Mais uma baleia foi encontrada morta em menos de 48h em Jaguaruna. O registro aconteceu nesta quinta-feira (21). Ontem, outra baleia de uma espécie diferente havia encalhado já morta no município. As equipes Unesc com apoio da APA da Baleia Franca foram acionadas para realizar os procedimentos cabíveis.
O animal encontrado é uma baleia-jubarte, espécie que não é tão tradicional em nossa região como a baleia-franca, frequentemente avistada na costa catarinense na temporada de reprodução. Segundo a bióloga e diretora do Instituto Australis, Karina Groch, esse tipo de animal costuma ter sua presença acentuada no nordeste do país.
“Tradicionalmente é uma espécie que os animais adultos, principalmente as fêmeas grávidas, costumam migrar para o litoral sul da Bahia e norte do Espírito Santo, para a região do Banco dos Abrolhos, onde vão para o nascimento dos filhotes e para a reprodução”, explica.
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A baleia encontrada foi identificada como um animal jovem de aproximadamente 9 metros de comprimento de acordo com as equipes que estão realizando o atendimento no local. De acordo com a bióloga, o mamífero já estava morto em alto mar e foi trazido pelos ventos e correntezas ao litoral catarinense.
“Eles estavam mortos já, tanto que geralmente o que acontece é que os animais afundam e depois de alguns dias eles boiam e acabam sendo levados para a costa pela maré. Como isso acontece no intervalo de alguns dias, a carcaça quando chega na praia já está em decomposição e inviabiliza a coleta de amostras adequadas para fazer análises que possam nos dar o indicativo da causa da morte”, ressalta.
Quais procedimentos são realizados depois que um animal encalha
Após um animal desta magnitude ser encontrado na costa, é importante que se acione as autoridades locais para que contatem as instituições competentes para ficar a frente do caso. Conforme explica Karina, quando uma baleia aparece morta na costa são realizadas diversos tipos de coletas para entender melhor o que pode ter acontecido com o animal.
“Quando esses animais encalham já mortos, a primeira coisa que fazemos é avaliar o estado de decomposição, e conforme a situação, se é um animal com a carcaça mais fresca é feito a necrópsia, para tentar entender, descobrir a causa da morte. A informação que eu tenho das duas baleias é que nenhuma delas tinha evidência de algum tipo de lesão externa que pudesse dar indicativo da causa da morte, tanto a de ontem quanto a de hoje”, afirma.
Depois que é realizada a coleta dos materiais para análise o animal é enterrado pela prefeitura. “Geralmente por ser um animal de grande porte, é difícil estar transportando para outros locais, então, ele acaba sendo enterrado pela prefeitura, que é o órgão responsável pela destinação dessas carcaças. Eles fazem um buraco, na própria praia que foi encontrado, pois no ciclo natural dessas espécies, quando eles encalham aconteceria isso”, complementa Groch.
Baleias encontradas são de espécies diferentes
Apesar de terem sido encontradas no mesmo município, os animais pertencem a duas espécies diferentes. O animal encontrado nesta quinta-feira foi uma baleia-jubarte como já citado, já a que foi encontrada ontem, trata-se de uma baleia-de-bryde como explica a pesquisadora.
“A baleia-de-bryde é um animal que não é migratório como as jubartes. As jubartes se alimentam durante o verão na região Antártica e migram para locais aqui como o litoral brasileiro para se reproduzir. A bryde não. Ela é uma espécie que ocorre aqui na costa brasileira, ao longo do ano todo. Temos avistagem praticamente todo ano, tem uma ou duas avistagens e alguns encalhes. E elas têm um hábito mais costeiro nessa época do inverno, onde, e vão para o alto-mar para se alimentar. Mas ficam pela costa do Brasil. Essa é a diferença dessas duas espécies”, destaca.
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