirma.

É justamente nessa integração que a Feccat pretende contribuir. A entidade leva para o projeto a experiência de quem conhece o dia a dia das cooperativas, os diferentes tipos de materiais, as dificuldades da triagem e as particularidades de cada território.

Futuro do plástico descartável está em discussão | Foto: Rayssa Fernandes/4oito

Esse conhecimento de campo se soma à pesquisa, à capacidade técnica da indústria e à atuação do poder público. Para a Feccat, esse é um dos principais diferenciais do Defesa Circular: reunir diferentes olhares para que a solução não fique apenas no papel, mas possa funcionar na rotina de quem coleta, separa, comercializa e transforma os resíduos.

Mais do que desenvolver uma experiência pontual, a proposta é construir um modelo de economia circular que possa ser testado, aperfeiçoado e levado a outras regiões.

“Para nós, o catador precisa estar dentro dessa construção como parte estratégica da solução, e não apenas como quem coleta o material. Afinal, somos nós que estamos diariamente na ponta dessa cadeia e conhecemos uma realidade que muitas vezes não aparece nos estudos ou nos projetos”, finaliza.

Orleans se torna laboratório de um novo ciclo para o setor plástico

O município de Orleans está à frente de um processo que pode ajudar a preservar um dos setores mais importantes da economia regional. Por meio do projeto Defesa Circular, a cidade se prepara para testar um novo modelo de coleta, separação, reciclagem e reaproveitamento de materiais plásticos, com a ambição de transformar uma experiência local em referência para outras cidades.

A implantação começará pelo bairro Nova Orleans, escolhido por reunir características consideradas semelhantes às encontradas em outras regiões do município. São aproximadamente 990 residências, além de escola, posto de saúde, edifícios e estruturas públicas.

Segundo o prefeito Fernando Cruzetta, a ideia é utilizar a localidade como uma espécie de laboratório a céu aberto, onde será possível testar o modelo, medir a quantidade de material coletado e acompanhar os resultados antes de ampliar a iniciativa.

“A coleta também deve seguir um formato diferente do sistema convencional, e os trabalhadores envolvidos deixam de atuar apenas como coletores e exercem a função de agentes de limpeza, com equipamentos e procedimentos específicos”, explica.

Polímeros produzidos com material reciclado ganham nova vida na cadeia produtiva | Foto: Divulgação

A mudança começa dentro de casa

Um dos principais desafios apontados pelo prefeito está na participação dos moradores. A estrutura, por si só, não será suficiente se a população não compreender a importância da separação correta dos resíduos e da destinação adequada dos materiais.

Por isso, a Prefeitura pretende investir em ações de conscientização em escolas, unidades de saúde e outros espaços públicos. A proposta é fazer com que o projeto não se limite à coleta, mas provoque uma mudança de comportamento no dia a dia das famílias.

Também está em estudo a criação de incentivos tributários para estimular a adesão da população. O formato ainda não foi definido, mas uma das possibilidades avaliadas é relacionar a compensação à quantidade de material reciclável efetivamente destinada ao sistema.

“A Prefeitura pretende desenvolver campanhas em escolas, unidades de saúde e outros espaços públicos para estimular a separação, a reutilização e a destinação adequada dos materiais. Também estamos estudando criar incentivos tributários para estimular a população a participar da coleta seletiva”, diz.

Dos primeiros dados à possibilidade de ganhar escala

O Defesa Circular ainda está em fase inicial de implantação. A Prefeitura busca recursos junto ao setor privado e trabalha na preparação das campanhas, da estrutura e das etapas necessárias para colocar o projeto em funcionamento.

Os primeiros resultados terão um papel decisivo. A expectativa é medir quanto plástico deixará de ser encaminhado aos aterros, quanto material retornará à cadeia produtiva e quais etapas precisarão ser aperfeiçoadas ao longo do processo.

Orleans está à frente de projeto que pode salvar o futuro do plástico descartável | Foto: Prefeitura de Orleans/Divulgação/4oito

A partir desses dados, a intenção do município é corrigir rotas, amadurecer o modelo e expandi-lo para outras regiões de Orleans. Se os resultados confirmarem a viabilidade da proposta, o projeto poderá servir também como referência para outros municípios.

Mais do que reduzir a quantidade de plástico enviada aos aterros, Orleans tenta demonstrar que desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental não precisam caminhar em direções opostas.

Em uma região onde milhares de empregos e bilhões de reais em movimento econômico dependem da indústria do plástico, o Defesa Circular surge como uma tentativa de mudar a lógica do descarte e provar que o material pode permanecer em circulação, gerar renda e voltar à cadeia produtiva.

“A proposta de Orleans é transformar a forma como o município lida com o plástico e demonstrar que a atividade econômica e a sustentabilidade podem fazer parte da mesma estratégia, tornando-se mais do que uma ação de reciclagem”, relata Cruzetta.

Se funcionar como planejado, o bairro Nova Orleans será apenas o começo. A partir de 990 residências, o município pretende testar uma resposta para um desafio que ultrapassa seus próprios limites: encontrar um destino para o plástico sem abrir mão dos empregos, da renda e do desenvolvimento que ele sustenta.

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