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R$ 36,8 milhões em perdas: chuva castiga lavouras e estruturas rurais em SC

Arroz concentra R$ 23,5 milhões dos danos; estradas, pontes e estruturas rurais também foram atingidas

Por José Demathé Criciúma, SC, 26/09/2026 - 07:34 Atualizado há quase um minuto
Estradas, pontes e outras estruturas produtivas somaram R$ 12 milhões em prejuízos em Turvo | Foto: Divulgação/Prefeitura de Turvo/4oito
Estradas, pontes e outras estruturas produtivas somaram R$ 12 milhões em prejuízos em Turvo | Foto: Divulgação/Prefeitura de Turvo/4oito

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As chuvas intensas registradas nos dias 21 e 22 de setembro causaram prejuízos estimados em mais de R$ 36 milhões na agricultura de Turvo, segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Do total, 50 dos 661 estabelecimentos rurais do município registraram algum tipo de perda.

O maior impacto ficou concentrado nas lavouras de arroz, com prejuízo estimado em R$ 23,5 milhões, considerando uma área atingida de quase 6 mil hectares e uma perda de mais de 15,7 mil toneladas do grão. Também foram registradas perdas nas lavouras de milho, com prejuízo de cerca de R$ 1 milhão, e de fumo, com R$ 264 mil em danos. Além das lavouras, benfeitorias como pontes, estradas e outras estruturas produtivas somaram R$ 12 milhões em prejuízos, com mil instalações danificadas no município.

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Reunião mapeou estragos em infraestrutura de irrigação

Em reunião realizada na quinta-feira (24) de setembro com lideranças do setor agrícola de Turvo, foram detalhados os danos na produção arrozeira do município. Em uma área de 1.000 hectares, será necessária a resistematização das áreas produtivas, com recuperação de estradas e limpeza de canais, além da perda de cerca de 20 bombas de irrigação e queda estimada de 50 sacos por hectare. Em outros 6 mil hectares com lavouras já implantadas, a expectativa é de redução de 30 sacos por hectare, além de aumento nos custos com insumos e defensivos agrícolas.

Chuvas de 21 e 22 de setembro causaram prejuízo estimado em R$ 36,8 milhões na agricultura de Turvo | Foto: Divulgação/especial/4oito

Nas lavouras de milho, o prejuízo estimado atinge cerca de 10% da área plantada no município, o equivalente a 109 hectares. Já no fumo, a perda chega a 20% da área cultivada, cerca de 88 hectares.

Presidente do SindArroz alerta para riscos do El Niño na floração do arroz

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz do Estado de Santa Catarina (SindArroz), Walmir Rampinelli, os prejuízos causados pelas chuvas da última semana ainda são considerados moderados, já que o arroz está em fase inicial de crescimento e resiste melhor ao acamamento provocado pela correnteza. "As quadras onde houve correnteza, ele deitou e arrancou também alguma coisa, que precisa ser replantado. Mas, nas quadras que são fechadas, os prejuízos não foram tão grandes assim", explicou.

Segundo Rampinelli, a maior preocupação do setor está voltada para os próximos meses, período em que o arroz deve entrar na fase de floração. Chuvas intensas combinadas à baixa incidência solar nesse momento podem impedir a polinização adequada da planta, resultando em grãos vazios. "Se a gente pegar uma época de floração com muita chuva, pouca incidência de raios solares, o grão não se forma porque não existe a polinização. Então tu vai ter a casca, mas o grão dentro vai ser falhado", afirmou.

Setor estima redução de até 11% na produtividade por causa do El Niño

Rampinelli também citou estimativas do setor para os impactos do El Niño até dezembro. Segundo ele, a expectativa é de queda de cerca de 6% na área plantada de arroz no Rio Grande do Sul, somada a uma redução de produtividade entre 5% e 6% em Santa Catarina, resultando em uma queda total estimada entre 10% e 11% na produção do estado vizinho.

Lavouras de arroz tiveram o maior impacto, com prejuízo estimado em R$ 23,5 milhões no município | Foto: Divulgação/especial/4oito

O dirigente também associou o cenário climático global ao comportamento dos preços do arroz. Segundo ele, a Índia, maior produtor mundial do grão, enfrenta uma redução de produção ainda mais expressiva, estimada entre 7 e 8 milhões de toneladas, volume equivalente à produção total do Rio Grande do Sul.

Para Rampinelli, esse cenário deve manter os preços do arroz em um patamar elevado, mas sem picos extremos como os registrados durante a pandemia e as enchentes no Rio Grande do Sul. "A gente também não quer que tenha picos muito altos, porque tudo isso, um pico alto precede um pico de baixa, então também é ruim", disse.

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