No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2), a Prefeitura de Criciúma oficializou a autorização de licitação para a construção da chamada Cidade do Autista. O projeto, que prevê investimento de R$ 19 milhões, será implantado no bairro Pinheirinho, na área do antigo Alvorada Clube.
A proposta é concentrar, em um único espaço, atendimentos especializados nas áreas de educação, saúde e assistência social voltados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias.
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A cerimônia ocorreu no Salão Ouro Negro do Paço Municipal, e reuniu representantes do Executivo, Legislativo estadual e municipal, além de entidades ligadas ao atendimento de pessoas com TEA.
A proposta é atender inicialmente cerca de 800 crianças da rede municipal diagnosticadas com autismo, principalmente dos níveis 1 e 2 de suporte, no contraturno escolar, além de oferecer acompanhamento às famílias.
Projeto para a Casa do Autista foi iniciado há um ano
Segundo o prefeito Vagner Espíndola, a formalização da licitação marca uma etapa de um processo iniciado há cerca de um ano, quando a prefeitura começou as tratativas para aquisição do terreno onde o complexo será construído.
A negociação com a APROFUCRI, proprietária da área, foi concluída em março, permitindo o avanço do projeto executivo e a preparação da licitação. "É um projeto que vai transformar vidas, vai mudar a qualidade de vida das crianças que são diagnosticadas com o espectro do autismo, e também das famílias", confirma o prefeito.
A concepção da Cidade do Autista foi desenvolvida a partir de estudos técnicos e visitas a outras estruturas voltadas ao atendimento especializado, mas com adaptações para um modelo mais amplo.
Ele destacou que o objetivo é criar um ambiente que vá além da oferta de terapias tradicionais, incluindo também atividades externas e suporte aos familiares. Entre os serviços previstos estão equoterapia, cinoterapia, terapias ocupacionais e espaços destinados ao acolhimento de pais e responsáveis.
Para ele, um dos diferenciais será justamente a participação familiar no processo terapêutico. Segundo ele, a proposta é que pais atípicos também tenham acompanhamento e orientações, para que o trabalho desenvolvido com as crianças tenha continuidade em casa.
"Quando se tem a questão do TEA, muito se fala em cura. Não é essa a palavra. A palavra é compreensão, é acolhimento, é encaminhamento. E é isso que nós vamos estar proporcionando para todas aquelas crianças", conclui Vaguinho.
A prefeitura projeta que o processo licitatório leve entre 30 e 45 dias após a publicação do edital. Encerrada essa etapa, a empresa vencedora deverá iniciar a execução da obra, cujo cronograma prevê 18 meses de construção. A estimativa apresentada pelo Executivo é de que o complexo seja entregue no segundo semestre de 2027.
Projeto milionário conta com apoio estadual
O investimento conta com apoio financeiro articulado junto à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Dos R$ 19 milhões previstos, R$ 10 milhões já estão assegurados por meio de recursos destinados com participação do presidente da Assembleia, Júlio Garcia.
Durante o evento, Júlio Garcia afirmou que a iniciativa representa uma ação concreta do poder público diante do crescimento dos diagnósticos de autismo e da necessidade de políticas públicas específicas.
"Não basta o poder público ter conhecimento daquilo que acontece em volta da gente, é preciso que tenha ação efetiva. E a ação de hoje é muito importante, é o reconhecimento de que o poder público tem necessidade de ter políticas públicas para atender essa população que tanto precisa", conta Garcia.
O deputado lembrou que há duas décadas, quando participou da elaboração de legislações voltadas às APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), o debate sobre autismo ainda não tinha a mesma dimensão atual.
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Novo espaço diminuirá filas de atendimento
A secretária municipal de Assistência Social, Dudi Sônego, avaliou que o projeto surge em um momento de aumento da demanda por atendimento especializado no município. Ela observou que instituições já existentes convivem com filas de espera e que a nova estrutura poderá absorver parte dessa procura, além de incorporar atividades ainda não disponíveis em Criciúma.
Segundo Dudi, a proposta integra diferentes áreas da administração pública, reunindo saúde, educação e assistência social em um único equipamento. Ela citou que serviços como ecoterapia e outras terapias complementares ampliam o escopo do atendimento e podem tornar o espaço uma referência estadual e nacional.
O presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Criciúma (AMA), José Augusto Freitas, classificou o projeto como um marco para o atendimento às famílias de pessoas com TEA em Criciúma. Segundo ele, a nova estrutura amplia a rede existente sem substituir o trabalho das entidades especializadas já em funcionamento.
José Augusto explicou que a Cidade do Autista deverá concentrar principalmente atendimentos voltados a crianças com nível 1 de suporte, enquanto a AMA continuará atendendo casos de níveis 2 e 3, além de deficiência intelectual grave. Na avaliação dele, isso permitirá complementar lacunas existentes hoje na rede de atendimento.
Atualmente, a AMA atende 216 educandos. Segundo o presidente, a ampliação física da entidade, já em andamento, somada à implantação da Cidade do Autista, deve liberar espaços atualmente ocupados por terapias, permitindo o aumento gradual do número de atendidos.
Ele destacou ainda que a expectativa entre as famílias é elevada, sobretudo pela possibilidade de ampliar o acesso às terapias na primeira infância, fase considerada decisiva para o desenvolvimento de habilidades e autonomia.
Os riscos no bairro Pinheirinho
Questionada sobre a localização do espaço no bairro Pinheirinho, região frequentemente alvo de reclamações relacionadas à segurança pública, Dudi afirmou que o complexo contará com sistema de vigilância e presença de profissionais responsáveis pela segurança interna.
Ela acrescentou que o município mantém equipes de abordagem social e ações permanentes na região, em articulação com a saúde e forças de segurança.
Como será a Casa do Autista?
Vídeo: Divulgação/Prefeitura de Criciúma
O projeto arquitetônico prevê mais de 7 mil metros quadrados de área total, com ambientes distribuídos em três pavimentos. No subsolo estarão instalados espaços de psicomotricidade, brinquedoteca terapêutica, terapia ocupacional, fisioterapia e um refeitório voltado ao trabalho com seletividade alimentar.
No térreo funcionarão recepção, consultório médico, salas de atendimento educacional especializado, psicologia, fonoaudiologia, nutrição e serviço social. Já o pavimento superior terá auditório, arteterapia, musicoterapia, sala sensorial e espaço para orientação familiar.
Na área externa, o complexo contará com jardim sensorial, quadra esportiva, piscina coberta aquecida e um estábulo destinado à equoterapia, uma das terapias previstas para integrar o atendimento.
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