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Recuperação das industrias catarinenses pode levar até dois meses

Segundo presidente da Fiesc, 70% das industrias foram muito ou totalmente afetadas com a paralisação
Por Clara Floriano Criciúma - SC, 01/06/2018 - 11:26Atualizado em 01/06/2018 - 11:36
(foto: reprodução/ Fiesc)
(foto: reprodução/ Fiesc)

Passado o período de paralisação, as coisas já se normalizam, mas os prejuízos continuam. A Federação Indústria do Estado de Santa Catarina (Fiesc) ainda está calculando os impactos, mas já adianta que 70% das industrias catarinenses foram muito ou totalmente afetadas o que, segundo o presidente Glauco Côrte, significa que um terço das industrias tiveram sua produção completamente paralisada.

“Estamos agora em contato com todas as regiões e recebemos informações de que, em termos de combustível, a situação está quase que normalizada e a entrega de matérias-primas e insumos está funcionando normalmente. Em termos de prejuízo, a Industria catarinense foi uma das mais afetadas em função da grande estrutura agroalimentar que temos no estado”, afirmou.

Segundo Côrte, na área agroalimentar mais de 80% das industrias foram afetadas por falta de condição de transporte e falta de alimentação para animais. “Nossa expectativa é que a partir de agora a indústria volte a operar, mas sabemos que temos em torno de um ou dois meses para a situação ficar completamente regularizada. Um dos fatores com maior impacto negativo foram as exportações. Perdemos prazos de entrega e contratos não foram cumpridos. Isso vai exigir uma longa negociação no sentido de Santa Catarina não perder mercado, uma vez que o mercado internacional está muito disputado”, revelou.

Côrte não descartou a possibilidade de que o Estado tenha perdido R$ 1 bilhão em exportações neste período, mas esclareceu: “Acho que talvez não chegue a tanto, porque no ano passado nós exportamos em torno de R$ 8 a R$ 9 bilhões durante todo o ano. Se considerarmos a média do ano passado não chegamos a esse valor. Uma informação adicional é que nos quatro primeiros meses do ano Santa Catarina exportou cerca de R$ 2, 8 bilhões. Então realmente esse valor deve ser um pouco menor do que informado”.

O presidente da Fiesc disse que vai haver uma queda na receita estadual por conta da paralisação. “No início do ano prevíamos um crescimento de cerca de 3% do PIB, o que elevaria o PIB catarinense de R$ 249 bilhões para cerca de R$ 256 bilhões. Agora estamos falando em 2% apenas de crescimento. Vamos ter uma queda na geração de riquezas, o que vai representar no ano uma queda no montante de cerca de R$ 800 milhões”, contou.

Dependências

A greve nacional dos caminhoneiros levantou duas questões importantes. Primeiro a dependência do transporte rodoviários e também das regras ditadas pela Petrobrás. Côrte também falou sobre isso na entrevista ao Jornal das Nove. O presidente diz que a Fiesc realiza estudos permanentes para mostrar a dependência do modal rodoviário.

“Não temos investimentos do Governo Federal em ferrovias e os projetos que foram contratados da malha do litoral e também da ferrovia da integração que ligaria o Oeste aos nossos portos e a ferrovia litorânea que ligaria a malha catarinense a malha nacional são projetos que não tiveram continuidade por problemas relacionados ao meio-ambiente e a situação indígena e o país não consegue resolver esse problema. Nos últimos anos os investimentos no modal rodoviário foram cada vez menores fazendo com que as rodovias não sejam bem conservadas, não tenhamos ampliação e ainda tem pontos críticos”, revelou.

Já sobre a Petrobrás, Côrte disse que houve uma recuperação financeira, mas o critério de aplicação de reajustes quando há oscilação no mercado internacional não é razoável. “Essa questão tem que ser discutida e no acordo firmado com o Governo Federal está previsto que isso acontecerá a cada 30 dias o que dá a condição de previsibilidade para os transportadores e melhorará as condições de planejamento e estratégia do setor transportador brasileiro”, explicou.