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Cotação do dólar impacta preços de grãos em Santa Catarina

A tendência foi divulgada no Boletim Agropecuário feito pela Epagri/Cepa
Redação
Por Redação Criciúma, SC, 24/12/2020 - 15:40
Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

A queda na cotação do dólar impacta os preços do milho e da soja colhidos em Santa Catarina, que apontam tendência de desvalorização. Depois de um longo período de alta, o preço do arroz se estabilizou. O feijão segue com valores em ritmo de elevação. Está tudo detalhado no Boletim Agropecuário de dezembro, documento emitido mensalmente pela Epagri/Cepa com análise econômica das principais culturas agrícolas catarinenses.

Grãos
No fim de novembro, o preço da soja produzida em Santa Catarina mostrou sinais de recuo, refletindo a retração das cotações do dólar frente ao real. Os plantios foram retomados e intensificados no final do mês passado, com o retorno da chuva ao Estado, que também permitiu a recuperação das lavoras em fase inicial.

As cotações do milho se estabilizaram após cinco meses de alta consecutiva. Dados parciais levantados pela Epagri/Cepa até o dia 10 de dezembro mostram recuo nos preços pagos ao produtor, pressionados pela redução do valor do dólar frente ao real. Contudo, os analistas avaliam que o cenário é de sustentação de preços em níveis elevados para 2021, impulsionados pela demanda global e doméstica aquecidas, cotações futuras em elevação na Bolsa de Chicago e grande volume de vendas antecipadas da safra 2020/2021. O milho silagem confirma perdas de 29% na produção na média estadual em relação ao prognóstico inicial, em decorrência da estiagem

O preço do arroz em Santa Catarina está estabilizado, com tendência de queda nos próximos meses. A safra apresenta bom desempenho até o momento, com 95% das áreas em condição boa ou ótima.

Os preços do feijão continuam em alta no mercado catarinense. Em novembro o preço da saca de 60kg do feijão-carioca registrou aumento de 2,93%. Para o feijão-preto, a variação mensal foi de 3,53%.

Em novembro, o valor médio da saca de trigo no mercado catarinense subiu 21,82%, apesar da já esperada baixa procura por parte dos moinhos. A colheita em Santa Catarina está praticamente encerrada e a expectativa é de produtividade 4% menor que a obtida na safra passada em decorrência da estiagem.

Hortaliças
A colheita da safra de alho em Santa Catarina se aproxima dos 90% e a sanidade do produto é muito boa, apesar da alta presença de bulbos de baixo calibre que têm menor valor no mercado. As importações no mês de novembro foram acima de 16 mil toneladas, maior volume para o mês nos últimos quatro anos. Os preços no atacado tiveram redução variando entre 0,5% a 5% em novembro, o que preocupa os produtores do Sul do país, cuja comercialização da safra está iniciando.

A safra catarinense de cebola já está mais de 60% colhida e, apesar da estiagem, a sanidade da produção é considerada muito boa. Neste cenário, com boa cura e armazenagem correta, são esperadas boas condições para comercialização, visto que a tendência é de mercado aquecido para os próximos meses.

Pecuária
Na primeira quinzena de dezembro, a alta foi de 1,2% na média estadual. Na comparação com dezembro de 2019, a variação é de 27,7%. Contudo, é provável que ao longo da segunda quinzena sejam registrados recuos nos preços, já que o consumo de carne bovina está aquém do esperado para este período do ano.

Em novembro, Santa Catarina exportou 73,32 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada), queda de 0,4% em relação ao mês anterior e de 10,6% na comparação com novembro de 2019. As receitas foram de US$106,45 milhões, queda de 2,6% em relação ao mês anterior e de 25,1% na comparação com novembro de 2019. De janeiro a novembro, Santa Catarina exportou 807,91 mil toneladas de carne de frango, com faturamento de US$1,26 bilhão, quedas de 26,4% em quantidade e de 34,0% em valor na comparação com o mesmo período de 2019. O estado foi responsável por 25,3% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango este ano.

Santa Catarina exportou 43,87 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos) em novembro, queda de 5,5% em relação ao mês anterior, mas alta de 20,9% na comparação com novembro de 2019. As receitas foram de US$104,87 milhões, -2,8% em relação ao mês anterior, mas alta de 29,6% na comparação com novembro de 2019. De janeiro a novembro, o estado exportou 479,39 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$1,07 bilhão, altas de 26,6% e 37,5%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2019. Santa Catarina responde por 51,7% das receitas e do volume de carne suína exportada pelo Brasil este ano.

O preço médio aos produtores de lácteos levantado pela Epagri/Cepa deve ter pequena alta neste mês de dezembro, embora o mercado atacadista esteja oscilando, com tendência de queda para alguns produtos. Com oferta abaixo do esperado, as indústrias seguem concorrendo pela matéria-prima e as importações seguiram em patamares elevados em novembro.

Banana
Entre outubro e novembro houve desvalorização das cotações da banana-caturra após alta. A banana-prata, com a produção menos afetada no primeiro semestre, teve seu preço reduzido em novembro em relação ao mês anterior, após aumento nas cotações. A expectativa é de manutenção da demanda relativa nos próximos meses, devido à oferta menor que a média prevista para o próximo semestre. A partir de abril é esperada redução gradual nas cotações, alcançando os níveis dos anos anteriores.