Um pedido de vista de Flávio Dino travou nesta terça-feira (15) a decisão que poderia unir dois dos processos mais explosivos da história recente do STF: a suposta relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, e a atuação de André Mendonça na condução do relatório do caso Banco Master. O julgamento tinha placar fechado em 4 a 3 pela separação dos casos quando foi interrompido, sem data para retomada.
A votação girava em torno de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que defendia analisar os dois processos em conjunto. Fachin abriu a votação contra a proposta, recusando também redistribuir por sorteio o relatório do caso Moraes. Seguiram esse voto André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Por outro lado, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e o próprio Moraes votaram pela análise conjunta dos dois casos.
Dino havia acompanhado esse grupo, mas mudou de posição após um desentendimento em plenário e converteu o voto em pedido de vista, suspendendo o julgamento antes de um resultado definitivo.
Por trás da disputa está a decisão de Mendonça de tornar públicos relatórios sigilosos da Polícia Federal sobre o Banco Master, que apontam 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, encontros presenciais entre os dois e um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Moraes questiona a forma como o material foi liberado, alegando divulgação seletiva. Mendonça nega e diz ter preservado apenas dados sigilosos necessários à preservação de investigações em curso. Há ainda uma disputa paralela pelo acesso integral ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro, pedido por Moraes, Zanin e Gilmar Mendes e já atendido pela PF na segunda-feira (14).
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