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Siserp orientará servidores que poderão ter corte de salários

Possível redução do benefício das horas de aperfeiçoamento se deve a escândalo da venda de diplomas, em 2013
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Criciúma - SC , 25/05/2020 - 19:03
Foto: arquivo / 4oito
Foto: arquivo / 4oito

Ameaçados de terem seus salários reduzidos por conta de um escândalo de compra de diplomas ocorrido em 2013, os servidores públicos de Criciúma realizaram um esclarecimento sobre o decreto que pode implicar no corte de seus benefícios. Através do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp), os trabalhadores emitiram uma nota criticando as gestões públicas e defendendo o salário recebido. 

Na nota, os servidores afirmam que são concursados e que não conseguiram essa vaga através de “nenhum político trapaceiro”. Os trabalhadores ressaltam ainda que não possuem responsabilidade pelas crises financeiras “provocadas pela má gestão dos recursos públicos”, e que não aceitam os cortes de aposentadorias e benefícios adquiridos.

A atual presidente do Siserp, Jucélia Vargas, afirma que muitas pessoas vem se sentindo ofendidas com o possível corte das horas de aperfeiçoamento - entre estas, a ex-presidente do Sindicato, a qual divulgou uma nota endereçada ao prefeito Clésio Salvaro.. “Pessoas que fizeram de fato os cursos com a empresa punida, enquanto ela tinha toda a autorização para realizá-los. Pessoas que fizeram todos os cursos que dentro da lei foram deferidos”, destacou.

Jucelia ressalta que o Sindicato está buscando encaminhamento na justiça e orientando os servidores que realizaram os cursos com a empresa responsável pela venda dos diplomas. Reuniões com cada grupo e setores dos servidores estão sendo realizadas para que sejam feitas as devidas orientações.

“No decreto está escrito que vão fazer uma auditoria e que vão chamar cada servidor. Estamos orientando um a um e, a medida que forem chamados, vamos estar com uma assessoria pronta para fazer as defesas daqueles que, por ventura, a prefeitura quiser tirar direitos em relação a isso”, declarou.

Confira a nota divulgada pelo Sindicato:

ESCLARECIMENTO IMPORTANTE À POPULAÇÃO CRICIUMENSE!
Nós, servidores públicos de Criciúma, CONCURSADOS, não conseguimos essa vaga de nenhum político trapaceiro! Estudamos e fomos aprovados por meio de concurso público, com inscrições abertas para qualquer cidadão que preenchesse os critérios necessários para a vaga.

Servimos a população, não o governo.

Nossa estabilidade nos permite trabalhar com critérios técnicos e profissionais, dentro da legalidade e da moralidade. Não aceitamos tratar com privilégios pessoas que se julgam melhores do que outras. Não fazemos conchavos com políticos desonestos para evitar a demissão. A única política que fazemos é a do serviço público que chega ao povo de Criciúma. Nossa estabilidade protege a população das indicações político-partidárias a cada eleição, que muitas vezes emprega cabos eleitorais sem qualquer qualificação profissional ou contrários aos interesses da sociedade.

Não temos nenhuma responsabilidade sobre as crises financeiras, provocadas pela má gestão dos recursos públicos, ocasionada por políticos incompetentes e condenados por improbidade administrativa; pela renúncia de impostos das grandes fortunas; pela inadimplência e sonegação das grandes empresas; muito menos pelo desvio de recursos públicos e pela corrupção.

Trabalhamos exaustivamente mais do que oito horas por dia e nos fins de semana, sempre que necessário, para garantir o atendimento qualificado à população criciumense.

Desempenhamos nossas funções, muitas vezes, em péssimas condições de trabalho, sem materiais, em ambientes insalubres e prédios mal conservados. Em muitas ocasiões, custeamos gasolina para serviço oficial e equipamentos necessários para desempenhar nossa função com dignidade.

Não temos um Fundo de Garantia para retirar no fim da carreira. Pagamos 14% do nosso salário ao nosso Regime de Previdência, contribuição que permanece após a aposentadoria. E ao contrário do que se pensa, a maioria dos servidores não recebe aposentadoria integral.

Nosso salário é compatível com a responsabilidade e compromisso que o nosso trabalho demanda. Nada além disso. Nenhuma manobra de corrupção com empreiteiras e benefícios imorais faz parte da nossa renda. Ao contrário, trabalhamos muito mais do que exige nossa carga horária, como a maioria dos brasileiros.

População criciumense:  Não aceite a desmoralização e o desrespeito aos servidores municipais. Oponha-se às ações que reduzem salários e retiram nossas condições de trabalho. 
Atacar o servidor é atacar o serviço e a população! 

Não aceitamos e repudiamos:                       * A redução de 30% da gratificação nos nossos salários, por tempo indeterminado, realizada de maneira ilegal e sem acordo com nosso sindicato;                                                      * A redução dos salários no ato de nossa aposentadoria, retirando as gratificações incorporadas ao nosso vencimento;                                                  * A redução do pagamento das horas de aperfeiçoamento;                                        * A redução do valor da insalubridade, inclusive para os profissionais da saúde e muitos outros retrocessos amargados pelos trabalhadores de maneira cruel, principalmente nesse período de incertezas sobre o futuro.                                Nossa esperanca é que a justiça seja feita! Afinal, somos nós que prestamos os serviços, todos os dias, aos contribuintes de nosso município.

PARABÉNS AOS SERVIDORES PÚBLICOS QUE AMAM SERVIR AO POVO DE CRICIÚMA!

Corte de horas de aperfeiçoamento 

Ainda na semana passada, a compra de diplomas falsos ocorridas no município no ano de 2013 voltou a pautar discussões em Criciúma - inclusive na Câmara de Vereadores.  Na ocasião, foi comprovada a existência de uma empresa na qual vendia diplomas de cursos para a aquisição de horas de aperfeiçoamento por parte de servidores públicos - as quais implicam na possibilidade de aumento de até 50% na remuneração dos trabalhadores de acordo com o salário base.

O decreto divulgado no dia 13 de maio prevê a revisão de todas as concessões de horas de aperfeiçoamento deferidas pelo governo municipal, e pode implicar na retirada desses benefícios - os quais, apesar de serem direito dos servidores, não são pagos desde 2017 em Criciúma. Jucélia afirma que os trabalhadores não podem ser culpados por um erro do próprio município, e define a ação como “mais um terrorismo do governo municipal”.