A concessionária responsável pela Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, aguarda há três anos o envio de documentos considerados essenciais para a investigação dos problemas estruturais da travessia. A informação foi apresentada pelo deputado estadual Mário Motta (PSD) durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nessa terça-feira (14), com base em documentos obtidos pelo gabinete parlamentar.
Segundo o deputado, a concessionária solicita desde maio de 2023 ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) acesso a registros da construção da ponte, inaugurada em 2015. Entre os documentos requisitados estão diários de obra, boletins de campo e informações sobre o fechamento do vão central e os ajustes realizados nos estais. O material é considerado essencial para identificar as causas das falhas estruturais.
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Pedidos se repetem desde 2023
De acordo com os documentos apresentados, a concessionária e a consultoria contratada informaram à ANTT que o projeto "As Built" disponibilizado pelo Dnit não continha informações suficientes sobre a execução da obra. A ausência desses registros dificultaria a análise técnica dos problemas identificados na estrutura.
A necessidade voltou a ser registrada em uma reunião realizada entre a ANTT e a concessionária no último dia 6 de julho, quando foi discutida uma abertura identificada no vão lateral do mastro 36. Na ocasião, a empresa reiterou que busca essa documentação desde 2022 e recebeu da Agência o compromisso de solicitar novamente o material ao Dnit.
Segundo o parlamentar, a ausência desses registros pode comprometer a fiscalização da obra: "Todas essas respostas deveriam estar na mesa da concessionária há anos. Se eles já tivessem sido respondidos, talvez não estaríamos precisando enfrentar essa dolorosa paralisação do trânsito na ponte", descreve.
Problemas estruturais levaram ao fechamento
A Ponte Anita Garibaldi está interditada desde o dia 9 de julho. Conforme Mário Motta, a concessionária já havia informado à ANTT, no fim de junho, a necessidade de restringir o tráfego de cargas especiais acima de 10 toneladas por eixo após identificar uma abertura de 2,5 milímetros entre aduelas no vão lateral do mastro 36.
Dias depois, novos ensaios apontaram o rompimento de cabos de protensão na junta entre as aduelas A6 e A7, no vão central, junto ao mastro 35, situação que resultou na interdição total da estrutura.
Durante a apresentação, o deputado também exibiu uma fotografia da fase final da construção da ponte. Segundo ele, a imagem mostra um desnível no encontro das estruturas que não constaria na documentação técnica disponibilizada. O deputado citou ainda hipóteses presentes em relatório utilizado pela concessionária que indicam que soluções adotadas durante o fechamento do vão central podem ter influenciado o comportamento estrutural da ponte.
"O que nós estamos apurando é uma verdadeira falta de respeito com o catarinense. A ANTT e o Dnit precisam ser responsabilizados por todo esse prejuízo que o estado está enfrentando", afirmou Mário Motta.
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