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Calote de empresas da Venezuela e Cuba provoca rombo de R$ 20 milhões a arrozeiros de SC

Produtores cobram na Justiça valores não pagos após exportação de arroz mediada por empresa brasileira

Por Thiago Hockmüller Criciúma, SC, 09/01/2026 - 06:30 Atualizado em 09/01/2026 - 08:19
Produtor segura arroz colhido em SC; setor enfrenta prejuízo após calote de empresas da Venezuela e de Cuba | Foto: Aires Mariga/Epagri/4oito
Produtor segura arroz colhido em SC; setor enfrenta prejuízo após calote de empresas da Venezuela e de Cuba | Foto: Aires Mariga/Epagri/4oito

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O calote de empresas importadoras da Venezuela e de Cuba impediu o pagamento a produtores de Santa Catarina, que cobram na Justiça mais de R$ 20 milhões pela venda de arroz realizada há cerca de dois anos. A negociação envolveu a exportação do produto por meio de uma empresa intermediadora do Rio Grande do Sul, que afirma não ter recebido os valores das compradoras estrangeiras.

A venda foi fechada por cerca de R$ 14 milhões, mas, com correções, a dívida já chega a R$ 21 milhões. Desde então, os arrozeiros catarinenses buscam receber o valor acordado, conforme o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz).

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Quem não pagou pelo arroz exportado

Diante da inadimplência das empresas estrangeiras, os produtores ingressaram com ação judicial para tentar reaver os valores, executando garantias apresentadas pela intermediadora responsável pela exportação.

Segundo o presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, a empresa apresentou imóveis como garantia contratual. Um deles, localizado em Pelotas, no Rio Grande do Sul, está vinculado ao processo judicial como parte da execução da dívida.

“A empresa alega que não nos paga porque não recebeu dos países que ela exportou. E nós executamos essa empresa que fez a exportação. Contratamos um advogado e essas garantias estão sendo executadas agora. A empresa é que vai receber dos países que ela destinou o produto”, explica o presidente.

Arrozeiros catarinenses cobram na Justiça valores não pagos por exportações | Foto: Marco Fávero/Secom/4oito

Impacto no mercado venezuelano e cubano

Para o setor do arroz, o olhar para os mercados da Venezuela e de Cuba é de cautela. Embora o calote envolva empresas privadas, o presidente do SindArroz avalia que o ambiente político e econômico dos países de destino influencia diretamente a segurança das negociações.

No caso da Venezuela, há ainda o cenário de instabilidade em função da recente captura de Nicolás Maduro. “Nós já havíamos feito outros negócios e tinham dado certo. Esse que não deu, então a gente parou. É inseguro, mas acredito que agora dê um pouco mais de credibilidade para a gente exportar”, avalia.

Explosões em Caracas marcaram a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro | Foto: Redes sociais/@realDonaldTrump

Já a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) afirma que o cenário para o suprimento de arroz à Venezuela entra em “fase de incerteza”, que dependerá diretamente dos próximos passos da transição política e da estrutura a ser estabelecida pelos Estados Unidos.

“Os fatos recentes podem impactar a dinâmica de comércio e abastecimento do mercado venezuelano, culminando em um rearranjo nas relações comerciais e no fluxo de fornecimento de arroz para o país”, diz a Abiarroz, em nota.

A associação afirma que pode haver uma reconfiguração de fornecedores, favorecendo parceiros alinhados à atual conjuntura geopolítica, potencialmente desfavorável ao Brasil no fornecimento do arroz.

“A prioridade do setor é garantir que este canal comercial histórico não seja desestruturado por distorções de mercado que prejudiquem a competitividade do arroz brasileiro”.

Qual o tamanho do mercado venezuelano para o arroz brasileiro?

Dados da Abiarroz revelam que a Venezuela se consolidou como um dos principais destinos do arroz em casca brasileiro, mantendo volumes expressivos de importação. Em 2025, o país atingiu a marca de 165,7 mil toneladas, representando 32,4% do total exportado pelo Brasil nesse nicho, a maior fatia, segundo dados consolidados até novembro.

“Além da liderança na matéria-prima, a Venezuela também figurou como um mercado relevante para o arroz polido brasileiro até 2024, posicionando-se frequentemente entre os dez principais destinos globais dessa categoria”, afirma a Abiarroz, em nota.

Carga de arroz durante colheita em SC | Foto: Marco Fávero/Secom/4oito 

O presidente do SindArroz lembra que a Venezuela é um “mercado interessante” para o arroz beneficiado de Santa Catarina, mas que os negócios estão travados em função da inadimplência das empresas importadoras.

“É um mercado interessante. Tanto é que nós vínhamos em uma crescente, mas quando houve essa interrupção do pagamento, nós também interrompemos o fornecimento. As indústrias se afastaram também do fornecimento para a Venezuela, por função do não recebimento, dessa inadimplência”, afirma.

Protecionismo provoca recuo das exportações em 2025

Ainda no ano passado, a Abiarroz observou uma mudança no comércio do arroz beneficiado, com recuo para patamares residuais das exportações. O movimento foi impulsionado por políticas domésticas venezuelanas de incentivo à produção local e proteção da indústria, afetando diretamente as empresas importadoras.

“No último ano, portanto, a maior parte das importações da Venezuela foi de arroz em casca, visando ao abastecimento da própria indústria de moagem”, declara a Abiarroz.

O arroz exportado por Santa Catarina com destino aos mercados venezuelano e cubano é enviado inicialmente ao Rio Grande do Sul, onde segue a granel para o Porto de Rio Grande. No local, ocorre a classificação e o armazenamento até o embarque.

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