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A crise do carvão na visão de Jorge Boeira

Ex-deputado federal avalia a atual situação da indústria carbonífera catarinense
por Jorge Boeira Criciúma - SC, 15/12/2020 - 11:06Atualizado em 13/01/2021 - 15:18
Foto: Arquivo / Siecesc
Foto: Arquivo / Siecesc

O mercado de energia após o famoso apagão entre julho de 2001 e fevereiro de 2002 tem se organizado para não mais faltar energia elétrica no Brasil, como sabido um insumo necessário para o crescimento e o desenvolvimento. 

A pandemia do coronavírus levou a economia global a uma forte recessão e no Brasil não foi diferente. A redução dos níveis da atividade econômica fez cair o consumo de energia em nosso país em cerca de até 15% e, com isso, desarticulou o mercado. Agora sobra energia, o preço caiu no mercado livre e as distribuidora que compraram nos leilões de energia terão que pagar pelo preço contratado, sem que tenham para quem revender.

Para agravar ainda mais a situação, soma-se a dificuldade de articulação entre os entes federativos, o que fará que precisaremos de meia década para retornarmos ao nível de consumo de energia anterior à crise da pandemia.

A alternativa que o mercado de energia encontrou foi antecipar o fim da produção definitiva de capacidade de geração de energia proveniente de algumas fontes com o objetivo de alcançar um melhor equilíbrio entre a produção e o consumo.

As primeiras a serem desativadas serão aquelas que já tem data marcada para paralisar suas atividades até 2027, já que não conseguirão competir em preços quando os consumidores não forem mais obrigados a “doar” o carvão que é consumido nas termoelétricas, setor onde algumas geradoras, mesmo assim são deficitárias devido a obsolescência.

A figura central desta operação financeira é o lucro cessante, ou seja, as distribuidoras pagarão somente uma parte do contrato para as geradoras, que por sua parte manterão as usinas paradas. As distribuidoras terão menos gastos, as geradoras continuam ganhando e, assim, equilibra o mercado. Este é o resultado da desverticalização do setor energético.

Os consumidores não irão pagar na conta de energia “um bilhão de reais” via CDE- conta de desenvolvimento energético - embora, possivelmente devemos pagá-la via “tesouro nacional” o prejuízo das distribuidoras em nome da "segurança energética". 

É inevitável que os trabalhadores se mobilizem para a transição que irá ocorrer, pois este filme para além de velho é repetido e bem conhecido. Nossa sugestão é que dos recursos da CDE, parcela igual ao valor dos salários sejam resguardados para pagar os trabalhadores até que sejam reinseridos ou estejam colocados no mercado de trabalho e, uma outra parte, sejam aplicados na recuperação do passivo ambiental, estes sim, os mais justos e os melhores investimentos que podem ser feitos com os recursos do setor elétrico.  

Acreditamos que somente será revertido o atual quadro com crescimento econômico ou decisão política.