As condições estruturais da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal (MPF) após relatos de danos em cabos que fazem parte do sistema de sustentação da estrutura. O procedimento busca esclarecer as causas das falhas e verificar se os problemas registrados ao longo dos últimos anos podem estar relacionados.
No dia 19 de agosto, a ponte completou 30 dias desde a reabertura parcial após a interdição emergencial. A estrutura, que custou aproximadamente R$ 760 milhões, fica no Km 316 da BR-101 e é uma das principais ligações rodoviárias do Sul de Santa Catarina.
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A investigação ocorre enquanto a ponte segue sob monitoramento e com restrições de tráfego. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também abriu um processo administrativo para apurar se os problemas podem ter relação com possíveis vícios ocultos de construção.
Interdição ocorreu após fissura na estrutura
A Ponte Anita Garibaldi foi totalmente interditada na noite de 9 de julho, após uma fissura ser identificada durante uma inspeção de rotina realizada pela Motiva, concessionária responsável pelo trecho.
A partir da abertura de pontos de inspeção na estrutura, equipes técnicas tiveram acesso às cordoalhas internas, formadas por conjuntos de fios de aço de alta resistência. Foi identificado o rompimento parcial de filamentos e, posteriormente, laudos apontaram o rompimento dos cabos 4E e 4D, localizados no Pilar 35, na região central da ponte.
A interdição foi adotada como medida preventiva para permitir a realização de avaliações e reparos emergenciais. O bloqueio total durou dez dias e, em 19 de julho, o tráfego foi retomado parcialmente.
Tráfego segue com restrições
Atualmente, a circulação ocorre por uma faixa em cada sentido, com velocidade máxima de 50 km/h. Também existem restrições para veículos com cargas excedentes, com mais de 10 toneladas por eixo e largura superior a quatro metros.
Esses veículos precisam seguir procedimentos específicos para obter autorização de passagem. A liberação completa da estrutura depende da continuidade das avaliações técnicas e da definição dos próximos trabalhos.
Ponte já apresentava histórico de problemas
Os problemas estruturais não começaram em 2026. Em 2022, uma inspeção identificou falhas no mesmo setor da ponte, incluindo o rompimento de elementos da estrutura.
Naquele período, foi realizado um reforço estrutural com mais de 80 cordoalhas de aço. Segundo a Motiva, os cabos que receberam o reforço em 2022 permanecem íntegros e não são os mesmos que apresentaram problemas na ocorrência atual. Após as intervenções, testes de carga realizados em março de 2023 indicaram o restabelecimento da rigidez da estrutura.
MPF e ANTT apuram origem dos problemas
O histórico de ocorrências está entre os pontos que serão analisados pelo MPF. A intenção é entender as causas dos danos e verificar se existe relação entre os problemas registrados em diferentes momentos.
A ANTT informou que instaurou um processo administrativo para apurar a possibilidade de vícios ocultos de construção, que são falhas que podem ter surgido na execução da obra, mas não foram identificadas inicialmente.
A Ponte Anita Garibaldi foi construída sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e passou a integrar o contrato de concessão da BR-101 em agosto de 2020. O recebimento definitivo da obra pelo Dnit ainda depende de uma decisão judicial relacionada ao empreendimento.
Monitoramento continua
Mesmo com a reabertura parcial, a estrutura continua sendo acompanhada pela Motiva e por empresas especializadas. O trabalho inclui sensores, levantamentos topográficos e análises do comportamento do tabuleiro.
A concessionária afirma que as inspeções realizadas em outros pontos da ponte não identificaram novas anomalias e que a estrutura apresenta comportamento dentro dos parâmetros esperados pelos especialistas.
Também foram realizados procedimentos de reforço, como reaperto e retensionamento de cabos, além da revisão das proteções contra corrosão. A investigação do MPF deverá ajudar a esclarecer o histórico de falhas da Ponte Anita Garibaldi e as causas dos problemas identificados. Enquanto isso, a estrutura permanece em operação sob condições especiais de tráfego e monitoramento técnico.
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