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João Rodrigues aguarda o sim de Clésio Salvaro para mudar o jogo da eleição em SC

Por Upiara Boschi Edição 25/03/2022
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O ex-governador Raimundo Colombo abriu a semana fazendo um gesto para o colega de partido e também pré-candidato a governador João Rodrigues. Disse que concordaria em tirar o nome do jogo se o prefeito de Chapecó conseguisse mesmo convencer Clésio Salvaro (Psdb) ou Gean Loureiro (União), prefeitos de Criciúma e Florianópolis, a aceitarem a vaga de vice-governador em sua chapa e confirmasse a triangulação que fizesse do empresário Luciano Hang, das Lojas Havan, senador dessa coligação pelo Progressistas. Isso tudo a pouco menos de duas semanas para o final do prazo de renúncias dos prefeitos e filiação de quem não tem partido. Só faltou tocar o inconfundível tema da série de filmes Missão Impossível.

A primeira dificuldade é que ninguém renuncia a um prefeitura de porte dizendo ao eleitorado local que vai ser candidato a vice de outro prefeito. Pode até ser, lá na frente. Mas em abril, data da renúncia, ninguém assume essa condição. Quando os alvos são Clésio e Gean, há obstáculos a mais.

No caso do tucano, ele vem rejeitando a possibilidade de renunciar desde o ano passado. Vive um bom momento na prefeitura, com um volume inédito de recursos para investir em obras de infraestrutura e não quer abrir mão disso em nome de um projeto em que não haja garantia de algum favoritismo. Na terça-feira, no primeiro dia após receber a carta branca de Colombo, João Rodrigues foi atrás do Psdb. Na presença de lideranças tucanas estaduais, olhou nos olhos de Clésio e disse: "renuncia comigo". O tucano de Criciúma balançou. Em entrevista ao jornalista Marcelo Lula, na quinta-feira, era nítido que algo mudou nas feições do prefeito criciumense quando o assunto é renúncia. Lembrou outros nomes da cidade que foram vices - José Augusto Hülse (de Paulo Afonso Vieira, entre 1995 e 1998) e Eduardo Pinho Moreira (com Luiz Henrique da Silveira entre 2003 e 2006 e com Raimundo Colombo entre 2011 e 2018, completando ambos os períodos como governador) - e de como foram importantes para o Sul do Estado.

As dificuldades continuam lá, o tucano ainda tem receios sobre uma renúncia que seria definida de supetão, às vésperas do prazo. Mas nesta sexta-feira Clésio vai a Chapecó para uma conversa definitiva com João Rodrigues. Se disser sim ao projeto, a missão impossível do prefeito chapecoense começa a se tornar viável. E a festa de aniversário marcada para sábado passa a ser um grande ato de uma candidatura que pretende ter um pé na política tradicional e outro no bolsonarismo. Uma tríplice aliança dos novos tempos.

Com Gean Loureiro a conversa é mais delicada. Embora venha mostrando dificuldades em atrair partidos de peso para sua composição e fortalecer o seu nomes nas demais regiões do Estado, ele tem boa largada na Capital e tem mostrado obstinação com o projeto de ser candidato ao governo. Aderir ao projeto João Rodrigues agora, significaria uma desistência. Mesmo que o pessedista prometa não concorrer a reeleição caso ganhe e que abra, a seu estilo, portas no Oeste catarinense que o manezinho nunca conseguiria, aderir previamente à condição de vice seria abrir mão de quatro meses de construção da candidatura ao governo. É cedo para isso.

Enquanto isso, diretamente da Itália, Luciano Hang acompanha os movimentos. É simpático à chapa João/Clésio. Tem dúvidas e receios quando à filiação partidária, mas deve anunciar sua legenda no próximo dia 30 de março, quando volta ao Brasil. Na mesa estão o Partido Liberal, do presidente Jair Bolsonaro e do senador Jorginho Mello, o Republicanos do governador Carlos Moisés, o Progressistas que viabilizaria o arranjo com João Rodrigues e o Patriota que lhe permitiria um voo solo, apoiando apenas Bolsonaro na eleição presidencial. Talvez, neste momento, esteja nas mãos e, especialente, no sim de Clésio a chance de formação de uma chapa que muda todo o jogo eleitoral catarinense.

E pensar que tudo isso só aconteceu porque o governador Carlos Moisés (Republicanos) esnobou a articulação do secretário da Casa Civil, Eron Giordani, para que migrasse para o Mdb e tivesse em seu palanque Podemos, Republicanos, o Psdb de Clésio e, informalmente, a ala João Rodrigues/Júlio Garcia do Psd. Como eu disse na época, ao confiar no próprio instinto e buscar um caminho próprio, Moisés teria que arcar com as consequências de suas escolhas.

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