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Além do imposto: setor aponta desigualdade nas exigências entre nacionais e importados

Vice-presidente da Acic, Graziella Moreto, alerta para impacto das plataformas internacionais sobre a indústria brasileira

Por Gabrielle Rebelo 10/09/2026 - 17:45 Atualizado há 18 segundos
Presidente Lula sancionou o PLV 13/2026, que retira o piso de 20% do imposto | Foto: Senado/4oito
Presidente Lula sancionou o PLV 13/2026, que retira o piso de 20% do imposto | Foto: Senado/4oito

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O fim da cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 reacende a preocupação do setor produtivo brasileiro com a concorrência de plataformas internacionais.

Para a vice-presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Graziella Moreto, o impacto vai além da diferença tributária, já que empresas brasileiras também precisam cumprir uma série de regulamentações e exigências para colocar os produtos no mercado.

"Existe uma série de cumprimentos que carregam e que oneram a indústria brasileira e que essas plataformas não cumprem e que essas empresas na China não cumprem, porque elas estão entrando para dentro do consumidor", aponta. 

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A declaração foi dada nesta quinta-feira (10), durante entrevista ao programa 60 Minutos. Graziella, que também é diretora da  UFO Way, empresa do setor têxtil, acompanha a discussão sobre a tributação de compras internacionais desde 2024, quando representantes da indústria e do varejo estiveram em Brasília para defender medidas de proteção ao mercado nacional.

Concorrência vai além do imposto

Diferença de competitividade entre produtos nacionais e importados não se limita à tributação | Foto: Divulgação/4oito

Segundo Graziella, a indústria brasileira enfrenta custos que não estão presentes da mesma forma nos produtos comercializados por plataformas internacionais.

Ela citou as exigências relacionadas à composição de roupas, uso de substâncias químicas e qualidade dos materiais. “Então, nós não estamos falando só de imposto. Nós estamos falando de toda uma carga de segurança, de regulamentações que a empresa brasileira precisa cumprir”, afirmou.

A empresária explicou que produtos fabricados no Brasil passam por processos de fiscalização e testes para verificar, entre outros pontos, a composição dos tecidos e a presença de substâncias restritas pela legislação. Na avaliação dela, as compras internacionais entregues diretamente ao consumidor dificultam esse tipo de controle.

Para Graziella, a diferença também se estende a outros segmentos. Ela destacou que plataformas chinesas comercializam produtos de diversas áreas e que a concorrência, não estaria restrita às roupas que deram origem ao apelido “taxa das blusinhas”

“Então, nós não estamos falando só de imposto. Nós estamos falando de toda uma carga de segurança, de regulamentações que a empresa brasileira precisa cumprir”, disse.

Impacto sobre empresas e empregos

Durante a entrevista, a empresária relacionou o aumento da participação dos produtos importados à necessidade de redução de custos por parte das empresas brasileiras.

Segundo ela, a diminuição da participação de mercado pode levar empresas a reduzir operações, unidades e postos de trabalho. “Já começou a acontecer. Nós já estamos vivendo essa onda de empresas apagando a luz, reduzindo, demitindo”, afirmou.

Graziella defendeu que o consumidor considere os efeitos de suas escolhas de compra sobre a economia brasileira. Para ela, embora a aquisição de um produto importado possa representar uma economia individual no curto prazo, a redução do consumo de produtos nacionais pode afetar empresas responsáveis pela geração de empregos e renda.

Debate sobre o futuro da indústria

“taxa das blusinhas” recebeu esse nome em referência às compras de roupas realizadas em plataformas internacionais | Foto: Canva/4oito

A chamada “taxa das blusinhas” recebeu esse nome em referência às compras de roupas realizadas em plataformas internacionais, mas a legislação alcança diferentes tipos de produtos.

O texto sancionado também altera regras para a importação de medicamentos não disponíveis no mercado interno, destinados a pessoas físicas para uso próprio e individual em tratamentos de doenças raras ou negligenciadas.

Graziella afirmou que a discussão deveria considerar os efeitos de longo prazo sobre a indústria brasileira. Para ela, a competitividade do setor depende não apenas do preço final dos produtos, mas também das condições de produção e das exigências impostas às empresas nacionais.

“Eu acho que todos nós brasileiros somos responsáveis pela economia do nosso país”, afirmou.

Confira entrevista completa: 

 

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