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Cadê o trabalhador? Vagas sobram em SC, mas ninguém aparece

Debate no Programa Adelor Lessa reuniu representantes para discutir as causas da dificuldade de contratação e apontar possíveis soluções

Por Gabrielle Rebelo 28/07/2026 - 10:59 Atualizado há meio minuto
Debate no programa Adelor Lessa discute empregos no sul de Sc | Foto: Secom/Divulgação/4oito
Debate no programa Adelor Lessa discute empregos no sul de Sc | Foto: Secom/Divulgação/4oito

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Encontrar trabalhadores para preencher vagas abertas tem se tornado um dos principais desafios enfrentados pelas empresas da região Sul de Santa Catarina. Hoje, em diversos setores da economia, as oportunidades existem, mas as empresas encontram dificuldades para contratar.

O tema foi debatido no Programa Adelor Lessa, da Rádio Som Maior, que reuniu representantes dos trabalhadores, do setor empresarial, da academia e do poder público para analisar as razões da escassez de mão de obra e discutir alternativas para aproximar empresas e profissionais.

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Participaram do debate:

  • Presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Franke Hobold; 
  • Presidente da Associação Sindical e Social dos Trabalhadores do Sul de Santa Catarina (Astrasul), Cléber Cândido;
  • Doutor em Sociologia Política e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS) da Unesc, Dimas de Oliveira Estevam;
  • Secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços de Criciúma, Thiago Rocha Fabris.

Transformações econômicas e tecnológicas mudaram o mercado

Doutor em Sociologia Política e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS) da Unesc, Dimas de Oliveira Estevam | Foto: Arquivo/4oito 

Para o professor Dimas de Oliveira Estevam, a dificuldade de contratação é resultado de uma combinação de fatores econômicos, sociais e tecnológicos. “Estamos em uma situação de quase pleno emprego. Além disso, vivemos um momento de grandes transformações nas áreas econômica e tecnológica, que provocam mudanças profundas na forma como as empresas produzem e contratam”, afirmou.

O pesquisador destacou que a globalização, a circulação de profissionais entre regiões, a inteligência artificial e o avanço das plataformas digitais alteraram o perfil da mão de obra. Segundo ele, as empresas passaram a exigir novas competências em um ritmo que as instituições de ensino têm dificuldade de acompanhar.

“Hoje, a transformação tecnológica é tão intensa que, muitas vezes, em um ou dois anos, um conhecimento já se torna praticamente obsoleto”, observou.

Dimas também chamou atenção para as mudanças de comportamento das novas gerações e defendeu que as empresas também precisam se adaptar. “Temos que pensar nas próprias empresas. Será que elas falam a linguagem desses jovens? Existe esse descompasso que também precisa ser considerado.” destaca

Salários, qualidade de vida e novas formas de trabalho

Presidente da Associação Sindical e Social dos Trabalhadores do Sul de Santa Catarina (Astrasul), Cléber Cândido | Foto: Arquivo/4oito 

Na avaliação de Cléber Cândido, a remuneração continua sendo um dos principais fatores para atrair trabalhadores. Segundo ele, o crescimento de atividades como transporte por aplicativo, entregas e trabalho autônomo ampliou as possibilidades de escolha dos profissionais.“A primeira questão é o salário. Quanto melhor você paga, mais conseguirá ter os melhores profissionais com você”, afirmou.

O dirigente sindical também ressaltou que a nova geração busca mais qualidade de vida e flexibilidade. “As pessoas hoje querem mais qualidade de vida. Elas não veem motivação para trabalhar por qualquer salário e, com o pleno emprego, podem escolher.”

Para Cândido, melhorar as condições de trabalho também passa por discutir a redução da jornada.

Ele lembrou ainda que, na área da saúde, muitos profissionais acabam acumulando dois empregos para complementar a renda, reflexo da demanda existente por trabalhadores qualificados.

Empresários defendem qualificação técnica e requalificação profissional

Presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Franke Hobold | Foto: Arquivo/4oito

Representando o setor empresarial, Franke Hobold ressaltou que a dificuldade para contratar não é exclusiva da região Sul catarinense, mas atinge praticamente todos os polos industriais do país. “Essa demanda por mão de obra não se restringe à nossa região. Onde há indústria, há escassez de mão de obra.”

Segundo ele, o forte crescimento econômico registrado por Santa Catarina nos últimos anos aumentou significativamente a necessidade de trabalhadores. Apesar de perceber uma leve desaceleração em 2026, o presidente da Acic afirma que o desafio permanece.

“As empresas ainda levam de 15 a 30 dias para contratar um profissional. Antes, chegavam a levar até 90 dias.”

Para Hobold, o maior gargalo está na formação técnica. “A grande lacuna da mão de obra está justamente no nível técnico. O problema não é quantidade, mas qualidade.”

Ele defendeu investimentos na ampliação dos cursos técnicos, atualização das estruturas de ensino e políticas para incentivar jovens e trabalhadores mais experientes a se qualificarem. “Precisamos atrair os jovens para as escolas técnicas e também requalificar profissionais acima dos 50 anos para mantê-los ativos no mercado.”

Prefeitura busca aproximar empresas e trabalhadores

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços de Criciúma, Thiago Rocha Fabris | Foto: Arquivo/4oito

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Thiago Rocha Fabris, afirmou que o município atua para reduzir a distância entre empresas e trabalhadores por meio da Central de Empregos e de ações de qualificação profissional.

Segundo ele, a principal dificuldade identificada é justamente a falta de profissionais qualificados para atender às vagas disponíveis. “Uma das grandes barreiras foi a questão da qualificação.”

Fabris explicou que, em 2025, os feirões de emprego chegaram a reunir cerca de dez empresas oferecendo entre 750 e 950 vagas por edição. Em 2026, embora a oferta tenha diminuído, a cidade segue próxima do pleno emprego.

O secretário destacou que aproximadamente 35% a 40% dos candidatos entrevistados durante os mutirões acabam sendo contratados e que a administração municipal passou a levar cursos profissionalizantes diretamente aos bairros.

“Oferecemos cursos voltados exatamente para aquilo que as empresas precisam, como manutenção industrial, manutenção de ar-condicionado, manufatura e construção civil.”

Segundo ele, a estratégia busca facilitar o acesso à qualificação e aproximar trabalhadores das oportunidades existentes.

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